O medo deste vírus que nos enlouquece

Como escreveu Dante “a meio do percurso da nossa vida, dei comigo numa floresta sombria, pois que se perdera o caminho a direito”.

Esta floresta sombria mais não é que esta pandemia e outras pandemias que se intrometem surpreendentemente nas nossas vidas sem prévia autorização.

A peste como escreveu Albert Camus “eliminou a singularidade da vida de cada homem”.

Era nesta nossa singularidade em que afirmávamos a nossa diferença.

Após a chegada da pandemia passamos a viver com mais tempo mas numa míngua de espaço.

A afirmação da nossa singularidade passa necessariamente pelo tempo mas seguramente por um mundo livre que nos permita partilhar afectos, trabalhar, socializar e viajar sem medo.

Um medo que promove o desamor, a insegurança, a desconfiança e uma clausura claustrofóbica.

Em que os pais deixaram de ver os seus filhos, em que os avós não partilham a sua vida e as experiências com os seus netos, amigos que deixaram de estar juntos.

A saudade de um beijo e de um abraço que nos transmitia confiança e nos alimentava o coração.

Um medo que, paulatinamente, nos mata e nos enlouquece.

Não podemos permitir que este vírus nos enlouqueça correndo o risco de não morrer da doença mas sim da “cura”.

Agora é o tempo de, usando todos os cuidados emanados das autoridades de saúde, nos libertarmos dos medos a que nos amarraram de forma a voltarmos a viver a vida na sua plenitude.

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – Área de Sociologia

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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