Breve resumo da Volta ao País Basco

Contador pais basco

Regresso nestas minhas crónicas neste espaço para voltar a escrever sobre ciclismo. Ao mesmo tempo em que na França e na Bélgica decorrem as clássicas da Primavera (a mítica clássica Paris-Roubaix corre-se amanhã; a não perder o directo da etapa na Eurosport), os principais chefes-de-fila das maiores equipas de World Tour e UCI Pro Continental protagonizaram durante a presente semana um cheirinho do espectáculo que teremos nas principais voltas de 3 semanas do calendário internacional na sempre difícil Volta ao País Basco. O espanhol Alberto Contador haveria de vencer hoje a geral da prova depois de vencer o contra-relógio final que se disputou em Eibar, somando a sua 4ª vitória na prova. Rui Costa exibiu-se ao mais alto nível em quase todas as etapas, terminando a geral da prova em 7º lugar. O português não conseguiu ir mais longe devido a problemas mecânicos na etapa que serviu de epílogo à prova basca.

Etapa a etapa, vamos lá descobrir o que é que se passou na montanhosa região do Norte de Espanha.

1ª etapa 

Na primeira etapa da prova basca, etapa com passagem por algumas contagens de montanha de média dificuldade coube ao trepador italiano Dario Cataldo da Astana mexer com a corrida na última subida. Forte na defesa da sua posição, o italiano calculou um ataque na subida final para resistir na difícil chegada que teria lugar na cidade de Etxebarria. Movendo uma forte perseguição ao ciclista da equipa casaque, a Orica procurava uma chegada disputada em sprint massivo pelo grupo de favoritos para tentar levar Michael Albasini ou o seu chefe-de-fila Simon Gerrans em condições para serem mais rápidos sobre a linha de meta.

Na descida para a recta da meta, disputada a 10 km do final da etapa Cataldo não resistiu ao trabalho realizado pela equipa australiana, sendo rapidamente absorvido pelo pelotão que pelo meio viu sair uma dupla muito perigosa constituída pelo trepador da Lotto-Jumbo Robert Gesink e pelo chefe-de-fila da Cofidis Daniel Navarro. Numa descida de declive acentuado e portanto, muito técnica, a exigir cautela por parte dos ciclistas, Navarro ganhou alguma vantagem para o pelotão até ao momento em que Luis León Sanchez da Astana decidiu mexer no grupo de favoritos, aplicando a sua enorme técnica e velocidade na descida para alcançar o homem da Cofidis.

Sem nunca dar um palmo aos dois ciclistas, os favoritos à conquista da prova decidiram não ficar a olhar uns para os outros como acontece em tantas provas (existem por vezes no ciclismo estratégias erradas por parte de alguns directores de corrida nestas situações, ordenando aos seus ciclistas para parar perseguições para que estas sejam feitas por quem seja mais favorito à vitória) para perceber quem deveria iniciar a perseguição. Alberto Contador e o português Rui Costa (Lampre-Mérida) não tiveram medo de ir para a frente do pelotão perseguir a dupla da frente, chegando o português (e Igor Antón da Team Dimension Data) a simular dois ataques já nos 5 km finais para obrigar mais gente a procurar fechar o espaço de aproximadamente 8″ que o grupo dos favoritos tinha para o pelotão. O espaço foi fechado em cima da meta graças ao esforço de sprint de Simon Gerrans para ainda tentar surpreender Sanchez (não existindo portanto cortes de tempo) mas o espanhol haveria de ser mais rápido que o seu compatriota Navarro para vencer a etapa.

