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Marcelo e a PNS…

Mito-de-Sísifo-e-o-Despertar-da-Consciência

Segundo o Mito de Sísifo, imortalizado por Albert Camus no livro com o mesmo título, Sísifo, Rei de Corinto, conhecido como o mestre da malícia, foi castigado por ter irritado Zeus, sendo condenado a, por toda a Eternidade, empurrar com as mãos uma grande pedra de mármore montanha acima, a qual, sempre que alcançasse o cume, rolaria novamente até ao ponto de partida e assim sucessivamente.

E este pode vir a ser o anátema de Marcelo Rebelo de Sousa…ter que, qual Penélope à espera do regresso de Ulisses da Guerra de Troia, cantado por Homero na Odisseia, desfazer de noite o Sudário de Laerte, para o refazer de dia e assim continuadamente.

Mas qual a relação entre Sísifo e Penélope e Marcelo Rebelo de Sousa, poderá legitimamente perguntar?

Tenho para mim que esta poderá vir a ser a maldição de Marcelo se ele insistir na sua PNS. Leia-se, Presidência Non Stop…

E tudo indica que assim continuará, se não se agravar.

Senão vejamos…

Depois de uma campanha histriónica e ziguezagueante e de um conjunto de debates que não correram como seria expectável, Marcelo conseguiu, mesmo assim, surpreender com a vitória eleitoral, à primeira volta, que a Imprensa, cúmplice, noticiou e concelebrou… como se não tivesse sido, também ela, responsável em grande parte por essa vitória, a confirmar o oráculo proferido por Pinto Balsemão… “Com uma televisão elejo um Presidente da República”. Se bem o avisou, anos depois o concretizou, com os restantes media a reboque, por vezes de forma despudorada.

Mas, após a vitória e sendo sabido que um mandato se conquista no primeiro ano, Portugal tem vindo a ser surpreendido pela Presidência Non Stop então encetada, a decorrer a um ritmo alucinante.

É Marcelo no Porto. É Marcelo a abrir as portas de Belém. É Marcelo a estacionar o automóvel em local para deficientes. É Marcelo a trautear “rap”. É Marcelo a ser “quase feminista”. É Marcelo a beijar a mão ao Papa, da mesma forma que, horas depois, beijará a mão à Rainha Letizia. É Marcelo, Marcelo, Marcelo…numa que se prevê infindável lista de fazeres e afazeres, a um ritmo alucinante.

Marcelo viaja para o Vaticano?… Compreende-se.

Mas uma semana após a tomada de posse?!

Marcelo vai jantar com o Rei de Espanha?… Entende-se.

Mas no mesmo dia da viagem de regresso do Vaticano?!

Marcelo pretende realizar diversas viagens em 2016?… Aceita-se.

Mas tantas?!

E há para todos os gostos… Vaticano, Espanha, França, Brasil, Colômbia, Bulgária… já me doem os dedos, de digitar e a mente, dos países a citar. E é provável que a lista não esteja fechada…até porque ainda faltam muitos dias para o fim do ano… cada um com imensos minutos! E na PNS cada minuto tem tantos segundos para preencher…

Marcelo é hiperativo ?!… Provavelmente.

Marcelo está num frenesim ?!… Percetivelmente.

E quando irá Marcelo parar?!

Quando for derrotado por si próprio e pelo seu turbilhão de afazeres. E tarefas. E atitudes. E iniciativas. E intenções. E declarações. E pensamentos. E ideias…

Acima de tudo, quando Marcelo esgotar… Marcelo.

Um outro qualquer tomaria uma iniciativa e esperaria, de modo refletido, qual período de latência, para saborear o efeito e para colher os resultados. Depois, num tempo estrategicamente pensado e arquitetado, agiria de novo. E sempre assim…

Mas Marcelo não!

Marcelo diz. Marcelo faz. Marcelo vai. Marcelo age. Marcelo, Marcelo, Marcelo…

Ufa!

Pare, Homem!

Faz lembrar o Coelho Branco, imortalizado por Lewis Carroll em “Alice no País das Maravilhas”…

”Vou chegar atrasado demais! É tarde! É Tarde!”…

É que, com todo este rodopio, Marcelo corre o risco de ter que correr contra um único concorrente… ele próprio, refém da sua Presidência Non Stop… e de ter que desfazer de noite o “sudário” que teceu de dia.

É Marcelo e a sua PNS…

 

Manuel Damas

 

 

 

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