Crónicas Desportivas (6) – Estaremos no fim da era Pinto da Costa?

Pinto da Costa

Quando Vitor Pereira saiu do FC Porto por falta de proposta de renovação, ele que tinha sido campeão nacional à sorte, no último minuto, perante um Benfica de Jorge Jesus que era e tinha, na altura, um plantel qualitativamente melhor do que aquele que possuía o FC Porto, estavam os portistas longe de imaginar o início do calvário que se tem vindo a desenhar no clube desde há 3 anos a esta parte. Tentarei, humildemente, nesta longa reflexão convidar os leitores a executar uma breve reflexão sobre as diferenças existentes entre o passado e o presente do clube.

A contratação de um jovem treinador em 2013, Paulo Fonseca, treinador que tinha levado (num annus horribilis de Sporting de Braga e Sporting no último ano do Consulado de Godinho Lopes e Luis Duque) o modesto Paços de Ferreira a um surpreendente 3º lugar e consequente apuramento para os playoffs da Liga dos Campeões, abriria consigo uma série de precedentes nunca antes vistos no clube, precedentes que continuaram a ser abertos e explorados na era Lopetegui. O Porto deixou de ser Porto e passou a ser um ninho de parasitas cujo interesse único é sugar o mais que pode dos cofres do clube. Voltemos à narração do ano de Paulo Fonseca.

Nunca no Porto desde a entrada de Jorge Nuno Pinto da Costa no longínquo ano de 1982 tinha optado estrategicamente:

  • Pela contratação de um treinador sem provas dadas. Apesar de ter conquistado um 3º lugar com uma equipa cujos objectivos claros no início da temporada anterior era tentar lutar pela Europa (e o Paços tinha plantel para isso com jogadores de muita distinção como eram os casos de Josué, Diogo Figueiras, Tony, Nuno Santos, Antunes, Javier Cohene, André Leão, Luiz Carlos, Vitor, Filipe Anunciação, Paolo Hurtado, Manuel José, Jaime Poulsen, Cícero; grande parte deles jogadores com grande tarimba na Liga, actualmente ao serviço de equipas de média dimensão como é o caso do Sporting de Braga) Paulo Fonseca chegou ao Porto sem qualquer título conquistado na então jovem carreira no seu 2º ano como treinador na Liga. Se olharmos para os seus antecessores no Dragão desde 1982 (José Maria Pedroto, Artur Jorge, Tomislav Ivic, Quinito, Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, Fernando Santos, Octávio Machado, José Mourinho, Luigi Del Neri, Victor Fernandez, José Couceiro, Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas e Vitor Pereira) poucos foram aqueles que aceitaram o cargo de treinador do clube sem terem por detrás um background de títulos conquistados em equipas de alto-rendimento ou de um leque de experiências como técnico principal em clubes de 1ª divisão. As únicas excepções foram apenas nesta lista José Mourinho (breves passagens como treinador principal no Benfica e em Leiria; sem títulos até então enquanto treinador principal), André Villas-Boas e Vitor Pereira, tendo estes últimos um enorme currículo como adjuntos tanto no FC Porto como noutras potências do futebol europeu, como foram os casos de AVB ou Mourinho no Chelsea, no Inter e no Barça.
    O risco inerente à contratação de um treinador pouco experiente era portanto enorme. O Porto correu-o e a equipa nunca entendeu o modelo de jogo imposto pelo antigo jogador pacense, acabando este despedido a meio de uma temporada onde se notou de forma nítida que Fonseca foi tratado como um treinador de transição, tendo sido completamente abandonado desde o início.
  • Numa temporada em que o Porto também mudou o paradigma vigente em relação à sua estratégia de reforços. Sempre nos acostumámos a ver o Porto a reforçar-se prioritariamente por esta ordem de interesses:
    – Em primeiro lugar, pela promoção de jovens jogadores da sua escola, jogadores que como sabemos são desde muito novos vacinados com a chamada mística à porto, uma mística de garra, humildade e vontade de vencer.
    – Jogadores com provas dadas no campeonato nacional em clubes de média dimensão com vontade de singrar no mundo do futebol, olhando portanto o Porto como um clube vencedor e capaz de os catapultar para os mais altos voos europeus dada a sua capacidade “exportadora” se assim podemos falar.
    – À falta de soluções na sua “cantera” e no campeonato nacional, ou simplesmente por questão de custo de oportunidade para embelezar o plantel com uma vedeta individual de classe e requinte, a contratação de um outro jogador sul-americano de qualidade reconhecida, preferencialmente internacional pela Argentina, Brasil ou mais recentemente pela Colombia.
  • Tal ordem de interesses não veio a acontecer no Porto desde então, num Porto minado por empresários (o Porto até ali pouco ou nada se relacionava com empresários, não dependendo financeiramente dos empresários para nada; até lá apenas meia dúzia de empresários tinham crédito no clube casos de Minguella, Baidek, Gilmar Veloz ou Pini Zahavi), pelos fundos de investimento em futebol e pelas obscuras empresas de intermediação de transferências, caso das empresas que hoje são relacionadas ao filho do presidente Alexandre Pinto da Costa, entre outras, casos da Gestifute do novo dono-disto-tudo Jorge Mendes (foram inúmeros os jogadores que rumaram dos clubes detidos por Mendes no Brasil – casos do Desportivo Brasil, do Corinthians Alagoano) e da Coimbra Esportes.

