Completa falta de noção

joão soares

  1. A de João Soares no facebook a propósito do artigo escrito hoje no Público por Augusto M.Seabra, oferecendo um “par de bofetadas” aquele que limitou-se a constatar o óbvio com toda a liberdade que os direitos, liberdades e garantias garantidos na Constituição da República de Portuguesa lhe concernem. Inqualificável, grosseiro e nada exemplar. A todos os níveis. Começando pelo fraco uso linguístico da língua cuja defesa, preservação e evolução também é da competência do Ministro da Cultura. Em segundo lugar, porque se trata de um Ministro da República, alguém em quem os cidadãos (que votaram no partido que o fez ministro) se revêem como espelho ao nível de linguagem, comportamentos e forma de estar na vida. Oferecer em público um par de galhetas a um cronista que se limitou a constatar o óbvio a todos os olhos, no caso da substituição de António Lamas por Elísio Summavielle na direcção do CCB, é dar um mau exemplo a todo o povo português. É dar aquele exemplo asqueroso de que um contraditório (leal, franco, sincero) se deve resolver às modas do século XIX com um par de bofetadas, ou como quem diz, recuando à época, com um duelo num descampado em Queluz ou então umas bengaladas à frente da Brasileira. Em terceiro lugar, porque ao vilpendiar daquela maneira a pessoa em causa (chamando-lhe literalmente alcoólico e degenerado cerebral), João Soares abriu uma arca de pandora que jamais poderia ter aberto: o insulto é gravoso, mexe necessariamente com autênticos flagelos de saúde pública e com a estoica luta de todos aqueles que diariamente lutam contra os seus problemas de álcool ou contra as vicissitudes psíquicas às quais estão directa ou indirectamente sujeitos.

Para finalizar, curiosamente, Augusto Seabra conseguiu tocar (qual touché na esgrima) no fundo da questão: no fundo quem é este João Soares? Não será ele próprio João Soares um produto do velho sistema imposto no PS? Arrisco a ir mais longe na minha opinião: a colocação de João Soares no Ministério da Cultura não foi um favor pago por António Costa ao trabalho de sapa feito por Mário Soares nos 4 anos da legislatura do governo PSD\CDS-PP?

A responsabilidade social que os políticos hodiernamente detém obriga-os, acima de tudo a terem uma postura social correcta. Caso não o tenham, tornam completamente legítimas quaisquer acções do mesmo género que sejam praticadas pelo seu eleitorado. Caso não o tenham, não podem estar na política porque não tem ética suficiente para impor o quer que seja aos seus cidadãos.

2. De Joana Vasconcelos. Totalmente consumida. Pela falta de senso. Quando olhamos diariamente para as imagens que as televisões tem revelado sobre a vida nos campos de refugiados criados em toda a europa, vemos milhares de pessoas sem ipads, iphones, lápis para desenhar. Lãs, só as que tem vestidas no corpo, bolorentas do infinito uso na caminhada. Nos campos, falta tudo: faltam voluntários, falta o pão, faltam medicamentos, faltam médicos, falta, em maior parte deles, esperança.

Mas Joana insiste: no mundo de Joana, o que interessam são as fotos, o contacto com o mundo, as lãs, os lápis e os cadernos para desenhar. O vago, o supérfluo, o rosto de uma sociedade que é capaz de mendigar, de trapacear, de andar à bulha nas Black Fridays para ter o último grito da moda de uma tecnologia que suga mais, que impinge mais, que baralha mais, que literalmente suga vidas humanas e torna o tempo tão pequenino, não sendo para já possível vislumbrar o momento em que o actual paradigma possa ser revertido. Eu, jovem de 28 anos que vive sem telemóvel, jovem de 28 anos que nunca tive um kinder, ipad, tablet. Jovem de 28 anos que não passou da Playstation 2, não compreendo uma senhora que me causou vergonha alheia quando constatei testemunhos vindos de jovens dos 5º e 6ºs anos de algumas escolas nacionais, jovens que se demonstraram ávidos em levar maças, kits de primeiro socorro, pão para distribuir por todos os meninos, livros para ler, bolas para praticar futebol… Coisas úteis e coisas básicas que alegram o mundo de qualquer ser humano. O ser humano desaprendeu a viver com pouco. E afinal de contas, no meio de tanta tecnologia, somos poucos os que levam mais desta vida mais do que um sabor a pouco.

3. Os mais recentes comentários de Pedro Arroja, um dos grandes males deste país: a Antena das televisões portuguesas começa a ser livre para todos os tipos que consigam articular mais que 3 frases com uma palavra cara pelo meio. No tempo de antena que lhes é concedido, tipos como Pedro Arroja manipulam por completo a opinião de um povo, analfabrutizando-o, o que o torna extremamente perigoso para a re-educação de uma sociedade com uma tendência estranha para o anacronismo intelectual.

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