2ª etapa

Se a 1ª etapa prometia uma Volta fantástica ao nível de espectáculo, a 2ª etapa confirmou-o. Numa etapa de média\alta montanha com uma subida final curtinha ao alto de Garrastatxu, uma rampa de 2700 metros de distância com uma pendente média de 11% (alto a sensivelmente 300m com rampas duríssimas de 20% de inclinação nos primeiros 500 metros) que efectivamente poderia começar a formar distâncias temporais na geral, o frio e a chuva marcaram o dia de prova, levando alguns ciclistas a abandonar a prova a meio da etapa devido a hipotermia. O sul-africano Luis Mentjes (colega de Rui Costa na Lampre; em teoria co-líder da equipa com o português e candidato ao top 10 da prova; a Lampre continua a mostrar incapacidade para assumir Rui Costa com o seu principal líder para disfarçar as graves lacunas advindas da constituição da sua formação) não
resistiu ao frio e abandonou a corrida a meio da etapa com sinais claros de hipotermia. O vento irregular que soprou ao longo da etapa levou também as principais equipas a defendem os seus líderes nos chamados “comboios” para que todos pudessem estar na frente no momento da discussão da etapa. O camisola amarela Luis León Sanchez teve muitas dificuldades em algumas partes da prova para se manter em contacto com o grupo principal.

Estando a chegada colocada num autêntico muro, Sky e Orica (novamente a trabalhar para Gerrans e para Simon Yates) lembraram-se da velha regra que é mister em provas como a Fléche Wallone ou Amstel Gold Race na qual todas as equipas que tem pretensões à vitória de etapa nesta tipologia, tem que colocar muito bem os seus favoritos no grupo da frente à entrada para a rampa final. Contador, Rui Costa, Gerrans, Sanchez entraram muito bem na rampa final com a Lotto-Jumbo-NL cheia de vontade de preparar o terreno para Robert Gesink. Explosivo como é nos ataques, um ataque do holandês poderia ser fulminante ao ponto de deixar toda a concorrência parada. O mesmo se passava com um possível ataque de Contador ou Rodriguez, se bem que Purito e a sua Katusha tiveram sempre dificuldades de posicionamento na parte final da prova. Sebastian Reichenback da Française de Jeux, Wilco Keldermann da Lotto-Jumbo e Sérgio Henao da Sky eram outros dos favoritos expressos à vitória na etapa

O primeiro a separar as águas foram Mikel Landa da Sky e um homem da AG2R, ganhando algum espaço ao grupo dos favoritos, unido na perseguição por Alberto Contador, o principal interessado em não deixar o espanhol da equipa britânica tomar a liderança da prova visto que se tratava simplesmente de um dos melhores trepadores da nova geração, ciclista que já firmou créditos no ano passado no Giro ao serviço da Astana. Wilko Keldermann foi portanto o único dos favoritos que sentiu a ameaça de Landa e tratou de ir rampa acima “buscar” o ciclista espanhol perante a passividade do grupos dos favoritos que, numa primeira instância, efectivamente não se organizou na perseguição.

O trio foi seguindo portanto rampa acima com alguma vantagem, resultante de um espaço que não foi fechado a tempo por Contador, Quintana, Costa, Samuel Sanchez, Reichmann, Yates ou Gerrans assim como pelos seus gregários ainda presentes no grupo dos favoritos. Confortável na frente, Keldermann preferiu começar a jogar para a sua pretensão na geral, tentando experimentar as pernas de Landa com um ritmo alto e com algumas esticadas repentinas às quais o experiente e fresco corredor espanhol (com poucos dias de prova durante a presente temporada) soube responder habilmente, afirmando portanto ao holandês a sensação de que estava muito bem preparado para a prova e futuramente para o Giro de Itália, prova onde encabeçará a chefia da equipa Sky. Lá atrás, o alto ritmo imposto fazia as suas vítimas: Roman Kreuziger, nº2 da Tinkoff de Contador para a prova caia do grupo dos principais.

Com 10 segundos de passagem sobre o grupo dos favoritos a 1 km da meta, Landa e Keldermann discutiram a etapa ao sprint, vencendo o espanhol na ponta final da etapa. Com a vitória, Landa subiu ao primeiro lugar da geral com mais 1 segundo de vantagem que o holandês do Lotto-Jumbo. Sem mexidas lá atrás até ao sprint final, Sérgio Henao da Sky acabou por ganhar alguns segundos a toda a concorrência: 4 a Samuel Sanchez da BMC, 6 a Contador, 13 a Thibault Pinot da FDJ e 10 a adversários como Quintana, Rui Costa ou Gesink. A principal derrotada da etapa foi a Orica. Simon Gerrans e Simon Yates não conseguiram fechar top 10 e perderam mais tempo do que se expectável para a geral.