Face às saídas importantes de jogadores James, João Moutinho, Christian Atsu, Rolando e posteriormente, a meio da temporada de Lucho e Otamendi, matando por completo Paulo Fonseca, o Porto reforçou-se com jogadores como Herrera, Quintero, Reyes, Ghilas, Licá, Carlos Eduardo, Josué, Bolat no início da temporada, ou seja, uma mistura explosiva de jogadores com talento demonstrado nas suas ligas de origem (sul-americanas), carecendo portanto da natural habituação ao país, à cultura, à língua, a novos métodos de treino, a novos sistemas tácticos e ao maior pace do futebol europeu com uma data de jogadores de sucesso temporário (na época anterior) ao serviço de Estoril e Moreirense, não sendo portanto, os jogadores de tarimba reconhecida na Liga, capazes de assentar no Dragão e ganhar títulos.

A nível desportivo, Paulo Fonseca nunca conseguiu implantar as ideias. Recordo-me de um Porto sem playmaker e com uma estratégia defensiva de linha defensiva subida que custou muitos golos durante essa temporada.

O fracasso Paulo Fonseca, levou a SAD do Porto a repensar algumas das suas estratégias para a temporada seguinte, temporada em que a SAD voltou a cometer o mesmo erro:

  • Até chegar ao Porto, Julen Lopetegui era um treinador sem qualquer experiência no treino de clubes. Modesto, antes de chegar ao comando técnico de algumas selecções jovens da selecção espanhola, contava com duas passagens inglórias por Rayo Vallecano e pelo satélite do Real Madrid, o Castilla. Lopetegui viveria nas selecções espanholas entre o talento dos jogadores que Barça, Real, Valência, Real Sociedad, Sevilla, Athletic e Villareal conseguiam formar e a cartilha formativa leccionada nas escolas do Barça desde há 20 anos a esta parte, sendo que desde Luis Aragonés é ponto assente na Federação Espanhola moldar a sua selecção ao ritmo e à identidade de jogo do clube com mais representação nas suas selecções, o Barça. Aragonés pouco ou nada alterou ao modelo de jogo Rijkaard, Del Bosque pouco ou nada alterou ao modelo de jogo incutido pelos holandeses e por Pep Guardiola no Barcelona.

Treinar selecções não é hodiernamente o mesmo que treinar clubes. O seleccionador actualmente rararamente acrescenta o quer que seja a um jogador dado o escasso tempo que tem para trabalhar as suas equipas, limitando-se apenas a escalonar os jogadores com quem pretende trabalhar e num curto espaço de 3 dias trabalhá-los nos dispositivos técnico-tácticos com que pretende adequá-los aos adversários contra quem irá jogar. A Julen Lopetegui faltava, acima de tudo, a experiência de executar um trabalho continuado de criação de identidade e modelo de jogo, evolução dos jogadores a título individual e colectivo e relação com o mundo exterior (imprensa, adeptos), trabalho que só se adquire pela experiência no comando técnico de clubes.

Ao técnico espanhol foi dada carta branca e fundos bem recheados para escolher a sua maralha. Apoiados por créditos bancários e pelo recurso a fundos de investimento, o espanhol trouxe quem quis para o Dragão, optando portanto por trazer jogadores que conhecia bem das selecções que tinha orientado ou do futebol espanhol. Foram portanto inúmeros os jogadores que o espanhol trouxe para o dragão nas últimas duas temporadas: José Angel, Tello, Andrés Fernandez, Iker Casillas, Marcano, Adrián Lopez, Yacine Brahimi, José Campaña, Casemiro, Alberto Bueno, Dani Osvaldo.

