Gaia: o manual para o suicídio político de um presidente de Câmara

Na sequência do conjunto gravíssimo de revelações feitas pelo jornal PÚBLICO, o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, optou por uma estratégia suicida apoiada em três grandes ilusões políticas: a negação, a fuga em frente e a vitimização.

Em face deste ensaio, que pretende fazer mais uma vez derrapar para a irracionalidade e para a mistificação um processo já de si sobejamente opaco, torna-se útil uma análise objectiva e criteriosa das várias revelações feitas pela comunicação social, assim como das respostas que a elas foram sendo dadas pelo presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e pelo presidente da Direcção e pelo tesoureiro da Cooperativa de Solidariedade Social Sol Maior, respectivamente, Marcelino Tavares e Luís Espirito Santo.

Estas respostas foram mudando mais parecendo fazerem parte de um desesperado manual do suicídio político que já tinha observado, noutras situações, com efeito boomerang. Nietzsche chamou-lhe eterno retorno. Dostoievski, crime e castigo. São Paulo, a ira do Senhor.

A cada notícia vinda a público e às publicações nas redes sociais sobre este tema, o presidente da Câmara de Gaia e os acima referidos dirigentes da Sol Maior reagiram com uma desorientação crescente, enredando-se nas suas próprias justificações, tropeçando em argumentos cada vez mais contraditórios, procurando fazer nascer uma vítima – Eduardo Vítor Rodrigues.

Por muito penoso que seja observar o espectáculo oferecido pelo presidente de uma das maiores Câmaras do país e pelos citados acima dirigentes da Sol Maior não podemos deixar de atentar na cronologia rigorosa dos acontecimentos e dos factos:

1) Dia 27/12/2016 – Noticia do Jornal PÚBLICO

  • “Mulher do presidente da Câmara de Gaia aumentada 390% em cinco anos.”
  • “Entre 2010, ano em que entrou para a instituição, e 2015, a mulher do presidente da Câmara de Gaia viu a sua remuneração base aumentar mais de 390%, passando de 475 para 2343,71 euros.”
  • “Contas feitas, entre 2013 e 2015, o vencimento da mulher do presidente aumentou 192%.”

(tabelas que discriminam a remuneração base, subsídios de férias e de Natal, divulgadas pelo PÚBLICO)

 

2) Dia 27/12/2016 – Texto de Eduardo Vítor Rodrigues publicado na sua página nas redes sociais.

  • “Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o mês do subsídio de férias.”

(ao contrário do que afirma Eduardo Vítor Rodrigues o valor da remuneração é de 2343,71€ e não inclui o subsídio de férias)

3) Dia 27/12/2016 – Luís Espirito Santo, tesoureiro da Sol Maior, efectua a partilha abaixo do post da página de Os Truques da imprensa portuguesa que tenta descredibilizar e desmentir a noticia do Jornal Público.

Como é possível Luís Espirito Santo, partilhar este texto, sendo tesoureiro da Sol Maior e conhecendo a remuneração de Elisa Costa?E com que objectivo partilhou este texto?

4) Dia 27/12/2016 – Texto de Eduardo Vítor Rodrigues publicado na sua página nas redes sociais.

Será que a notícia do Jornal PÚBLICO de 27/12/2016 era mentira? E na vida política e pública vale tudo?

5) Dia 28/12/2016 – Notícia do Jornal de Notícias –  declarações de Eduardo Vítor Rodrigues.

  • o presidente da Câmara de Gaia negou que o salário da mulher fosse de 2343,71 euros afirmando que Elisa Costa “fez a sua progressão até chegar aos atuais 1180 euros, que incluem a isenção de horário e o descongelamento de salário. Os mais de dois mil euros foram em agosto, pela acumulação com o subsídio de férias ”.“

O valor da remuneração de Elisa Costa em Agosto de 2015 foi de 2343,71€ e não inclui o subsídio de férias, ao contrário do que afirmou o autarca de Gaia.

6) Dia 28/12/2016 – Noticia do Correio da Manhã, declarações de Eduardo Vítor Rodrigues.

  • “Só poderá tratar-se de dificuldade em ler números. Quero acreditar que seja uma confusão, mas já é entrar no limite da indecência e uma tentativa de achincalhamento”
  • “O salário inicial compara com o mês em que foram entregues os subsídios de Natal.”

Após a leitura da primeira tabela acima dada a conhecer pelo PÚBLICO não me parece que a referida notícia traduza uma dificuldade em ler números, de indecência ou achincalhamento. O valor da remuneração de Elisa Costa é de 2343,71€ e não inclui o subsídio de Natal, ao contrário do que afirma o autarca de Gaia.

7) Dia 29/12/2016 – Marcelino Tavares, presidente da Sol Maior, partilha o post de Eduardo Vítor Rodrigues de 29/12/2016.

