A encruzilhada política no Porto…

Câmara do Porto

 

O Porto Político encontra-se numa profunda encruzilhada da qual não será fácil sair, muito por culpa dos atuais Dirigentes Políticos Distritais, facto que gera incómodos e prejuízos para todos os partidos do espectro partidário.

A criação do fenómeno Rui Moreira, consentida à época por evidente falta de visão dos diversos dirigentes partidários, a esperta, que não inteligente, gestão da própria imagem muito à custa do dar ao povo o que ele gosta, leia-se “Show off”, muita cosmética e algumas polémicas sabiamente incentivadoras do espírito regionalista com sabor nortenho, com um pouco discreto encostar ao Futebol Clube do Porto, muito espetáculo, muita música e muito foguetório, acrescido de um descarado piscar de olhos à ECIE, vulgo Esquerda Caviar Intelectual e Elitista, revelou-se a receita para o estado actual…

O total acantonamento das forças político partidárias portuenses.

Senão vejamos e por ordem…

O Partido Socialista… O PS não tem qualquer espaço para avançar sozinho. Muito pela presença activa no elenco governativo autárquico do Vereador Manuel Pizarro. Foi a opção julgada melhor por ele e comitiva, restrita, no rescaldo eleitoral. Mas que teve um elevado preço. Se alguém pensou que MP se iria colar na primeira metade do mandato a todas as iniciativas de RM, numa marcação passo a passo, para na segunda metade do mandato arrancar em força numa independentização, capitalizando as iniciativas positivas e criticando as opções negativas, ganhando espaço e visibilidade e, acima de tudo, autonomia…enganou-se totalmente. MP esteve demasiado presente, obviamente até para se acautelar, mas esqueceu-se que demasiada colagem gera cumplicidade e, se por acaso alguma vez o quis, o que sinceramente duvido, o resultado foi o contrário. Ficou amarrado na totalidade a RM. Foi uma opção, totalmente legítima ainda que errada na minha perspetiva. Hoje, MP e “compagnons de route”, esvaziaram toda e qualquer possibilidade de o Partido Socialista avançar para uma candidatura própria à segunda autarquia portuguesa. Numa nova candidatura à Câmara do Porto o máximo a que MP poderá aspirar é vir a ser, finalmente, o nº2 da Autarquia, fazendo desaparecer uma totalmente invisível Guilhermina Rego que, para todos os efeitos, formais e informais, é, ainda, a Vice Presidente da CMP. E este será o melhor resultado a que MP poderá ascender…desde que RM, uma vez mais, condescenda. É uma vitória para o PS, no Porto, ao fim de 4 anos? Não. Não é. E os politólogos que queiram ser independentes, sabem-no. Obviamente que também não é uma derrota. É um nim, sem sabor, sem alma, sem direito a aplausos ou vivas emocionados. Mas foi uma opção assumida e como tal ninguém ou os seus autores se poderão queixar do resultado.

O Partido Social Democrata… O PSD é, de todos os partidos pertencentes ao leque eleitoral do Porto, sem qualquer dúvida, o que enfrenta a situação mais dramática. Com a enorme derrota por si sofrida, ficando num 3º lugar, nas ultimas eleições autárquicas, muito por culpa de Luís Filipe Meneses mas também por uma distrital e por uma nacional que não souberam nem tiveram poder para travar, direcionar e mesmo manipular a trajetória imposta por LFM, o PSD encontra-se sem eira nem beira, como soi dizer-se. Também por culpa de uma fraquíssima direcção distrital, à qual se soma o ónus da péssima acção exercida pelo governo laranja, completada, também, por alguns tiros erráticos e fracos lançados pela vereação sem pelouro eleita no passado. Hoje, parecendo comungar do desnorte do PSD nacional o PSD distrital está numa verdadeira encruzilhada. Condicionado pelo evidente ainda que não totalmente justo aumento de popularidade de RM, não tem qualquer espaço para avançar com uma candidatura galvanizante e com possibilidades de vitória, pelo menos em teoria. Mas sabe que terá que avançar, até para não correr o risco de uma pasokização à portuguesa. Mas os candidatos com qualidade afastaram-se, assobiando para o lado, cheios de supostos afazeres, deixando um deserto de nomes e de possibilidades. Há, claro, quem se queira pôr em bicos de pés, alguns dos quais só mesmo com imenso espírito de humor…mas o tempo, para o PSD, é curto e não há tempo para novas “brincadeiras”. Até porque, internamente, já se contam as espingardas nos vários lados que, fracos, se vão desenhando. E os dirigentes, pelo menos os teoricamente assim designados, porque na prática nunca o souberam ser, principalmente por falta de qualidade, de consistência, de visão estratégica e de idoneidade, esses no momento, estão apenas preocupados, parece, em fazer as suas próprias contabilidades tentando perceber qual o melhor lado a escolher para assegurar a sobrevivência na era pós Pedro Passos Coelho de má memória. Assim sendo, uma qualquer terceira figura, melhor dizendo uma qualquer terceiríssima figura terá que ser empurrada para construir aquela que se sabe ser, à partida e à chegada, sem qualquer possibilidade de expectativas surpreendentes, uma candidatura derrotada. Sobra ao PSD fazer avançar um candidato assumidamente frágil, apenas para cumprir calendário. Mas essa será uma ainda pior escolha, demonstrando ao eleitorado não serem alternativa o que poderá ser demasiado perigoso.

