A influência da televisão na política (II)

televisao

A influência que a televisão tem sobre o domínio da política, segundo Karl Popper, pode significar mesmo uma ameaça para a democracia e para a cidadania. Na verdade, a televisão, tal como afirma Bourdieu acaba por ter um “(…) monopólio (…) sobre a formação dos cérebros” de grande número de indivíduos, sobretudo no caso daqueles que não têm acesso à internet, não lêem jornais, e que, por isso, dependem da televisão para saber o que se passa em seu redor. Em consequência deste monopólio, desenha-se uma divisão da população em matéria informativa entre os que têm acesso à web, a jornais sérios, a informação de carácter internacional e os que apenas têm acesso à informação fornecida pela televisão.

Uma outra questão menos visível é a da selecção da informação que passam nas televisões. Nesta situação os jornalistas são influenciados por categorias de percepção ou por estruturas invisíveis (produto da sua educação, da sua história) que, organizando a sua percepção, definem o que eles vêem e o que não vêem. Nas palavras de Bourdieu, «Os jornalistas têm os seus “óculos” particulares através dos quais vêem certas coisas e não outras; e vêem de uma certa maneira as coisas que vêem.» . Isto significa que os jornalistas realizam, não só uma selecção, mas também uma construção do que é seleccionado.

Este cenário remete-nos para o que José Rodrigues dos Santos, no seu livro “O que é Comunicação”, chama de gatekeepers, ou “guardiões do portão”. Esta imagem traduz, no fundo, o processo de selecção da informação operado pelos jornalistas, tendo subjacente vários critérios, como o momento do acontecimento, a intensidade, a clareza, a surpresa, entre outros. Porém neste processo devemos ter também presente a existência das censuras políticas e económicas.

No entanto, para Bourdieu “O princípio de selecção é a procura do sensacional, do espectacular.”  Em geral, no campo jornalístico procura-se o extraordinário, o que foge ao habitual e ao quotidiano. Procura-se aquilo “(…) que é diferente do habitual e o que é diferente daquilo que os outros jornais dizem do habitual” (Bourdieu, 1997). No entanto, esta busca do extraordinário pode ter efeitos políticos, nomeadamente se atendermos ao poder da imagem. Isto está bem patente quando no livro ” Sobre a Televisão ” Bourdieu afirma a importância “(…) de poder fazer ver e fazer crer no que faz ver”. Na perspectiva deste autor francês, a imagem tem um poder de evocação que, por sua vez, tem efeitos de mobilização, na medida em que contribui para a existência de ideias, de representações, de sentimentos fortes e de grupos.

Aliás, isto é salientado pelo sociólogo António Teixeira Fernandes, quando nos fala que o debate público excede, cada vez mais, os parlamentos, tendo cada vez mais lugar nos meios de comunicação social, o que exige aos políticos novas competências, como capacidades oratórias e a posse de informação complementar actualizada, para vencerem no campo político.

Por exemplo, nos debates que têm lugar na televisão, Bourdieu fala-nos de um problema do ponto de vista da democracia, atendendo ao facto que num debate televisivo nem todos os participantes estão em pé de igualdade. Assim, podemos ter de um lado “profissionais da palavra e do estúdio” e do outro “amadores” que, muitas vezes, não têm conhecimento do estúdio, nem do funcionamento da televisão, nem o dom da palavra. Numa linguagem bourdiana, estes últimos não têm os capitais suficientes para ocuparem uma posição favorável dentro do campo televisivo. ( cont.)

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