3ª etapa

No final da 3ª etapa, a capacidade de trabalho da Sky (equipa do líder da prova, Mikel Landa) seria posto à prova. Depois de terem atacado na penúltima contagem de montanha no corolar de uma etapa disputada a um ritmo muito um grupo de ciclistas muito forte na média e alta montanha compostos por ciclistas de enorme categoria como são o caso Simon Yates (Orica), Pierre Roland (Canondale) Stefan Denifl (IAM) Dario Cataldo (repetindo o ataque feito na 1ª etapa da prova) e Daniel Navarro da Cofidis (o ciclista mais cotado e mais bem classificado do grupo, candidato à vitória na geral da prova) haveria de causar muitas dificuldades ao escalonamento da turma britânica na descida quando conseguiram resistir à perseguição que era feita pelo pelotão e ainda ganharem segundos que se poderiam tornar muitos importantes nas etapas seguintes.

Chegando a Lesaka com cerca de 20 segundos de vantagem, ainda com uma ligeira inclinação categorizada colocada a 10 km da meta, Daniel Navarro decidiu, a expensas próprias tentar atacar a solo para conseguir vencer a etapa e reduzir a diferença para Landa na Geral. A certo, ponto a 11 km da meta, quando o espanhol acreditou que o feito seria possível, imprimindo uma enorme cadência para aumentar a distância para o pelotão, chegou-se a pensar que o ciclista espanhol da Cofidis seria capaz de vencer a etapa visto que estava a conseguir aumentar ligeiramente o tempo para com aquele grupo para a casa do meio minuto.

Como o trabalho realizado pela Sky não satisfazia alguns dos candidatos à vitória na geral da prova (Contador, Henao, Samuel Sanchez, Gesink, Keldermann, Quintana, Van Garderen, Daniel Martin, Rui Costa) o atrevimento de Navarro, haveria de provocar uma resposta à altura dentro do pelotão com uma série de ataques que rasgaram a paz instituída pela Sky. O primeiro a provocar o cataclismo que se seguiu foi Thibault Pinot (da Française des Jeux), seguido de um contra-ataque movido por Van Garderen, ao qual tanto Contador, como Quintana como o nosso Rui Costa foram capazes de acompanhar.

Desenvolvida na parte final a um ritmo frenético, com a junção de Simon com os seus colegas de ataque (união de esforços desenvolvida de forma inglória por Rolland) a etapa haveria por culminar num sprint massivo disputado por cerca de 40 ciclistas no qual tirou proveito um dos homens mais rápidos que chegou à parte final com o grupo dos favoritos: o veteraníssimo inglês Stephen Cummings de 35 anos da Dimension Data. Sem diferenças feitas para a geral, intacto o top 10 da prova constituído na etapa anterior, Mikel Landa iria voltar a vestir de amarelo na 4ª etapa da prova.

4ª etapa

Landa haveria de ceder a camisola a Keldermann na 4ª etapa depois de ter perdido 8 segundos para o ciclista holandês numa etapa também ela com uma dureza assinalável. Cumprindo a tradição da prova (um autêntico “rasga pernas” como os ciclistas costumam caracterizar as etapas cheias de pequenas subidas) na chegada a Orio, o asturiano Samuel Sanchez haveria de conquistar a sua 6ª etapa da carreira numa prova que já faz parte dos seus objectivos para a temporada, depois de 10 participações nas quais já venceu em 1 ocasião a vitória na geral da prova (em 2012) e já fez 3 pódios em outros anos.

Sky e Tinkoff controlaram a frente do pelotão em praticamente toda a etapa. Os ingleses tentavam manter-se atentos para preservar a todo o custo a camisola amarela de Landa enquanto os homens da equipa de Alberto Contador tentavam preparar o caminho para um possível ataque do seu líder nas dificuldades montanhosas que o final da etapa trazia. Na frente, um grupo de fugitivos saído do pelotão no epíteto da etapa marcava o compasso da perseguição. Atrás de si, Rui Costa, com a habitual leitura de corrida que é uma das suas maiores características enquanto ciclista, já previa que Contador pudesse vir a mexer com a corrida, marcando-o directamente na roda.

