Insónias

Póquer de Sucesso

Lisboa, Sintra, Gaia e Porto são as quatro maiores câmaras do país.
São também aquelas cuja conquista pode transformar uma derrota em vitória e cuja perda pode transformar uma vitória em derrota.
Nas inesquecíveis autárquicas de 2001 o PSD, que já presidia a Gaia com Luís Filipe Menezes, conquistou Lisboa (Pedro Santana Lopes), Porto (Rui Rio) e Sintra (Fernando Seara) a par de muitas outras câmaras conseguindo uma vitória autárquica de tal dimensão que levou à demissão do governo liderado por António Guterres.
Hoje, das quatro o PSD preside a …nenhuma!
Lisboa foi oferecida, em 2007, pela dupla Marques Mendes/Paula Teixeira de Cruz a António Costa e nunca mais foi recuperada.
As outras três foram perdidas nas autárquicas de 2013.

Porto, onde Menezes parecia um vencedor certo, para a candidatura independente (apoiada pelo CDS) de Rui Moreira num daqueles volte face de última hora em que o eleitorado portuense é especialista.
Sintra por total e completa responsabilidade da direcção do PSD que rejeitou, por razões nunca explicadas, a candidatura do então vice presidente Marco Almeida e preferiu andar a brincar às candidaturas e aos candidatos e conseguiu que depois de três vitória eleitorais o PSD seja hoje a terceira força política do concelho.
Gaia, onde se tornou o relativamente fácil em…impossível, com um processo dantesco em que as responsabilidades tem de ser divididas por dirigentes locais e nacionais que tiveram como resultado dar ao PS uma câmara que teria sido fácil manter na coligação “Gaia na Frente”..
E por isso a liderança de Passos Coelho tem hoje ,para além do desafio de conquistar o maior número de câmaras nas próximas autárquicas, a responsabilidade de inverter esta dinâmica de derrotas nestes quatro municípios e reconquistar alguns deles.
Não vai ser, contudo, nada fácil.
Em Lisboa parecendo-me evidente que sendo Pedro Santana Lopes de longe o melhor candidato do PSD parece-me igualmente evidente que ele e PSD devem evitar por todos os ovos no mesmo cesto na mesma altura e na mesma eleição.
Porque se as autárquicas correrem mal há um dia seguinte que tem de ser acautelado…
E por isso parece-me que o mais adequado será encontrar uma base de entendimento com o CDS para uma candidatura conjunta eventualmente liderada por uma personalidade não filiada nos dois partidos.
No Porto o problema é outro.
A um ano e pouco de distância não se vê um candidato forte dando de barato que Rui Rio não quererá voltar a candidatar-se a um lugar aonde já foi feliz.
Talvez seja tempo de dar oportunidade a alguns barões e baronetes de demonstrarem o que valem face a um eleitorado diferente do dos cadernos eleitorais das eleições partidárias.
Em Sintra o caminho seria óbvio.
O PSD dar o braço a torcer, reconhecer o erro, e pedir encarecidamente a Marco Almeida para encabeçar a lista do partido.
Não vejo, porém, que haja a humildade necessária a isso e nem sei se o Marco Almeida mesmo assim estaria disposto a candidatar-se por um partido que continua com a mesma direcção que tão mal o tratou em 2013.
Pelo que o mais certo é que se repita a “cena” de 2013 com a direcção a destacar para Sintra um qualquer dirigente que depois da derrota nem tome posse e renuncie ao mandato na certeza de que em termos de carreira e de cargos nada perderá com isso.
Resta Gaia.
Onde há por natureza um candidato fortíssimo do PSD.
Luís Filipe Menezes.
Não sei é se ele quer, se os órgãos do partido o desejam ou se a conjuntura o permitirá.
Tenho é a certeza que não só para ganhar Gaia o PSD não tem melhor como se ele for candidato…ganha.
Há uma obra imensa, ao longo de dezasseis anos, que é um argumento eleitoral de enorme peso na hora em que os eleitores tiverem de decidir.
Não está pois fácil a vida da direcção do PSD nas escolhas que terá de fazer para estes grandes municípios.
Na certeza de que se não recuperar nenhum a vida ainda ficará mais difícil no pós eleições.

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