Insónias

A RTP ainda faz serviço público!

nuno artur silva

A RTP merecia um génio da televisão como Nuno Artur Silva para se relançar enquanto televisão da informação e do conhecimento, cumprindo assim o seu papel de serviço público. E Nuno Artur Silva está a conseguir, desde que foi eleito para o Conselho de Administração da RTP em Fevereiro de 2015, reconstruir aos poucos o serviço público que se requer como requisito obrigatório sem se esquecer porém que vive em concorrência directa com mais dois canais e que a luta pelas audiências é naturalmente vital para a sobrevivência e sustentabilidade da empresa por via da optimização das receitas vindas das rúbricas publicitárias. Sem receitas de publicidade, nenhuma televisão, perece, apesar de ser um dos que considera que a RTP não pode ser nem lucrativa nem deficitária como tem sido até aos dias de hoje.

Não podemos negar as evidências: perante a concorrência feroz que é feita pelos 2 canais generalistas em sinal aberto da concorrência, Nuno Artur Silva está a tomar decisões de classe. Só os mais desatentos é que não tem visto que a RTP diversificou-se ainda mais ao nível de conteúdos, dando, na minha perspetiva uma autêntica bofetada de luva branca na trampa que se pode comer por aí nas SIC´s e TVI´s desta vida. No fundo, só come trampa na televisão portuguesa quem realmente se achar de direito de comer.

Não é à toa que a RTP é a única televisão generalista nacional que passa grande parte dos eventos desportivos de relevância nacional e internacional como são os casos dos jogos da Liga dos Campeões, dos jogos da selecção nacional, dos campeonatos nacionais de futsal e ciclismo, das grandes provas internacionais de ciclismo, as reviews das provas de desportos motorizados, do atletismo nacional e de tudo o que consegue arrepiar a bons preços às grandes transmissoras do cabo.

No último ano, a qualidade das séries intensificou-se de sobremaneira como a inserção na grelha de grandes séries internacionais como “Guerra e Paz”, “Versailles” e “Borgen”. A ficção continuou continuou a ser polvilhada pontualmente com bons formatos como “Terapia”, série que a meu ver ficou muito escassa pela exibição apenas de uma temporada.

“Linha da Frente” ou o polémico “Sexta às 9” tem feito cair muitos reis e muitos duques do nosso país, tornando-se programas de referência durante o seu horário de antena. Nestes dois formatos televisivos, o país real é esmiuçado até ao osso em abono da sempre salutar verdade.

Há espaço para me gozarem. Até a banhada do “Peso Certo” de Fernando Mendes, repetitivo programa que está no ar há mais de uma geração é líder de audiências no seu horário de transmissão.

Na RTP 2, é colocada a cereja em cima do bolo. Exibindo Teatro com fartura (estão neste momento a ser gravadas 8 peças nos estúdios da RTP com recurso a companhias de teatro amador) nacional e estrangeiro (em exibição estão neste momento na grelha as melhores peças de Shakespeare), concertos de artistas nacionais e internacionais ao fim-de-semana, séries, programas de literatura, debate político sério, debate religioso e debate social, e a indispensável britcom (a meias com a RTP Memória) a nova RTP remata o bom serviço público que actualmente apresenta com conhecimento.

Uma das séries que recomendo para todos aqueles que não a apanharam no éter da televisão na passada segunda feira é “Estorias do Tempo da Outra senhora” – série que irá nas próximas semanas dar viva voz a mais um capítulo de revisionismo histórico indispensável para se compreender a vida deste país durante o Estado Novo. Neste primeiro episódio, o convidado foi Manuel de Souto, o “médico comunista” de Salazar, o homem que assistiu o ditador no seu último sopro de vida e que aproveitou a ocasião para relembrar as últimas semanas de vida do homem.

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