O primeiro ataque vindo do grupo dos favoritos pertenceu a Warren Barguil da Giant. O ciclista francês, emergente trepador que surgiu nos últimos anos, era apesar de não estar no top 10 da geral à entrada para a etapa, um enorme perigo se “fosse deixado à solta” nos últimos quilómetros dada a sua diferença de 26 segundos para a liderança. Sorrateiramente, Barguil esgueirou o ataque sem ter obtido qualquer resposta de dentro do grupo dos favoritos. A resposta viria um quilómetro mais à frente quando a Tinkoff, depois de avaliar muito bem a cadência do francês e do seu director desportivo ter, pela via do team-radio, afinado a estratégia a tomar junto dos seus ciclistas, decidiu responder indirectamente ao ataque com o lançamento de um colega de equipa de Contador para evitar ter que responder pelo líder e assim abrir as hostilidades numa fase da corrida em que ainda não interessava a Contador levar na sua roda homens como Quintana ou Rui Costa. A Sky tratou novamente de unir o grupo, não por muito tempo, devolvendo a harmonia ao grupo dos favoritos sem ter que usar imediatamente da resposta do seu líder para a prova e camisola amarela.

Luis Leon Sanchez (Astana) haveria de aumentar o ritmo para saber quem tinha pernas para prosseguir na viagem. Espreitando para trás na frente do grupo, o espanhol apercebeu-se que num primeiro momento ninguém quis ir ao confronto directo. Entretanto, a diferença para o grupo da frente já tinha reduzido para menos de 1 minuto para os homens da frente.

A 15 km para o final da etapa, estava colocada a penúltima grande dificuldade do dia de uma etapa que terminaria com uma curta ascenção. Enquanto no grupo da frente, a desunião entre os membros seria um facto natural, no grupo de trás, o que interessava para as contas da geral, a Sky acelerava o ritmo para lançar Landa para um possível ataque nos últimos 3 km e para instituir uma certa lei do garrote a todos os outros candidatos, de forma a esconderem as suas armas até ao epílogo da etapa. Nos primeiros quilómetros da dura subida para Orio, o objectivo da equipa britânica foi atingido, contudo, os grandes candidatos tinham os seus planos bem definidos para certos pontos da dura subida que em certas partes chegava a ter rampas duríssimas de 20%. (subida de 20 metros em altitude a cada 100 metros).

O primeiro a mexer com a corrida seria Alberto Contador. Na fase mais dura da subida, o espanhol saiu do grupo dos favoritos com resposta imediata da sua maior sombra: o colombiano Nairo Quintana da Movistar. Rui Costa decidiu, como viria a confessar no seu blog no post publicado naquele dia que preferiu não ir ao confronto directo, tomando a estratégia mais acertada de corrida que um corredor poderá tomar em caso de ataque forte por parte de um rival: continuar ao seu ritmo para não esgotar toda a sua energia numa resposta. Todo o corredor que consiga encontrar o seu ritmo será não só capaz de responder no mais breve curto espaço de tempo, fechando o espaço para o ataque, como, em caso de quebra, diminuir as perdas para o seu rival. O único corredor que haveria de responder directamente ao ataque elaborado pelos dois grandes colossos da modalidade seria o até então “escondido” Joaquin “Purito” Rodriguez. O magnífico trepador espanhol da Katusha balanceou-se na perseguição ao duo da frente que rapidamente pulverizou a diferença para os homens que vinham fugidos desde o início da etapa. (Um deles Tim Wellens, homem que anda muito bem na média montanha e que é especialista em corridas de colinas; nome a ter em conta para as clássicas que serão disputadas nas próximas duas semanas na Bélgica e na Holanda). 

Contador esticou até onde pode com Quintana na sua peugada. Terminada a subida, o jovem espanhol Carlos Verona da Etixx tentou o melhor que pode para dar à equipa belga a vitória na etapa, executando a alta velocidade uma descida que obrigava os ciclistas a alguma precaução devido à dificuldade técnica de algumas curvas, ainda para mais feitas debaixo de chuva com o asfalto molhado.

