Tolerância Zero contra a Corrupção

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Numa recente entrevista o ainda Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Nuno Garoupa, afirmou que ” quando o português do século XXI, da geração melhor preparada de sempre, cidadão europeu e do mundo globalizado, vota em autarcas condenados por corrupção com o argumento de que este ao menos faz obra, sabemos que a corrupção é um problema cultural que a sociedade não só não combate como tolera e mesmo alimenta. Só isso explica que em 2016 o combate contra a corrupção continua a ser conversa política para entreter mas não há nenhuma revolta da sociedade civil.”

Não podia estar mais de acordo com o Nuno Garoupa. E até vou mais longe!

O colapso da banca portuguesa foi fruto da corrupção que teve como consequência a intervenção financeira externa da Troika. E quem pagou tudo isto com imensos sacrifícios? Fomos todos nós! Já pensaram nisto?

É meu entendimento que a corrupção é o maior imposto que os portugueses pagam todos os dias. Um imposto de valor muito superior ao que pagamos de IRS, IVA, IMI ou o que as empresas pagam de IRC.

É um ” imposto ” que tem uma larga cadeia de intervenientes, em que cada um vai ficando com uma ” percentagem do negócio ” ou melhor  dizendo da ” negociata ” que acaba por se repercutir de forma muito onerosa no preço final da casa que compramos, no custo da auto-estrada que percorremos, dos medicamentos que tomamos, do hospital a que recorremos, na escola ou universidade que frequentam os nossos filhos. E isto são apenas alguns exemplos!

A corrupção mina a Democracia, distorce o funcionamento dos mercados e a capacidade de gerar e distribuir a riqueza.

Nos últimos anos assistimos todas as semanas a escândalos que envolvem políticos, funcionários públicos, polícias, entre outros, em casos de corrupção e de tráfico de influências. Ainda hoje foi tornado público um caso em que envolverá pessoas ligadas ao Ministério da Defesa suspeitas dos crimes de corrupção, gestão danosa e participação económica em negócio,  em que foram feitas diversas buscas do Minho, passando pelo Porto, Aveiro, até Lisboa, por diversas entidades judiciais.

Como se pode ser complacente com a corrupção, com corruptos, com gente sem escrúpulos que está na vida política e pública para se governar e não para governar o seu País?

Quando a opção é ser tolerante e até cúmplice com este tipo de gente, quando deveria ser de repúdio e de denúncia, o que podem as pessoas esperar do seu País?

A corrupção é o “cancro” que destrói, dias após dia, o nosso País. Não será tempo para fazer uma reflexão profunda e colocar um travão a fundo neste caminho?

Haja coragem política. Mas coragem a sério. Sem vacilar. Tenho a melhor das impressões da actual Ministra da Justiça, Francisca Van Dumen. Deposito esperança que coloque a questão do combate à corrupção no topo da sua agenda política.

Tolerância Zero contra a Corrupção. Tolerância Zero contra os Corruptos.

E todos estaríamos com toda certeza a ajudar a construir um País muito melhor para os nossos filhos e para as futuras gerações.

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

 

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16 Comments

  1. Um Estado, o Estado de Portugal, que corta uma pensão, que a recorta com mais escalões de IRS, mais taxa e sobretaxa e mais cortes nas deduções, com mais CES, com coimas por entrega considerada fora de prazo porque os rendimentos de capitais passaram a negativos não sendo considerados e, assim, gera a incapacidade de pagar o IMI no calendário previsto, também este aumentado arbitràriamente contando com a incapacidade financeira do contribuinte para formalizar o pedido de reavaliação, este é o Estado que colocou o contribuinte num estado de incapacidade futura de concretizar o direito à dedução dos benefícios fiscais que a mesma "regulamentação" a um tempo lhe concede e lhe retira.

    Para quando Tolerância Zero contra esta forma de Corrupção ?

    Sande Brito Jr

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  2. Um Estado, o Estado de Portugal, que adjudica a Consórcios, através de concurso público, grandes obras públicas que vão ser executadas por sub-sub-empreiteiros que recorrem a mão d'obra não qualificada, sujeita a todo o tipo de exploração e sem fiscalização porque a obra "é do Estado", é o Estado que está a fomentar a economia paralela.

    Para quando Tolerância Zero contra esta forma de Corrupção ?

    Sande Brito Jr

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