O Partido Comunista Português…O PCP tem, sempre, a que considero mais injusta situação no Porto. O PCP habitualmente apresenta a equipa melhor preparada em termos técnicos às eleições autárquicas. Afirmei-o publicamente e reafirmo-o…nas últimas eleições autárquicas o cabeça de lista do PCP, Pedro Carvalho era, sem qualquer dúvida, o candidato tecnicamente melhor preparado. Mas era o PCP…com o pesadíssimo ónus da foice e do martelo que, ainda hoje, impende sobre as candidaturas autárquicas no Norte. Assim sendo, não será surpresa a apresentação de uma candidatura tecnicamente bem preparada e a única questão será, novamente e como sempre, se conseguirão eleger um Vereador. Ou seja, tudo na mesma, sem qualquer possibilidade de surpreender.

O Bloco de Esquerda…o BE, por oposição ao PCP, costuma apresentar das piores candidaturas em termos técnicos. Basta recordar as declarações do seu cabeça de lista de então, José Soeiro de seu nome, penso, “Não sei o que é a derrama…nem tenho que saber”. Isto vindo de alguém que, pelo menos em termos teóricos, se apresentava como candidato a Presidente da segunda autarquia portuguesa, diz tudo e de forma dramática. Assim sendo, o que será de esperar do BE? Nada de novo. Efectivamente o BE não conseguiu, até ao momento, auferir qualquer lucro, nomeadamente em termos de credibilidade, pela sua presença na coligação governativa. A não presença no Governo assim o provocou e algumas polémicas aparvalhadas em que se permitiu cair (recordemos a mais recente do cartão de cidadão/cidadã) evidenciaram ao público que, na realidade, o BE ainda se encontra a anos luz da maturidade necessária para construir e constituir uma qualquer alternativa consistente e séria, quer a nível nacional e muito mais ainda a nível local. Tenho para mim, inclusive, que jamais o conseguirá. Assim sendo, ao BE sobra avançar com uma qualquer candidatura, repetir as infindáveis arruadas com tão de supostamente poético como de mau gosto e chegar ao dia das eleições e não conseguir eleger um Vereador sequer. Volto a afirmar, por total culpa própria.

O Partido Popular…o PP que parece ter querido regressar à antiga linha CDS deverá optar, novamente, por não apresentar lista própria escolhendo “apoiar de novo” RM. E assim, uma vez mais, no rescaldo eleitoral, poderá pôr-se em bicos de pés e gesticular…nós ganhámos. Não se apercebendo ou fazendo de conta que não se apercebem, que o CDS nestas eleições autárquicas no Porto, nada ganhará porque o vitorioso será sempre Rui Moreira, apenas e só ele. Pena é que o CDS ainda não se tenha apercebido que a prosseguir com a estratégia, até porque não tem qualquer outra alternativa, apenas está a contribuir para o esvaziamento do partido a nível distrital. Assunção Cristas necessitava de fazer avançar um seu nº2 para a segunda autarquia do País, até para dar visibilidade e consistência à sua novel liderança. Mas não tem espaço até porque RM asfixiou qualquer possibilidade de candidatura alternativa.

Quanto a todas as outras pequenas forças partidárias sem representatividade, continuarão a ser, sem chama nem glória, outras pequenas forças partidárias sem representatividade.

E Rui Moreira?

Rui Moreira será o próximo Presidente da Câmara Municipal do Porto, sem qualquer dúvida. Apenas terá que correr contra a sua própria sombra o que, todavia, poderá ser tarefa inglória. Porque lhe falta, acima de tudo, audácia, consistência, independência dos interesses instalados que, no Porto, são muitos e, acima de tudo falta-lhe o que falta a cada vez mais políticos portugueses…carisma.

 

Manuel Damas

 

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23 Comments

  1. O que o actual mandato de Rui Moreira e uma eventual reeleição demonstra é que o "povo" (sim, o tal que gosta de ser agradado, visto que até paga os impostos que sustentam o mencionado "show-off", portanto é normal que goste de ver obra feita - eu sei - é um espanto, porque ao fim de tantos anos de Rui Rio, já deviam estar habituados ao caciquismo político que é a seiva dos partidos e às jogatanas de interesses prejudiciais ao interesse público) está farto de políticos profissionais, do parasitismo que assola os partidos, dos jogos de interesse e da estagnação ao serviço de interesses económicos.
    O que candidatos como Rui Moreira demonstram é que não é absolutamente necessária a máquina partidária, que a "dança das cadeiras" movida a pagamento de favores é supérfula. Que se consegue fazer política e servir com seriedade. A grande ameaça que Rui Moreira é aos partidos é o desafio do status quo, é o restaurar a imagem de confiança e integridade na entidade pública que os partidos tanto lutaram para desfazer.
    Sim, estou ciente que Rui Moreira tem apoios partidários. Sim, estou ciente que certamente também é obrigado a navegar nos mares da política como qualquer outro político de carreira. Mares esses de águas inquinadas e provavelmente a cheirar a esgoto. Mas é muito triste para "os partidos" quando é preciso vir alguém de fora pisar-lhes os calos para se aperceberem que precisam de fazer mais e melhor. Que "o povo" (o tal que gosta de show-off) não é tão estúpido como os partidos (e artigos de opinião) o pintam.

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