O (im)paciente inglês

Cinco dias volvidos sobre o maior soco no estômago sofrido pela Europa na sua história comunitária, começamos a acordar do torpor e perceber a real dimensão da coisa. Ontem, ao ver as reações “a quente” das maiores figuras da EU, com o presidente à cabeça, entendemos que esta gente viveu tempo demais na ilusão de que a Europa é o seu recreio e que bastaria geri-la “ex-cathedra”, a seu bel-prazer, espraiando bênçãos e raspanetes, carinhos e palmadas, perdões e punições, para manter viva a chama comum. Que seria sempre a Europa a decidir quem entrava ou quem expulsava, ao invés de se ver preterida por um dos seus filhos pródigos!


Assim, com a economia e o equilíbrio financeiro como pedra basilar e razão primeira de toda a argumentação, a Europa açoitou os filhos rebeldes, como a Grécia, acarinhou os ricos, como a Alemanha, palmatoou os fracos, como Portugal, desculpou e cedeu aos fortes, como a Grã-Bretanha ou a França.
– “La France c’est la France” – dizia há bem pouco tempo o mesmo Juncker que ontem, agastado, invetivava um sorridente e inchado Nigel Farage, que há muito percebeu que a coesão europeia não depende só da “cor do dinheiro” mas depende, fundamentalmente, das PESSOAS!
Sim, até porque, no limite, quem vota são as pessoas, seja para eleger os seus representantes ou para plebiscitar qualquer decisão. Sim, porque quando “pecaminosamente” se dá às pessoas o direito de se pronunciarem, podemos ter surpresas! O resultado pode ser aquele que não desejamos. Populismo, chamam-lhe. Desinformação, dizem outros… Paradoxalmente, pomos agora em causa a validade da decisão de um povo que, bem ou mal, se pronunciou na mais pura das formas de afirmação democrática. As urnas. Desculpem, mas o problema pode estar em todo o lado, menos no povo.
Tudo isto para chegar à triste conclusão de que o projeto europeu, mais do que se ter transformado num amontoado de regras e percentagens, aliadas a um infindável renque de “vomitadores” e “comentadores” de estatísticas financeiras, se esqueceu das … pessoas!
Aquilo que desde o Renascimento sempre diferenciou a Europa face ao pragmatismo oriental, ao caos africano ou ao mercantilismo exacerbado do Novo Mundo, o seu humanismo, foi esquecido por esta Europa do virar do século. Esqueceu-se de “sentir” os europeus. Deixou-se levar pelos meandros de uma governança burocrática, baseada em números e que trata as suas gentes como números.
E, com isso, deu azo a que essas mesmas pessoas sejam campo fértil para a sementeira do discurso populista daqueles que fazem da manipulação a “sua luta”. Um “Mein Kampf” moderno, protagonizado pelos Le Pen ou Farage deste mundo. Mas não só. No outro extremo, também as Catarinas, os Iglesias e os Tsipras aproveitam para obter vantagem face ao imobilismo, mesmo rigidez, deste projeto europeu.
Urge repensá-lo. Está nas mãos das … pessoas!

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