Não é suicídio político porque Passos há muito que não existe

Pedro Passos Coelho resolveu dizer, depois de uma visita a Pedrógão, ladeado por deputados do PSD (Maurício Marques, deputado por Coimbra e Teresa Morais, deputada por Leiria), que tinha “… conhecimento de que há vítimas indiretas, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram, que não receberam apoio em tempo devido“. É uma afirmação de uma enorme gravidade. Na verdade, depois de 64 mortes num incêndio que coloca em causa o Estado e os serviços do Estado, só se compreende uma afirmação destas se a informação fosse verdadeira, confirmada e se se verificasse total inoperância por parte dos serviços do Estado. Em qualquer outro caso, um político minimamente responsável, sério e com sentido de Estado, nunca transmitiria uma informação deste tipo aos microfones de uma televisão.

 

 

Pois, mas o pior veio a seguir. Para espanto e choque do país, os serviços do Ministério da Saúde e da ARS do Centro vieram desmentir essa informação. E um “politiqueiro” de Pedrógão, aparentemente sedento de ataque fácil ao Governo, veio dizer que passou esse boato a Passos Coelho sem confirmar. Inacreditável.

 

Portanto, Pedro Passos Coelho, um homem que deveria ser um político experiente, que já foi PM, numa época muito difícil, recebe uma informação gravíssima sobre pessoas que, em sofrimento, se estariam a suicidar, não contando com o necessário e urgente apoio psicológico do Estado, e resolve dizer isso na TV sem confirmar? Acredita em tudo o que lhe dizem? Não percebe a gravidade do que disse? Não tem o menor sentido de Estado, nem de humanidade, para perceber que este tipo de coisas se transmite ao Governo e às autoridades porque não são, nem podem ser, matéria de nenhum tipo de luta político-partidária?

Não tinham os deputados do PSD que acompanhavam PPC, como por exemplo Maurício Marques (deputado por Coimbra) e Teresa Morais (deputada por Leiria), a obrigação de confirmar as informações que são passadas ao líder do seu partido? Que andam a fazer? Nenhum tem a menor dimensão e sentido de Estado para perceber que há assuntos que não podem cair na esfera da luta político-partidária?

Este não é o fim político de Pedro Passos Coelho porque este homem já não existe como protagonista político. É um simples intervalo de muito mau gosto.

 

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