Ideologia e Realidade

marcelo-e-o-tuk-tuk

Tenho esperado com alguma expectativa o desenrolar da situação político-económica portuguesa.

Quando se deu o golpe de Estado em Outubro de 2015, vaticinei que esta Geringonça não duraria um ano. Não contei foi com o apoio do PR “de Direita” e da própria UE. Também não contei que o dinheiro durasse tanto tempo. A tal “almofada” que Maria Luís Albuquerque guardava religiosamente não para levar para casa mas para poder pagar os juros.

Esses pagamentos foram agora adiados sine die. O “virar da página da austeridade” e o “acabar com a precariedade”, chavões de que a Esquerda tanto gosta e que tantas vezes repetiu, afinal passou a ser um aumento de impostos directos e indirectos e uma legislação sobre os recibos verdes. Mas então a ideia não era acabar com eles?

Houve neste ano, reversão de todas as medidas e reformas que tanto custaram ao anterior Executivo levar à prática e aos contribuintes acomodar e pagar. Estes perdem as eleições, fazem uma manobra circense e apoderam-se do Poder, revertem tudo, gastam o que há e o que não há e ainda assumem como suas conquistas do anterior Governo.

Senão vejamos, o déficit, por exemplo, sem o BANIF ficaria dentro dos valores exigidos mas o senhor 2º ministro, que lá chegou com as contas em dia e a Economia em crescimento, assume que esta vitória é sua e das políticas do seu desgoverno. Já é mau que ele o afirme mas pior é haver quem ainda acredite.

Na saúde as coisas estão pior. Na Justiça, na Segurança, nos Transportes, nas Exportações. A Economia não cresce, a dívida dispara e o déficit cresce. Só não cresce mais devido ao “fat taxes” e “sugar taxes” sem esquecer o “imposto Mortágua”. Não fosse isso e já cá tínhamos a Troika outra vez.

Os senhores funcionários públicos acham muito bem que os seus rendimentos “os que lhes foram roubados”, sejam repostos. Eu também acharia se eles produzissem riqueza, tivessem progressões por mérito e essas reposições e salários não fossem pagos por todos nós. Mas as pessoas acham que temos árvores das Patacas em Belém ou em Monsanto?

Alguém me consegue explicar este raciocínio? Então se em 2011 o pais estava falido e tivemos cá a Troika com um empréstimo de 78 mil milhões de euros com obrigatoriedade de reformas estruturais, como é que em Outubro de 2015 já há milhões para tudo? Como é que se asfixia uma Economia que estava em crescimento?

Esta conversa da Esquerda só consegue mesmo agradar a quem não percebe nem quer perceber nada disto e não sabe fazer contas. De que vale a reposição de €1 de subsidio de alimentação ou de mais €5 se isso nos vai custar milhões a todos? Se isso significa tirar o país da rota de desenvolvimento? Se para que essa reposição tenha lugar, todos nós tenhamos que ser castigados com um “brutal aumento de impostos”? Sim porque a questão é simples: se estávamos a sair do Programa de Ajustamento e se podia já ter liberdade para escolher as políticas a seguir, se já começava a haver dinheiro e a Economia já estava a crescer, porque é que é necessário subir e criar novos impostos?

Para onde vai o dinheiro? A ultima vez que fiz esta pergunta, reinava D. Pinócrates cá no burgo e apesar de não me terem dado uma resposta clara, em 2011 chegou a Troika e eu fiquei a saber para onde tinha ido o dinheiro. Muito me custa repetir a pergunta pois se tenho que a repetir é porque o cenário é idêntico e não podemos esperar resultados diferentes quando repetimos comportamentos.

Eu gostava que finalmente os portugueses tivessem aprendido a lição. Não é difícil. É tão simples quanto, tudo o que vem da Esquerda não funciona, as ditas “preocupações sociais” são chavões eleitoralistas e os sindicatos andam à mercê das vontades do PCP que agora anda calminho. Até parece que toma chá de tília todos os dias…

O Bloco que era tão inflamado agora parece que anda a Xanax, excepto quando Maria Luís Albuquerque lhes dá umas lições de Economia e Finanças. Aí as meninas ficam chateadas por afinal, pelo menos uma delas – a que já conseguiu ficar na História ainda mais depressa que a Líder – é mestranda em Economia…vá-se lá saber como.

O PS assumiu a sua vertente marxista, o tal socialismo que Mário Soares” meteu na gaveta” nos anos 80 e o mesmo que nos levou ao cenário que agora repetimos – o de 1979/83. Não foi assim há tanto tempo mas parece que não aprendemos nada.

Os aumentos de pensões são cirúrgicos para os grupos de eleitores do grupo que constitui este desgoverno. Os impostos atingem mais uma vez as classes média e média alta excluindo os ricos que até aqui pagavam em justa medida.

Os impostos indirectos levam a que iniciativas empresariais sejam canceladas como é exemplo a Coca-Cola.

O aumento de rendimentos dos funcionários públicos é ilusório pois vão devolvê-lo todo em impostos mas ficam com a ilusão de que ganham mais. Os mais pobres dos mais pobres não vêm as suas pensões aumentadas porque “já tinham sido aumentadas com o anterior Governo”. Mas onde está afinal a Justiça Fiscal?

No caso dos perdões fiscais, a lei foi “feita à medida” e o PS pode ser perdoado das suas dívidas ao Estado à conta dela. A lei da CGD também foi “feita à medida”. Foi feita por Costa mas quem paga a factura é o Centeno.

