Insónias

Ensino e Segurança social

Nas últimas duas décadas, uma das principais preocupações dos sucessivos governos no plano do ensino, tem-se concentrado na redução do abandono escolar. Neste aspecto, foram alcançados enormes êxitos, embora nos encontremos numa posição preocupante, em relação à média europeia. Como grande parte do abandono escolar está associado às camadas mais desfavorecidas da população, Santiago Lay, ministro das Finanças do México entre 1994 e 2004, decidiu criar um programa, que ficou conhecido como PROGRESSA. O referido programa tinha como objectivo reduzir os níveis de abandono escolar, concedendo um subsídio social extra às famílias com filhos a frequentar a escola. O subsídio social atribuído era proporcional ao número de crianças/jovens matriculados e o seu valor aumentada de forma progressiva, em função do patamar escolar, culminando no ensino secundário. Após ser testado em alguma Aldeias piloto, os resultados evidenciaram um aumento do número de alunos acima dos 70%, com especial destaque para o ensino secundário. Estudos semelhantes foram realizados no Malawi e em Marrocos, apresentaram resultados semelhantes. Neste sentido, fica patente que as famílias mais pobres, não abandonam de forma precoce o ensino, por questões de natureza financeira, agravados no caso nacional, pelo elevado nível de endividamento privado. Após anos de Austeridade, um programa desta natureza, apoiando a permanência no ensino, associado à expansão do ensino profissional poderia melhorar Portugal as expectativas das populações mais pobres e a qualidade da educação em Portugal. Relembre-se que em média, por cada ano lectivo extra frequentado pelos jovens, o aumento do rendimento futuro é de 8%, independentemente do patamar de ensino. Mais tarde esses custos seriam absorvidos pelos ganhos resultantes de menos gastos com apoios sociais, menor criminalidade, mais emprego, melhores salários e populações saudáveis. Além disso, os locais que foram alvo do PROGRESSA, no México registaram menores taxas de abstenção nas eleições, a todos os níveis de poder.

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