A falta de experiência do espanhol começou a denotar-se logo na primeira volta do campeonato da temporada 2014\2015. Primeiro, pela excessiva rotatividade dada ao plantel nos primeiros jogos da temporada, facto que matou o projecto de relançamento do clube previsto pelo espanhol e, por conseguinte, pelos que lhe tinham dado carta branca porque o mesmo não conseguiu, logo desde início, numa premissa que todos os treinadores tem que ler by the book, acertar o seu onze base, as suas opções primordiais, uma identidade (a identidade de Lopetegui era a criação de uma equipa à semelhança da cartilha barcelonista que tinha sido obrigado a estudar nas selecções jovens espanholas, ou seja, uma equipa com um futebol ofensivo dominador, de posse de bola, de constantes variações de flanco a flanco à procura do espaço livre para os seus elementos mais destabilizadores, neste caso concreto, Brahimi, Tello, Varela ou Quaresma brilharem no 1×1 e servirem o esteio que tinham na área, o finalizador Jackson Martínez) dois ou três modelos de jogo primordiais adequados às características dos seus jogadores e as indispensáveis rotinas de jogo necessárias para vencer o título. Na primeira temporada de Lopetegui recordo-me de um Porto cujo onze base era flutuante, de um treinador incapaz de alinhar os match-ups do meio-campo, de uma equipa que usava e abusava do passe longo para variar flancos lucrando jogo após jogo um chorrilho de passes falhados e de jogadas incompletas (sem que os jogadores conhecessem os timings de entrada de cada um nas abordagens ofensivas) e, por outro lado, defensivamente estéril, característica que se veio a acentuar durante esta temporada. Na Champions, as exibições individuais fabulosas de Yacine Brahimi iam escondendo uma equipa sem identidade de jogo construída desde início. O argelino nunca viria a recuperar da maior crítica que um dia lhe fizeram: o facto de ser um jogador que só brilhou na Champions, eclipsando-se totalmente nos jogos de campeonato, até porque os adversários já lhe conhecem decor a sua finta preferencial quando recebe a bola no flanco esquerdo (corta para dentro para entrar na área para de seguida dar um nó no adversário para fora) – no presente, bastará portanto a qualquer treinador adversário da equipa do Porto, dada a mecanização da equipa para jogar para o seu elemento mais desequilibrador, cortar as linhas de passe para o argelino e povoar a zona em que este se mexe com 2 ou 3 jogadores para deixar sempre um de sobra quando este encete dribles. Passará por 1, poderá passar pelo segundo mas decerto que não passará pelo terceiro.

Os desatinos de Lopetegui a meio-campo (novamente a falta de um jogador capaz de carregar o jogo da equipa portista a meio-campo; lacuna que não foi ultrapassada desde a saída de Moutinho) e as saídas importantes de jogadores como Casemiro, Danilo, Jackson, Alex Sandro, Quaresma, entre outros levaram Lopetegui a alterar a sua estratégia cedendo a quem, dentro da SAD do Porto quis voltar ao paradigma da contratação de jovens jogadores com créditos firmados domesticamente, como são os casos de André André, Sérgio Oliveira (colmatando a tal lacuna da falta de um organizador de jogo) Gianelli Imbula (apresentado como um dos novos talentos do futebol mundial) Corona e Layún (voltando a insistir no filão mexicano; Layún veio a constituir-se como a surpresa, apesar de já o conhecer desde os tempos do América como um lateral muito rápido com uma enorme apetência para assistir através da sua portentosa capacidade de cruzamento e inclusive marcar golos) Maxi Pereira (no auge da sua carreira) e, obviamente, num pouco de filão espanhol com a contratação de Casillas, Bueno, Osvaldo (não se pode dizer que tenha feito a sua carreira em Espanha porque jogou um bocado em todo o lado mas, efectivamente, foi no Espanyol de Barcelona que este italo-argentino se destacou há alguns anos atrás). Em Janeiro, Sá, Marega e Suk prometiam o regresso à ideia de recrutamento construída pelo clube a partir dos anos 90 na contratação de jovens jogadores com potencial firmado na nossa liga.

O ano acabou por redundar em mais um ano de afastamento do Porto pelo título nacional, um afastamento precoce da Liga dos Campeões num grupo que era bastante acessível ao Porto (até porque o Chelsea de Mourinho\Hiddink não está a ter um ano famoso) e a Taça como a bóia de salvação em que o Porto gastou, para além do valor dispendido por todos os reforços (43 milhões de euros) 70 milhões de euros em salários, na relação com as verbas encaixadas com as vendas efectuadas a bruto (sem comissões pagas a empresários) de 138,9 milhões de euros. Com as verbas pagas a empresários, o valor líquido será contudo muito menor.

O estado lastimável a que o vencedor Porto de Jorge Nuno Pinto da Costa chegou nos últimos 3 anos sem que o presidente tenha em momento algum posto a palavra de ordem de choque que o caracterizou ao longo de grande parte dos 36 anos à frente da presidência do clube, denota que o homem está cada vez mais frágil e pela primeira vez enfrenta contestação interna.

