Geringonça Portuense pode juntar PS, CDS e até o PSD

geringonça_portuense

Ontem confesso que fiquei aterrado quando li a notícia que a concelhia do PSD pondera apoiar a candidatura, cada vez menos independente, de Rui Moreira à Câmara do Porto.

Pelos visto Rui Moreira recebeu, a pedido da concelhia do PSD, uma comitiva que integrava os apoiantes de primeira linha da candidatura de Luís Filipe Menezes ao Porto nas últimas autárquicas, com a excepção de António Tavares, o actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

Há muito que venho a avisar que a Distrital do PSD do Porto não tem liderança, não tem qualquer estratégia. Navega à vista, sem rumo, ao sabor do vento. Infelizmente está aqui mais uma prova disso mesmo.

Nas últimas autárquicas a Distrital do PSD do Porto teve a pior derrota dos últimos 20 anos. Perdeu as eleições no municípios como são exemplo o Porto, Gaia, Gondomar, Valongo e Paços de Ferreira com resultados sofríveis. E a estas derrotas não se juntou Paredes por apenas 73 votos. A que acresceram ainda resultados vergonhosos como em Matosinhos e Baião. O PSD ficou reduzido no Distrito à liderança da Câmara Municipal da Maia e mais cinco autarquias rurais. Confesso que não tinha memória de tamanho desastre eleitoral.

Perante esta hecatombe esperava-se que o presidente da Distrital do PSD do Porto, Virgílio Macedo, tirasse as óbvias ilações politicas demitindo-se das suas funções. E demitiu-se, mas apenas um ano depois, recandidatando-se novamente a novo mandato ” fintando ” assim os seus adversários políticos.

Mas mais lamentável ainda é que os protagonistas deste triste filme são os “ menezistas “ que em 2013, sim em 2013, compunham o núcleo duro da candidatura de Menezes que se bateu contra um Rui Moreira “ apoiado “ por Rui Rio e pelos seus homens mais próximos.

Agora falta-nos apenas saber se foram fazer o mea-culpa e reconhecer que afinal Menezes tinha sido um erro de casting político porque descobriram que Rui Moreira é mesmo o líder do norte que a região estava órfã há muitos anos. Um dia certamente saberemos!

É caso para dizer “ as voltas que a vida dá na política “. Nada que não estejamos habituados mas que afasta cada vez mais os cidadãos da política.

O PSD está em cacos no distrito do Porto. As últimas lideranças distritais não passaram de meros “ eucaliptos “ que secaram tudo à sua volta. Os militantes que eram uma referência foram-se afastando. Hoje o partido não tem um projecto político, nem protagonistas para apresentar aos eleitores. E infelizmente as próximas autárquicas provarão isso mesmo.

Este beija-mão a Rui Moreira é a prova que o PSD não tem candidato, nem uma estratégia para a segunda maior cidade do País. O que é muito grave porque o meu Partido sempre teve na sua base uma fortíssima implantação autárquica.

Talvez também não tenha sido, por mero acaso, que esta audiência ocorreu dois dias após Rui Moreira ter escrito no Correio da Manhã um texto onde relembrou o apoio que o CDS lhe deu na sua primeira candidatura sublinhando que “ se for esse o caso, agradecerei, de novo, o apoio do CDS, do PS ou de qualquer outro partido democrático que nos queira apoiar ”.

E o presidente da concelhia do Porto, Miguel Seabra, não perdeu tempo. Aproveitou a audiência para “ piscar o olho “ a Rui Moreira lembrando com uma indecorosa subserviência  que o PSD tem “ feito política de uma forma séria, de forma construtiva, nunca fomos obstáculos à aprovação dos documentos estruturais da Câmara do Porto, sempre viabilizámos os orçamentos, os documentos estruturais”, alertando os portuenses para a eventualidade de um grave fenómeno da natureza poder vir atingir o Porto “ se amanhã há um tsunami e que as coisas mudam completamente? Suponha que deixa de haver divergências e que nós nos revemos em tudo? ”.

Mas será que Miguel Seabra pensa que está a contar uma história para entreter crianças do 4º ano na festa do final do ano escolar?

E será que Miguel Seabra também se esqueceu que o seu núcleo – Paranhos – apoiou de forma quase unânime a candidatura de Menezes através de uma moção que sublinhava que este era um candidato ” com notoriedade, reconhecido por todos, com obra feita e capaz “?

menezes_apoio_paranhos

E o que dirá Virgilio Macedo desta audiência? Provavelmente nada. Não será até o produtor desta trágico-comédia? É que de Virgílio podemos esperar tudo!

