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Terrorismo e paradoxo da tolerância

Reichstag cores Belgica

Ele é declarações de chefes de estado a apresentarem condolências e a condenarem os atentados. Ele é «je suis» isto e aquilo. Ele é velinhas e florzinhas a assinalar os locais em que morreram vítimas inocentes. Ele é mensagens escritas a giz nas paredes a favor da paz e contra o terrorismo. Ele é cidades que iluminam monumentos com as cores dos países covardemente atacados. Ele é chorosas manifestações de solidariedade e de pesar. Ele é o ingénuo e irresponsável contributo para heroicização dos terroristas da comunicação social sedenta de audiências. Ele é debates ad nauseam a discutir o sexo dos anjos. Ele é políticos cegos de uma certa esquerda a virem a terreiro branquear os crimes terroristas com ataques à direita. Etc., etc.

Sim, é fundamental intensificar a segurança. Sim, é fundamental investir em políticas de integração de migrantes muçulmanos. Sim é fundamental pôr em prática políticas que minimizem o desemprego de jovens. Sim, é fundamental mitigar a discriminação e as desigualdades sociais. Sim, é fundamental intensificar o ecumenismo e o diálogo intercultural. Sim, é fundamental não confundir os refugiados e migrantes com os terroristas do Daesh. Sim… Sim… Serão contudo suficientes estas medidas generosas e de teor preventivo para impedir os crescentes massacres da «guerra santa» em curso declarada pelos jihadistas à Europa em nome de Alá?

Entretanto, o Islão terrorista reivindica os ataques hediondos, rejubilando com os bombardeamentos e distribuindo rebuçados às criancinhas. O filme tem vindo a repetir-se de forma patética e inconsequente após cada um dos ataques. Quantos bombardeamentos serão necessários para que os líderes ocidentais tomem finalmente consciência de que os terroristas islâmicos não compreendem sequer, nem tão-pouco querem compreender, a sua linguagem pacifista? Está manifestamente provado que as respostas infantilizadas ao terrorismo islâmico desta Europa, cada vez mais refém da ditadura do politicamente correcto, não têm surtido o mínimo efeito positivo. Há que combater o problema de facto em várias frentes, sem descurar contudo outras respostas mais eficazes a breve trecho tendentes a salvar vidas. O ocidente civilizado e o Islão que respeita os direitos humanos, incluindo os das mulheres e das crianças, têm de se unir a fim de minimizarem urgentemente  as consequência trágicas destes massacres. Como é que deverá ser interpretado o silêncio ensurdecedor dos líderes espirituais islâmicos? Quando é que os responsáveis políticos europeus irão finalmente assumir que a Europa está a ser, de facto, atacada de forma reiterada e sofisticada? Um ataque que ceifa vidas. Um ataque que deixa atrás de si um rio de sangue. Um ataque também sem tréguas às matrizes culturais do Velho Continente, designadamente aos valores decorrentes da Antiguidade greco-latina, do Cristianismo e do Iluminismo.

A Europa necessita com urgência de verdadeiros estadistas, capazes de encontrar respostas susceptíveis de protegerem e de fazerem vingar os valores que alicerçam a Europa. Sob pena de, a muito breve trecho, nos virmos obrigados a entoar em sua homenagem um qualquer requiem, em vez do luminoso e idealista Hino da Alegria. No actual contexto sob o signo da urgência, não será de todo despiciendo reflectirmos sobre o paradoxo da tolerância, definido por Karl Popper, sintomaticamente em 1945, na sua obra «A Sociedade Aberta e os seus Inimigos»: «A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra os ataques dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e, com eles, a tolerância».

 

 

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