Na relação com os rivais, o Porto esmorece a cada dia que passa. Se na relação com o Sporting e com o seu explosivo presidente, o Porto adoptou desde cedo uma posição estratégica de não entrar em confronto (mesmo quando o seu administrador Adelino Caldeira se portou mal perante Bruno de Carvalho na final da Taça de Andebol de 2012\2013 suscitando as maiores críticas deste) com a turma leonina para permitir que o tonto presidente do Sporting começasse a disparar para outros lados e comprasse as lutas que saem caro ao clube de Alvalade (mesmo apesar de as considerar justas na sua esmagadora maioria), perante o Benfica de Luis Filipe Vieira e a sua declarada tentativa de domínio hegemónico da ordem do futebol português, nunca se viu um presidente do Porto tão passivo e tão apático.
Ao nível de comunicação, a velha máquina de retórica do presidente do Portista, as tiradas que tanto irritavam águias e leões durante os anos 80 e 90, a contra-informação deliciosa que o Porto fazia de todos os casos polémicos, utilizando para tal os seus canais oficiais e não-oficiais (o jornal do Pato) deixou de ser hábito na Comunicação da SAD instalada na torre das Antas.

O Porto, por sua vez, fez ascender dois capo-regimes (Antero Henrique e Adelino Caldeira) que em nada se assemelhavam ao trabalho de sapa desenvolvido pelos braços-direito de Pinto da Costa no antigamente (Reinaldo Teles, Luis Guilherme Aguiar, entre outros) e que sinceramente pouco ou nada mexem nas instâncias desportivas porque são efectivamente tidos como figuras sinistras.

A relação do Porto com os empresários mudou significativamente. Se há 15 anos atrás, o Porto só negociava com meia dúzia de empresários, excluíndo desde logo os 3 mais importantes do futebol português (Jorge Mendes, José Veiga e Paulo Barbosa), actualmente, o Porto é um poiso de sanguesugas, mantendo relações com qualquer zé da esquina que tenha um jogador para vender e uma comissão para receber. Para termos uma noção do relevo dos empresários nas negociações de compra e venda de jogadores do Porto (com influência na autêntica máquina de torrar os milhões ameaçados nas receitas obtidas nos últimos anos em vendas milionárias, prémios da Champions, receitas de bilhética) nos últimos anos, fiz uma breve resenha de imprensa que se pode ver aqui, aqui, aqui, aqui, e com maior veracidade, penso eu, nas periódicas comunicações e informações prestadas pelo Porto à entidade reguladora. 

O ambiente de Saigão que se vive actualmente pela primeira vez na história da relação entre o adorado presidente (os adeptos do Porto devem a meu ver tanto a Pinto da Costa como porventura também o deve Pinto da Costa ao clube e aos seus adeptos) no clube levou ontem o presidente a ter que usar da palavra na Porto Canal para eventualmente apaziguar os ânimos em torno do clube, confessando que o Porto “bateu no fundo” e que se sentiu pela primeira vez envergonhado com a exibição da equipa, equipa que por sua vez recebeu um ultimato à antiga feito e tornado público pelo presidente. Pinto da Costa prometeu que o Porto regressará ao seu histórico eixo de mística: só jogará pelo Porto quem mostrar que tem qualidade para tal. Estando o clube em vésperas de eleições, Pinto da Costa elaborou aqui uma jogada de mestre para evitar que apareça alguém com um discurso tentador à minoria que começa a opor-se ao seu reinado.

Por outro lado, a entrevista dada pelo presidente do Porto não foi esclarecedora quanto a duas questões particulares que tem irritado profundamente os adeptos portistas: os estranhos negócios do filho com o Porto e a sucessão. A sucessão na presidência no Porto tem motivado os maiores interesses e as mais graves dissidências actuais com 4 personalidades a afileirar-se como possíveis sucessores de PdC se este, eventualmente, resignar no final da próxima temporada se eventualmente o futebol do Porto não conquistar nenhum título até lá. Vitor Baía, o bi-bota Fernando Gomes e os fracticídas Antero Henriques e Alexandre Pinto da Costa são neste momento os inegáveis candidatos à cadeira de sonho na presidência do clube, numa guerra em que cada qual já ultrapassou claramente a fase de contar espingardas (bastará para isso exercitar o cérebro e pensar que a contestação actual que se vive no clube e os actos de rebeldia cometidos por adeptos nos últimos dias seriam impensáveis no Porto dos anos 90 ou até dos anos 2000) e passou definitivamente à luta armada.

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