Reunidos no mesmo grupo graças aos esforços de Samuel Sanchez e Rui Costa, Alberto Contador voltou a esticar o grupo dos favoritos com um mortífero ataque na ascenção final. Muito atento, Rui Costa conseguiu seguir a roda do espanhol e não lhe dar qualquer espaço. Os 3 homens da frente foram tragados de um só gesto pelo espanhol levando a incerteza até aos 2 km finais quanto ao vencedor da etapa e possível camisola amarela da prova. Com uma cadência altíssima, Contador acabaria por deixar Costa para trás e re-atacar, levando consigo o colombiano Sérgio Henao e o espanhol Samuel Sanchez da equipa suiça BMC. O antigo vencedor da Vuelta foi obrigado a dar tudo para fechar o espaço para o Super ciclista da Tinkoff enquanto Costa lá atrás fazia as despesas de uma perseguição que já não contava com o camisola amarela Mikel Landa, entretanto em sérias dificuldades para acompanhar o ritmo dos mais fortes na etapa.

Todos estes acontecimentos se deram até ao momento em que pelas costas de Contador, Samuel Sanchez lançaria o ataque triunfante que o permitiria ganhar uma vantagem de 200 metros sobre todos os restantes até à linha de meta. Rui Costa foi unindo as pontas na perseguição ao espanhol e ficou, em cima da linha de meta, a um palmo de vencer a etapa, terminando na 2ª posição, superando Warren Barguil no sprint final. Se a corrida tivesse tido mais 300 metros, a vitória decerto que iria sorrir ao ciclista da Póvoa do Varzim.

Sem dar nas vistas durante a etapa, o maior beneficiário desta para a Geral seria o holandês Wilko Keldermann. Com mais 4 segundos de vantagem sobre Landa, 7 sobre Sérgio Henao da Sky (Rui Costa era agora 7º à geral a 14 segundos), o holandês tinha a missão de, na etapa raínha, defender a todo o custo a liderança numa prova que era disputada literalmente metro a metro, segundo a segundo.

5ª etapa

A etapa rainha estava marcada para o penúltimo dia de prova. Numa etapa com final em Arrate, circulando por uma das etapas de montanha que já foi escolhida em várias ocasiões pela organização da Vuelta para trilhar diferenças, haveriam duas estratégias de corrida diferentes em perspectiva entre os favoritos à geral dada a possibilidade de serem feitas diferenças na subida final e de no dia seguinte existir um contra-relógio de 16 km no qual alguns ciclistas poderiam fazer os ajustes necessários para a geral indiferentemente do tempo ganho ou perdido na 5ª etapa:

  1. Os ciclistas mais técnicos e com melhor perfomance no contra-relógio como são os casos de Contador, Sérgio Henao, Nairo Quintana, Rui Costa, Samuel Sanchez poderiam adoptar uma estratégia de ataque ou preservar o seu esforço para o contra-relógio dadas as pequenas diferenças entre si na geral.
  2. Os trepadores puros como Joaquin Rodriguez, Sebastian Reichmann, Warren Barguil, Wilko Keldermann, Alexis Vuillermoz, Thibault Pinot, Mikel Landa ou Robert Gesink, todos ainda com o seu interesse focado no pódio ou na vitória na classificação geral, tinha de fazer obrigatoriamente pela vida nesta etapa para cavar diferenças contra aqueles que são efectivamente mais fortes na luta contra o cronómetro.

Com um ciclista de genes bastante interessantes na frente (possivelmente um dos melhores trepadores do futuro), Diego Rosa, da Astana em solitário, a vitória na etapa acabaria por lhe pertencer de forma categorica. A Astana despedia-se assim da prova com 2 vitórias de etapa num saldo bastante positivo e que decerto agradou ao patrocinador da equipa. Isolemos então Rosa do thriller que se viveu no grupo dos favoritos.

