Porque não pensar na saída da União Europeia?

Imperios

Equacionar seriamente a saída de Portugal da União Europeia não é hoje apanágio exclusivo de qualquer extremista de direita ou de esquerda, mas pode ser uma meditação daqueles que consideram que esta dita “União” é um projecto esgotado e que neste momento apenas está submetida aos interesses económicos e financeiros dos Estados membros mais poderosos.

Se há facto que caracteriza e distingue a Europa dos demais continentes – sendo o mesmo a matriz essencial da sua identidade – é o de ser o Continente das Nações e dos Estados-Nação. Nações e Estados-nação, que embora partilhando a mesma herança clássica e judaico-cristã, possuem diferenças culturais e étnicas suficientes que suportaram e justificaram ao longo dos milénios essa mesma separação de povos, enquadrados nesses mesmas Nações e Estados-nação.

Já por várias vezes, ao longo da História Universal, se formaram várias uniões europeias, que costumamos chamar impérios. O Império Romano, o Império Napoleónico e o III Reich, são exemplos disso. Impérios formados pela força, que duraram até á erosão dos respectivos poderes imperiais e à revolta desses povos, que integram as Nações e os Estados-Nação da Europa.

Neste momento a União Europeia está transformada num Império, em que o poder de subjugação já não assenta directamente na força das armas mas na força do dinheiro, que se transformou na forma mais consolidada de Poder da sociedade contemporânea.

O que poderia fazer durar esta União e fazê-la diversa de um Império já desapareceu. A solidariedade, o respeito pelos países mais débeis, a subsidiariedade, já não constam das reuniões dos órgãos formais e informais da União e muito menos do seu gigantesco corpo de funcionários.

Hoje assistimos ao domínio dos mais fortes pelos mais fracos, no favorecimento constante dos interesses desses mais fortes em desfavor dos mais fracos. As diferenças entre os fortes e os fracos tendem, aliás, a aumentar.

Portugal beneficiou da adesão às Comunidades Económicas Europeias, muito pouco á União e rigorosamente nada à Moeda Única.

Entre outras tragédias transformamo-nos num país do terciário e pouco mais. Há anos que não abre uma fábrica em Portugal e as que abrem só o fazem á custa de benefícios e incentivos para o capital estrangeiro.

Claro que uma saída da União Europeia teria custos. Custos no imediato e no médio-prazo, mas estou convencido que, a longo-prazo, só lucraríamos com isso a começar na recuperação da nossa moeda o que ajudaria muito às exportações – dizem os gurus que Portugal tem que exportar muito.

Por outro lado esta Europa está moralmente doente. Submetida, tempo a mais, ao neoliberalismo e às “terceiras-vias”, perdeu as suas matrizes humanistas e socialistas-democráticas, sendo paste fértil para os extremos.

Portugal tem uma ligação histórica indestrutível a povos-irmãos de outras geografias, em que o Atlântico foi, é e será ponte. Um Atlântico que pouco diz – a não ser para o saque de recursos – a esta Europa crescentemente “continentalizada”. A nossa permanência nesta União Imperial apenas enfraquece as nossas possibilidades além-mar, mesmo perante países que são fruto do nosso antigo Império Colonial.

Portugal, nascido em 1143, com certidão de baptismo passada em 1179, tem todo o direito – diria o dever – de equacionar todas as possibilidades.

A solidariedade que recebemos dessa União é uma balela, os “diktat” são constantes, as humilhações são uma permanência, e o País é exaurido em impostos que apenas sustentam uma banca nacional falida e os cofres públicos alemães.

Do ponto de vista da Democracia, a mesma está arredada dos verdadeiros centros de poder da União, e quem não “concorda” é cilindrado.

Do ponto de vista da ligação dos cidadãos aos órgãos e organismos da União, a mesma é praticamente inexistente e isso não se reflecte apenas nos actos eleitorais europeus.

Pensar na possibilidade de saída da União – desta União Imperial e hipócrita – não é um direito que nos assiste mas sim dever cívico de qualquer democrata. Uma saída (ao contrario da entrada e das demais decisões) sufragada pelo Povo em interpelação directa e depois de muito discutida.

 

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