O Partido Social Democrata apoiando Rui Moreira está a apoiar implicitamente o principal parceiro de Rui Moreira na geringonça portuense que é o Partido Socialista. Ou será que se esqueceram disso? Há apenas uma gestão autárquica liderada por Rui Moreira com o apoio do PS e do CDS. Aqui não existe Banco Bom e Banco Mau!

Este passo que o PSD / Porto deu pode ser um passo em que o retorno pode ter elevados custos políticos para o Partido Social Democrata na cidade do Porto nos próximos anos.

Esta postura equivaleria a que Passos Coelho, uns meses antes das próximas eleições legislativas, tornasse público um apoio à governação de António Costa.

Era triste não era? Acho que vale a pena pensar nisto!

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7 Comments

  1. Foi através dos seus post's patrocinados no Facebook que cheguei a esta página...e pelo que vou lendo chego à conclusão que o Paulo Vieira da Silva se parece cada vez mais com o seu camarada de partido Pacheco Pereira...

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  2. Os meus textos são tão relevantes que até têm o apoio do Facebook. Tenho que estar grato ao meu amigo Marck Zuckerberg por ter conquistado mais um leitor atento. Boas leituras. Apareça sempre. Cumprimentos.

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  3. Caro Paulo Vieira da Silva,
    Embora estando de acordo com a maioria das suas afirmações, partilho o seu "amor" por filipe meneses e sua corja, quero discordar da sua classificação do município da Trofa e até me atrevo a solicitar-lhe que fundamente a sua classificação de RURAL para esse município!!!
    Explique-me, por favor, em que é que Valongo, Gondomar e Passos Ferreira são mais urbanos que a Trofa.

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  4. Boa noite.
    Espero não levar uma resposta idêntica à dada ao Jorge Picos, mas também eu vim cá parar através da sua legítima publicação patrocinada no facebook. Já não é a primeira vez e venho com gosto. Por razões profissionais e por ser militante do PSD é com prazer que leio todas as opiniões.
    Cada um usa os meios que tem à sua disposição. Há quem use publicações patrocinadas, há quem use bases de dados de partidos e até há quem use o dinheiro dos partidos para patrocinar as suas publicações. Parece-me é que não havia necessidade daquela resposta.
    Sobre o seu texto e opinião, aceite um reparo, um desagrado, deste cidadão rural. Poderia ter-se referido aos municípios a que não atribui valor como sendo municípios do interior do distrito ou municípios menos populosos. Depreciar o valor eleitoral desses municípios e ainda por cima apelidá-los de rurais parece-me bastante desagradável. Para mim, pelo menos, é.
    Um último reparo. Se as vitórias nesses municípios, os tais que apelida de rurais, não são importantes, então não se entende o destaque que dá ao resultado negativo em Baião. Não o deveria valorizar, afinal, nenhum outro município do distrito é mais rural ou interior.
    À conta destes aparentes pormenores, lá se foi o sumo do seu texto. Permita-me recordá-lo que os militantes rurais também votam para a distrital. Aceite os meus cumprimentos e votos de bons textos.

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  5. Meus caros não entendo o termo rural como pejorativo, muito antes pelo contrário. Muito gostava eu de poder viver num meio rural fora da poluição e da confusão urbana e citadina. Mas aqui fica o meu esclarecimento sobre o que é o meu entendimento sobre o conceito de concelhos rurais. Hoje as áreas rurais e urbanas não são facilmente identificáveis, em razão da integração que tem ocorrido entre elas, ao longo dos últimos 20 anos, porém algumas características mantêm-se genericamente na paisagem, bem como os usos e costumes. Nos concelhos a que me refiro, tirando o perímetro dos centros das cidades ou vilas, continuam predominar zonas rurais compostas por grandes áreas verdes que podem ser naturais ou cultivadas. É nessas regiões que são desenvolvidas actividades como a agricultura. Nas zonas rurais, que são a parte territorialmente predominante nos referidos concelhos continua a existir uma concentração diminuta de pessoas e de construções face às que existem nas grandes cidades, sendo ainda muito marcante a presença de elementos naturais como a vegetação. Espero que tenha sido esclarecedor. Cumprimentos.

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