Os debates na AR são a vergonha das vergonhas tirando uma ou outra intervenção de alguém que efectivamente sabe o que diz. A algazarra e a falta de respeito são mais que muitas.

O PR lá anda, cantando e rindo ora de Falcon ora de tuk-tuk e nós que aturemos os desvarios. No início não se calava porque tudo estava fresco e parecia aos mais sonhadores que ia resultar. Agora deve ter feito voto de silêncio e diz que não se pronuncia. A táctica era simples: se a Geringonça corresse bem, ele era um porreiro e um tipo de consensos que tinha ajudado a que funcionasse. Não funcionando, ele “põe o corpo fora” e diz nada ter a ver com isso.

A Europa lá vai dizendo que não à renegociação da divida. Valha-nos ao menos isso. A política monetária do BCE está com taxas muito baixas precisamente para que as economias recuperem e o que os países têm que fazer é implementar o seu crescimento. Se as economias crescerem, geram dividendos e é possível pagar as dívidas. Por isso não há necessidade nenhuma de renegociar seja o que for. É preciso é criar condições para pagar e rápido de preferência.

Há licenciaturas falsas, não uma mas duas, da mesma pessoa, mas não se passa nada. “ Quem saiu, saiu. Quem não saiu, vai sair”. Esta foi, acredite-se ou não, a posição do BE sobre a matéria. Não foi do PSD, do CDS ou do PS. Como teriam reagido estas virgens se isto se tivesse passado com a Coligação? Como reagiram no “caso Relvas”? Realmente é muito bom estar no Poder.

Do PS poderíamos esperar tudo. Quem habita no Largo do Rato poderá eventualmente não ter espinha-dorsal mas eu considero que os militantes e/ou simpatizantes do PCP e do BE devem exigir mais. O PCP, por mais que muitos teimem em esquecer, já lá esteve e contribuiu bastante para esta calamidade mas o BE não. O BE tinha obrigação de pelo menos ser fiel ao que vem dizendo há 15 anos e isso não deveria passar só pelo boicote à Religião e às forças de segurança. Acho que nem a Sra. Martins se reconhece se ouvir um discurso de campanha seu de 2015…Mudam-se os tempos…

Os transportes em Lisboa estão caóticos. Culpa do PC, sem duvida mas onde andam os sindicatos? O PCP decretou silêncio absoluto a tudo o que não venha expressamente da Direita?

A colocação de professores foi uma desgraça este ano. E os sindicatos? E o Sr. Nogueira terá ido trabalhar? É isto que não se compreende. Sustentamos esta corja que não serve para nada com o Orçamento de todos nós. Temos uma CRP que não só os legaliza como legitima as suas acções, eu e a maioria das pessoas sabemos que eles são o “braço armado do PCP” mas precisam de ser tão escandalosos? Podiam dar um pouco menos nas vistas.

O país está caótico. A comunicação social e a maioria negativa passam incessantemente a ideia de que Passos está acabado. Somos o único país da Europa onde o PS faz sistematicamente o que lhe apetece e continua vivo. O que é que se passa na cabeça dos portugueses? Eu sei que não ligam muito à política na grande generalidade mas é de estranhar tanta subserviência.

Passos não está morto mas o PSD está com problemas que urge resolver e convinha – que idealista sou – que fosse antes das Autárquicas mas estou a ver que há nomes que se vão repetir – e por consequência as derrotas ou pelo menos assim espero – e há nomes que nunca deveriam surgir mas que me parece cada vez mais óbvio que vão ser os escolhidos.

Depois não se queixem quando associarem os resultados eleitorais ao panorama interno do Partido e as pressões começarem a ser demasiadas para que Passos saia. Se sair, ao menos que seja substituído pela Maria Luís Albuquerque que é a única capaz de nos guiar nos tempos futuros. Há quem diga que se anuncia “ a chegada do Diabo”, frase atribuída a Passos mas ele sabe o que diz, ele tem consciência de que este não é o caminho, de que isto só nos trará a 4ª bancarrota mais cedo ou mais tarde. Ele não quer isso, como eu não quero, como nenhum português de bom senso quer mas a única maneira de isso não acontecer é a Esquerda não governar porque está mais do que provado que ela só quer chegar ao Poder para se governar, a si e aos seus.

Torna-se difícil ver este país a agonizar. As mentes a definhar. A Economia a atrofiar mais uma vez.

Só posso pedir e esperar que esta agonia não dure muito mais tempo e que os 2 milhões de portugueses que votaram na Coligação vencedora se unam para fazer alguma coisa…Isso e que a outra fatia da população que dispersou o voto pela Esquerda tenha finalmente percebido que o discurso é eleitoralista. A pequenez permite-lhes falar de temas fracturantes, isso não significa que saibam o que dizem ou que o que dizem possa de facto ser levado à prática. São coisas bem distintas Ideologia e Realidade.

 

Luisa Vaz

(A autora não usa o Acordo Ortográfico)

 

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3 Comments

  1. Luísa:
    Eu ia ler o seu texto e deparei-me logo com este mimo: «Quando se deu o golpe de Estado em Outubro de 2015».
    Parei logo de o ler e ganhei com isso alguns minutos para ir fazer algo mais útil.
    Muito obrigado pelo tempo que me evitou perder.

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    • Meu caro Manuel,

      Muito obrigada pelo seu elaborado comentário. Compreenderá se não perder mais tempo a explorar tão erudita narrativa. Sinta-se à vontade para comentar sempre que considerar pertinente e passível de contribuir para a qualidade do diálogo que mantemos com os nossos leitores.

      Melhores cumprimentos,
      Luisa Vaz

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