Insónias

“Todas as palavras esdrúxulas são naturalmente ridículas”

Tão ridículas quão desprovidas de bom senso. E o que temos visto e ouvido por estes dias, são piores do que “as cartas de amor” a que se refere Álvaro de Campos.

Na verdade, as palavras esdrúxulas que políticos e não políticos (hoje, está na moda, ser comentador… de tudo e de nada), vão proferindo, por isto e por aquilo, são verdadeiramente ridículas, porque exageram no acento que colocam em questões, por vezes, bem pertinentes. Mas perdem a acuidade e a razão pelo acento esdrúxulo com que delas falam. Como em tudo, quando se empertigam para colocar o acento tornam-se no que o poeta classifica. Ridículas, pois claro!

Militares que ameaçaram depor armas! Mas que nome se dá, na guerra, a isso? Conheço um Regimento de Infantaria em que o lema é “Nem um passo à retaguarda”. Mas aqueles outros, não só dão passos à retaguarda como depõem as armas. Depois, claro, sugere-se a demissão do Ministro da Defesa. Os políticos é que são culpados. Mas com oficiais assim, que até deixam roubar armas, que farão os soldados? Pelo sim, pelo não, talvez, depor os ditos.

Uma greve de zelo

O que será isso? Zelosamente, não se zela por ninguém. Mesmo que se esteja a necessitar do zelo de Enfermeiros Especialistas. E a Bastonária, bem cedo ainda, avança com números. Salas de parto encerradas, outras, a meio gás. Afinal, pouco depois estava a dizer: «onde digo digo, digo que não digo». Se não foi ridículo… Mas uma Ordem não tem, propriamente, funções sindicais. Ainda me recordo de algumas afirmações do tempo em que foi criada a Ordem dos Enfermeiros. E das juras sobre a necessidade de afirmar a deontologia profissional. Outros tempos. Esqueceu. Foi a senhora Bastonária, ou a dirigente partidária, membro do CN do PSD? Atenção. O ser dirigente partidária não desmerece. Mas não misturar é uma boa atitude.

Tem “estado em cima da mesa” – expressão repetida até à exaustão, imagine-se, mesmo em serviços noticiosos, as demissões de membros do governo. Por isto e por aquilo. O incêndio de Pedrógão Grande. O furto – que pontaria! – logo haviam de ir direitinhos ao paiol mais sensível – do material militar de Tancos. Agora, são estes os pretextos. Noutras ocasiões foram outros. O importante, ao que parece, é fazer sangue no atual governo.

 Em bicos de pés

A Dr.ª Assunção Cristas, receando não ter audiência ali no Largo do Caldas, meteu-se no elétrico e foi até Belém. Por perto, se os turistas permitirem, sempre haverá um pastel para enganar o estômago. Terminada a audiência com o Sr. Presidente da República, toca de utilizar todo o tempo de antena que os micros, ansiosos por sangue, lhe disponibilizaram. Ora! Uma Presidente de um partido com acento parlamentar, agora que os debates com o Primeiro-Ministro são quinzenais – o último fora dois ou três dias antes – não terá espaço para intervir, apresentar os seus pontos de vista, dizer da sua justiça, pedir a demissão de Ministros? Usou o Palácio de Belém. Descabido, assim classificava um amigo; ridículo, poder-se-á dizer. Mas que não mostra grande senso, ou sentido de Estado, lá isso não.

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