A formiga trabalhadora, a vespa, a barata, a cigarra e o mocho*

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Era uma vez uma formiga. Alegre e trabalhadora. Trabalhava a cantar, porque gostava muito do que fazia.

A sua chefe era uma vespa. Intrigada, observava a formiga e pensava: se a formiga é assim produtiva sem nenhum tipo de regras, poderá ser muito mais com a sua atividade supervisionada. E imaginava modelos complicados de gestão de recursos humanos e organização de empresas.

Um dia, contratou uma experiente barata para organizar o trabalho da formiga. A barata produzia relatórios com gráficos fantásticos que eram muito apreciados pela vespa. A 1ª coisa que a barata fez foi alterar os horários de trabalho da formiga. Em consequência, a formiga deixou de cantar enquanto trabalhava. O excesso de trabalho com o controlo de horários obrigou a barata a contratar uma secretária. Depois de um longo processo de seleção, a barata contratou uma mosca que era especialista em informática, nomeadamente em Excel e PowerPoint. E entregava os relatórios com umas capinhas de plástico que eram muito apreciadas pela administração: davam um ar muito profissional. Decidiram fazer um investimento em computadores e impressoras a cores para produzir os fantásticos relatórios. Havia de tudo: análise de produtividade, comparação com outras formigas, horas mais produtivas, páginas de análises sobre a baixa de produtividade à noite (enquanto a formiga dormia), etc.

O enorme volume de relatórios e análises sobre o trabalho da formiga tornou-se problemático: ocupavam grande parte dos conselhos de administração. A vespa decidiu então contratar um gestor para essa área de negócio onde trabalhava a formiga. O processo de seleção foi longo e muito complicado: concorreram mais de 3 milhões de insetos rastejantes e voadores. Da seleção foi finalmente contratada uma cigarra que era especialista em gestão, com MBA por uma universidade muito famosa. A cigarra exigiu melhores condições de trabalho. Foram feitos investimentos nos gabinetes de gestão, nos computadores, nas impressoras e no pessoal de apoio. Para além disso, e no sentido de aumentar a influência junto de outros insetos muito poderosos, o conselho de administração passou a ter administradores não executivos especialistas em contactos com outras vespas, baratas, moscas e cigarras.

A formiga observava tudo isso e trabalhava sem gosto e mostrando sinais de desmotivação: a barata reportava isso nos seus relatórios. Preocupada com a situação, a cigarra propôs fazer uma análise exaustiva das condições de trabalho da formiga, recomendando para esse trabalho a empresa de consultoria da sua amiga lagartixa. A vespa recebeu a proposta e olhou para os quadros económicos e financeiros da empresa. Percebeu rapidamente que a empresa caminhava a passos largos para a bancarrota e ficou alarmada. Contratou então um consultor de confiança: o mocho. Este fez um plano de análise do problema e esteve um ano na empresa a analisar o trabalho da formiga. Concluiu, num relatório muito pormenorizado com 3458 páginas, encadernado com capinhas de plástico, que a empresa tinha gente a mais. A vespa lançou as mãos à cabeça. Tinha de reduzir colaboradores. Tendo por base os relatórios da barata despediu a formiga pois esta trabalhava desmotivada e triste.

 

J. Norberto Pires

 

* adaptado de textos sem autor conhecido

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