Com a chegada em alto no horizonte para os últimos 10 km, a Tinkoff descartou a possibilidade de Contador apenas se fiar no contra-relógio para vencer a geral da prova. Os rapazes de Alberto pegaram ao serviço (substituindo a Sky) e endureceram a subida na sua fase inicial para preparar o ataque do seu líder. A Movistar e a Sky estavam contudo por perto para vigiar de perto as movimentações do campeão espanhol. Contudo, Mikel Landa estaria novamente num dia não, ficando arredado da discussão da corrida a cerca de 5 km para a meta. Seria um dia para esquecer para o espanhol contratado pela equipa britânica à Astana no final da temporada transacta para co-liderar a equipa no Giro, possivelmente na Vuelta se Chris Froome não vencer o Tour e em algumas provas de 1 semana do calendário velocipédico World Tour (Catalunha, País Basco, Comunidad Valenciana, Lombardia, Critérios Internacionais). Sem Landa na corrida, foi Henao quem soube salvar a honra do convento da Sky. Com um ataque veloz, o colombiano atrelou na sua roda Contador, Joaquin Rodriguez e Thibault Pinot. Nairo Quintana e Rui Costa não tiveram pernas para ir ao choque e acabaram por não responder, seguindo ao seu ritmo.

Contador tentou desfazer-se de Henao com sucessivos esticões aos quais o colombiano, em excelente forma física, o que indicia que poderá ser claramente um candidato ao Giro (será co-líder com Landa), prova onde tem desde há muitos anos aspirações à vitória, depois de ter sido 9º da geral em 2012 e 16º em 2013. Aos 28 anos, está na altura de finalmente se confirmar como um grande corredor de 3 semanas, feito que nunca conseguiu realizar ao serviço da Quickstep.
Percebendo que Henao não seria descartado com facilidade, Contador percebeu que teria de fazer uma aliança com o Colombiano para que os dois juntos (separados por 6 segundos, facilmente recuperáveis no contra-relógio por Contador) para ganhar tempo a toda a concorrência, facto que viria a acontecer 3 minutos e 13 depois de Diego Rosa ter erguido os braços no alto de Arrate.

 

NuCom uma recuperação fantástica ao longo da subida, Joaquin Rodriguez e Thibault Pinot aproveitaram a menor pendente do último quilómetro para se aproximarem do duo da frente, perdendo apenas 2 segundos e mantendo-se em teoria na discussão pela corrida. Na prática, Purito não tem nem nunca irá ter o potencial de contra-relógio que Contador tem, passando-se exactamente o mesmo com o jovem Thibault Pinot, corredor que é um autêntico desastre naquele departamento técnico da modalidade. Contador e Henao levavam a discussão para o contra-relógio final com o colombiano a deter à partida 6 segundos (uma diferença facilmente pulverizada no contra-relógio pelo espanhol), 10 sobre Pinot (teria na melhores hipóteses direito a defender o seu pódio), 12 sobre Rodriguez, 31 sobre Samuel Sanchez (o melhor contra-relogista do top 10) e 38 sobre Quintana. Já Rui Costa, no 9º lugar a 1:09 poderia efectivamente com um bom contra-relógio subir algumas posições na tabela e quem sabe até chegar ao pódio da prova. O português bem mereceu…

6ª etapa –  CRI (16 km) 

O português bem tentou chegar longe mas uma avaria, como o mesmo haveria de explicar no seu blog (“O dia não me correu bem. Durante o meu contrarrelógio as mudanças da minha bicicleta não funcionavam corretamente, não entrava o “prato grande”. Informei o meu diretor deste problema de imediato, mas a troca de bicicleta e a própria avaria fizeram-me perder alguns segundos. Sinto que podia ter feito uma etapa ainda melhor, caso não tivesse tido nenhuma avaria. Mas a nossa modalidade é feita também de imprevistos e azares, hoje tocou-me a mim.”) obrigou-o a mudar de bicicleta a meio do contra-relógio, quedando-se pela 7ª posição da etapa a 1 minuto e 16 segundos de Alberto Contador. Com um soberbo contra-relógio, o espanhol bateu Quintana por 5 segundos, Henao por 11 (reduzindo a diferença de 6) Adam Yates por 53 segundos e Samuel Sanchez por 1:03.

No final, Contador terminou a prova com mais 12 segundos que Henao e 37 que Nairo Quintana da Movistar.

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