Insónias

A merecida cuspidela de Wyllys em Bolsonaro

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Existem actos que por mais censuráveis em sede de uma instituição democrática, tem a sua razão de ser. De forma aberta, sem qualquer pejo, sinto-me forçado a afirmar que não culpabilizo o deputado Jean Wyllys pela cuspidela que este deu no deputado do PSC Jair Bolsonaro em pleno congresso brasileiro durante a discussão e votação do processo de destituição porque numa situação semelhante, se eu estivesse porventura na pele de Wyllys faria decerto o mesmo.

Quem não o compreende, não é humano.

Chega a um ponto na vida de uma pessoa em que depois desta ter tido a coragem de se afirmar como é, de afirmação as suas orientações políticas e sexuais de forma livre, aberta, humana, de se ter esforçado tanto para lutar contra vários preconceitos, de ter chorado tanto a meio de tantas batalhas ou de ter lutado durante tantos anos pelos seus ideiais, no caso de todos os antigos presos políticos do regime militar brasileiro, custa muito ouvir, em pleno século XXI, o veneno que sai da boca de Jair Bolsonaro. Para corroborar o meu argumento recordo algumas declarações polémicas tidas pelo “fluminense” ao longo dos anos:

Afinal de contas Bolsonaro mereceu-a, indiferentemente do facto se existiu ou não premeditação da sua parte como alega o deputado do PSOL eleito pelo Rio de Janeiro. Mereceu-a pela forma vil em como ele próprio desrespeitou durante anos vários sectores da sociedade brasileira. Mereceu-a pela forma cruel como criticou as escolhas e orientações sexuais de quem no fundo lhe paga o salário como congressista. Mereceu-a porque acima de tudo é um político que descredibiliza qualquer democracia através da sua intolerância social, do seu insulto fácil e do pensamento tacanho. O Brasil não precisa da família Bolsonaro. O Brasil precisa neste momento de políticos honestos, de ideias limpas e com uma visão de futuro para o país.

Relembrar em pleno Congresso Brasileiro a memória do maior torturador da história da ditadura militar brasileira, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador de centenas de presos políticos como foi Dilma Rousseff, foi como de um momento para o outro, atentar sem escrúpulos contra a dignidade de todos os que foram torturados pelo regime militar brasileiro, contra todos aqueles que lutaram pela instauração de um regime político democrático no Brasil, de todos aqueles que lutaram pela liberdade de expressão, direito que Bolsonaro tanto usa, ironicamente, para dizer as mais variadas bacoradas que lhe passam para a cabeça e que por conseguinte passam por osmose para o pensamento do povo brasileiro. São precisamente esse tipo de declarações que alimentam posições racistas, preconceituosas e xenófobas capazes de gerar a escalada de violência.

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