Porque será que Marcelino Tavares, na vez de partilhar o post acima de Eduardo Vítor Rodrigues, não tornou público, naquele momento, a remuneração que Elisa Costa, mulher do presidente da Câmara de Gaia, auferia na Sol Maior?

8) Dia 29/12/2016, resposta de Luís Espirito Santo, tesoureiro da Sol Maior, quando questionado por mim, sobre a remuneração que Elisa de Costa auferia na Sol Maior.

  • “ Obviamente a Elisa Costa NÃO aufere nada que se pareça com esses 2.343,71 exceto nos meses de férias e no Natal em que é mais ou menos isso em termos brutos e se incluirmos os respectivos subsídios E acho que já falei demais. Também o faço, porquanto o marido divulgou ao JN a referida remuneração base e esta conversa me incomoda.”

Porque será que Luís Espirito Santo faltou à verdade quando questionado sobre a remuneração auferida por Elisa Costa? E com que objectivo?

9) Dia 05/1/2017 – Notícia do Jornal PÚBLICO.

  • O PÚBLICO revela a tabela de remunerações da mulher do Presidente da Câmara de Gaia que demonstra a verdade dos factos anteriormente avançados pelo jornal:

10) Dia 07/01/2017 – Jornal de Notícias – declarações de Eduardo Vítor Rodrigues

  • “Eduardo Vítor nega qualquer benefício à mulher e à Sol Maior.”

A Câmara Municipal de Gaia pagou à Sol Maior 93.977,64 euros, no ano de 2015 . Esta parceria permitiu também à Sol Maior receber 403. 232,63 euros relativos às mensalidades pagas pelos pais dos alunos:

( extracto do relatório de contas de 2015 da Sol Maior)

Também apesar de Eduardo Vítor Rodrigues ter negado que a Sol Maior tivesse recebido subsídios da autarquia, o presidente da Câmara Municipal de Gaia votou um apoio financeiro no valor de 4.000 euros para a realização de um passeio à Kidzania,  em Lisboa:

A Câmara Municipal de Gaia também nomeou a Cooperativa de Solidariedade Social Sol Maior como entidade coordenadora local do Programa CLDS+:

 

11) Dia 07/01/2017 – Notícia do Jornal de Notícias – resposta de Marcelino Tavares, presidente da Sol Maior, curiosamente ou talvez não, após o Jornal Público ter tornado publico o documento com o valor das remunerações que Elisa Costa aufere na Sol Maior.

  • “Licenciou-se e, em 2014, surgiu a vaga no projecto RSI, que ocupou e passou a ganhar 1018,71 euros. Em 2015, passou a directora técnica, com o mesmo ordenado, mais 600 euros de isenção de horário e 725 euros de complemento de função. Isso dá 2343,71 euros brutos, que sem subsídio de refeição, resulta em 1449,57 líquidos. Se me tivessem contactado evitavam-se equívocos. Estas notícias são um ataque muito baixo ao presidente da Câmara de Gaia”.

Temos que ser honestos. A partir do momento em que o subsídio de isenção de horário e o complemento de função passam a ser fixos e regulares ( foi assim durante mais de um ano) temos dizer que se trata de uma remuneração mensal – até porque Elisa Costa recebe o valor do SIH e o CF nos subsídios de férias e de Natal – bem como quando tratamos de salários falamos de valores brutos porque é a partir destes que são calculadas as reformas, as baixas médicas, a segurança social, os impostos, etc. Penso que isto deveria ser do conhecimento de qualquer presidente de uma Instituição Particular de Solidariedade Social.

Não deveria Marcelino Tavares, em abono da verdade e da transparência, ter tornado pública, após as declarações de Eduardo Vítor Rodrigues, no dia 28/12/2016, a remuneração que Elisa Costa auferia na Sol Maior? Porque é que Marcelino Tavares apenas tornou pública a remuneração de Elisa Costa, no dia 07/01/2017, após a notícia do Jornal Público de 05/01/2017, em que foi tornado público o documento em que constava a remuneração de Elisa Costa, confirmando os números adiantados na notícia do Público do dia 27/12/2016?

Mas afinal quem faltou à verdade? A jornalista do Público, Margarida Gomes, o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues ou algum dos aqui referidos dirigentes da Sol Maior?   Agora tire as suas conclusões!

Porém ainda restam muitas dúvidas, contradições e perguntas que continuam sem explicações e respostas mas que espero ver esclarecidas e respondidas pela auditoria ao funcionamento e às contas dos últimos cinco anos de actividade da Cooperativa de Solidariedade Social Sol Maior CRL, que solicitei ao Sr. Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Dr. José Vieira da Silva, no dia 28 de Dezembro de 2016.

Aguardo pelos próximos tempos para tirar conclusões definitivas.

Paulo Vieira da Silva

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