Insónias

Portugueses desobrigam Passos Coelho a votar contra a baixa da TSU

Infelizmente a palavra coerência não existe na praxis dos partidos políticos. Os políticos afirmam, com uma enorme facilidade, uma coisa e o seu contrário.

E isto vem a propósito de Pedro Passos Coelho ter anunciado que o PSD vai votar contra a descida da TSU para as empresas como forma de “compensação” pela subida do salário mínimo nacional.

Talvez Passos Coelho se tenha esquecido que, quando foi primeiro-ministro, defendeu a descida da TSU para as empresas. Eu não me esqueci. Penso que a maioria dos portugueses também não.

Este anúncio de Passos Coelho parece-me mais uma pequena vingança que manifesta uma falta de sentido de estado. Em politica, como na vida, podemos trilhar os mais diversos caminhos, mas termos que assumir as suas consequências. E na vida, como em política, existem caminhos que não nos levam a lado algum.

A acção politica não pode ser comandada por ressabiamentos. Há algo muito mais importante que é o interesse colectivo. E esse tem que estar sempre acima de tudo.

Eu sei Passos Coelho é teimoso. Penso que os portugueses também já perceberam isso mesmo. Mas a teimosia tem que ter limites.

Foi assim quando Passos Coelho decidiu apresentar o ” livro proibido” do Arquitecto Saraiva. Aliás foi esta atitude incompreensível que me levou a sair do PSD ao fim de 25 anos.

Na altura Passos acabou por recuar mais tarde na decisão, depois do descontentamento que esta sua atitude gerou no interior do PSD, pedindo ao Arquitecto Saraiva que o desobrigasse de apresentar do seu polémico livro. Foi um recuo de Passos, contudo sem reconhecer e assumir o seu erro.

Este momento marcou indelevelmente o futuro político de Passos Coelho, mas parece-me que o líder do PSD não percebeu este erro, como não percebeu muitas outras coisas. Por isso continua a insistir neste caminho errante.

Espero que Passos Coelho perceba, mesmo que tardiamente, que continua a trilhar o caminho errado, recuando nesta sua decisão optando pela abstenção nesta votação.

Estou convicto que, neste caso, a maioria dos portugueses desobrigarão Passos Coelho a votar contra a descida da TSU, em nome da importância da concertação social.

Mais uma vez, mais vale tarde que nunca. Assim espero!

Paulo Vieira da Silva

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