Metro Mondego: o espelho da qualidade das nossas lideranças nacionais e regionais

A sociedade Metro Mondego anda há mais de 20 anos a tentar montar um metro ligeiro de superfície em Coimbra. Gastou mais de 150 milhões de euros de forma irresponsável, fez obras que estão abandonadas, destruiu o serviço de transporte que existia, os sucessivos governos do PS, PSD e CDS fizeram promessas que nunca foram cumpridas, as populações foram defraudadas, etc., e hoje não há metro. O que vemos é políticos regionais e nacionais a atirar culpas uns para os outros, com total despudor.

 
O Governo de José Sócrates começou as obras em 2009, destruindo o que existia, para logo a seguir as mandar suspender, defraudando assim as populações e os interesses da região centro. Nos anos seguintes, incluindo em Governos do PSD e do CDS, milhares de promessas foram feitas acenando com soluções em poucos meses (dois meses, diziam a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, e o então PM Pedro Passos Coelho… em 2014):
 
 
 
Dois anos depois, a solução que ia demorar 2 meses ainda não existe.
 
Ainda foi possível assistir, em 2015, ao inacreditável anúncio feito pelo então Ministro do Desenvolvimento Regional do Governo PSD/CDS, Miguel Poiares Maduro, de que tinha sido encontrada uma solução. A fantástica descoberta deste ministro era descrita assim:
 
“Sem querer entrar em detalhes sobre a solução, Poiares Maduro apelidou-a de “metropolitana rodoviária”, garantindo que não se trata de um normal autocarro elétrico: “É uma coisa diferente, as pessoas julgam que é um autocarro normal e não é. Do ponto de vista de funcionamento e de acessibilidade para as pessoas não é diferente do metro””. Adiantava ainda que a sua fantástica solução aproveitava o investimento já feito.
 
Enfim, foi em 2015 e, como tudo o que Poiares Maduro fez no Governo, foi mais um inconseguimento.
 
 
Se isto não mostra bem a qualidade das lideranças locais e regionais, bem como a sua incapacidade de fazer valer junto do poder central os seus pontos de vista, defendendo as populações, não sei o que mostrará.
 
Por incrível que possa parecer, em Birmingham – que não fica num planeta distante, mas aqui ao lado no Reino Unido -, foram instalados metros ligeiros de superfície em 2013. O fabricante é a CAF de Saragoça, Espanha.
 
 
Quatro anos depois, em 2017, o serviço de metro encomendou à CAF que instalasse baterias elétricas para permitir que o metro pudesse operar sem as catenárias de alimentação, permitindo assim a adaptação a locais mais exigentes em termos arquitetónicos, etc. A inovação tecnológica vai permitindo que soluções entretanto realizadas sejam atualizadas e melhoradas.
 
 
Por cá, na cidade do conhecimento, com a crónica incapacidade de construir algo que sirva as populações, incapacidade de decidir e influenciar o poder central, esperamos que algo com mais de 20 anos, que começou a ser construído há 8 anos e foi alvo de vários estudos de todo o tipo, ainda seja construído.
 
Com tudo isto gastam-se centenas de milhões de euros, as populações são defraudadas e uma região permanece adiada.
É a qualidade das lideranças que está em causa. De todas as lideranças. Dos que destruiram o que existia. Dos que prometeram e nada fizeram. Dos que foram incapazes de realizar. E dos que prometem aquilo que sabem que não podem fazer… todos vendem enganos e ilusões. Sem nenhum pudor.
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3 Comments

  1. Caro Prof. Norberto Pires:
    É por posts como este que visito diariamente o seu blogue.
    Só é pena que a esmagadora maioria das pessoas (e das elites intelectuais, económicas e culturais do país) esteja no torpor que conhecemos.
    As pouquíssimas excepções só confirmam a regra, como se diz.
    Logo, as elites que nos têm (des)governado estão muito bem para a esmagadora maioria das pessoas, são fruto da nossa passividade como comunidade.
    Que nunca desista desta sua atitude cívica de inconformismo que aqui nos vai dando testemunho.
    Eu, à minha modesta escala e competência, comparando-me consigo, nunca desisti de intervir no meu município e região.
    Há 4 anos meti-me numa luta contra o IMI de esbulho no meu município e nas restantes câmaras do distrito, e os resultados benéficos começam a aparecer.
    Passeie a escrever mensalmente num jornal do distrito, a denunciar o escândalo nas assembleias municipais do meu município, a falar com deputados e com dirigentes locais e regionais dos partidos.
    O tema já está inscrito na agenda mediática local e distrital: meio caminho andado para entrar na campanha eleitoral autárquica (onde já acabou por entrar, aliás).
    A maioria das câmaras do distrito vem baixando (embora irrisoriamente ainda) as taxas desde há 2 ou 3 anos.
    Lutar é (pode ser) vencer.
    Desistir é sempre perder.

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