Destaques desportivos da semana (3)

Nota Prévia: Este post serve de conclusão às matérias abordadas nos posts 12 e 13 destas Crónicas

8 – Schalke 04 2-2 Borússia de Dortmund

schalke

Envolvido em todas as frentes, o Borússia de Dortmund tinha a missão de vencer o Schalke 04 no maior clássico da região da Renânia do Norte-Vestefália para manter bem intactas as aspirações a ainda poder batalhar contra o Bayern pela conquista da Bundesliga nas duas últimas jornadas. O cansaço acumulado pelos jogadores frente ao Liverpool, obrigava portanto o treinador da equipa forasteira a re-equacionar os seus objectivos.

Num jogo iniciado por um belo golo marcado por Kagawa, o Schalke conseguiu arredar em definitivo a turma de Thomas Tuchel do campeonato, ficando esta agora a 7 pontos do Bayern. Tuchel foi obrigado a mexer no onze base do Borussia devido ao cansaço acumulado no jogo de quinta-feira frente ao Liverpool e devido ao jogo da 2ª mão, jogo que se irá disputar na quinta-feira em Anfield. O treinador germânico traçou claramente como objectivo a vitória na Liga Europa, jogando portanto no risco em Gelsenkirchen graças às utilização de jogadores com menos rodagem na presente temporada como foram os casos de Adrian Ramos, Moritz Leitner, Christian Pulisic ou Nuri Sahin. Do outro lado da barricada, um inspirado Leroy Sané marcou e inspirou a exibição de uma equipa em renovação que ainda aspira a um lugar europeu nas últimas jornadas da prova, sendo actualmente 7ª com os mesmos pontos do Mainz  e Borussia de Moenchagladbach (45).

A derrota do BVB 09 fez descansar a mente dos responsáveis e jogadores do Bayern. O título está assegurado. De aqui em diante, até ao final da temporada, há que fazer melhor do que aquilo que tem feito até agora na ronda a eliminar da Champions.

9 – Fiorentina

Em queda livre, a equipa de Paulo Sousa somou a 6ª derrota consecutiva, perdendo o clássico regional da Toscânia contra o Empoli por 2-0. Numa altura em que se volta a falar da possibilidade do treinador português, natural de Viseu, rumar ao Zenit de São Petersburgo ou ao Porto na próxima temporada, o técnico português volta a ser contestado. A Fiorentina começou a temporada com um enorme fulgor. O modelo de jogo assente na posse de bola criado pelo português obteve, no início da temporada, os mais rasgados elogios por parte dos adeptos Viola e da própria imprensa italiana. A Fiorentina praticava um futebol bastante técnico (contudo a uma velocidade lenta), com muita posse a meio-campo, muitas trocas posicionais, correctamente variado de flanco a flanco para que os portentos técnicos ao nível de cruzamento que dispõe nos flancos pudessem servir os seus avançados na área (Marcos Alonso; completamente eclipsado durante a presente temporada; Bernardeschi na direita, jogador que gosta de explorar mais o drible para zonas interiores de forma a servir as diagonais feitas por Ilicic e Nikola Kalinic). Aos poucos, o futebol rendilhado da equipa, trabalhado por tecnicistas puros como são os casos de Borja Valero, Ilicic começou a tornar-se maçudo e bastante previsível, principalmente para equipas que se organizem bem num bloco defensivo baixo. Paulo Sousa cometeu também um erro ao ter trabalhado a equipa para sair a jogar de trás. Sem centrais capazes de sair a jogar até zonas mais adiantadas, qualquer equipa que faça pressão à saída da área com vários jogadores (suportada por uma pressão imediata da sua linha média nas costas de Valero, Matías Fernandez ou Matias Vecino) consegue levar os centrais Facundo Roncáglia, Gonzalo Rodriguez e Davide Astori ao erro e por conseguinte a equipa a sofrer alguns golos de forma bizarra.

10 – A Escolinha de Rugby de São João da Talha

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Pelos melhores motivos possíveis destaco esta semana também a Escolinha de Rugby de São João da Talha, projecto de inclusão nascido naquele concelho bastante problemático de Loures para auxiliar a inclusão de jovens com vidas muito problemáticas no desporto e na sociedade. O Rugby cumpre o seu maior papel de formador de homens e de grandes atletas, incutindo-lhes os positivos valores da modalidade. O projecto desta Escola, projecto que vem na sequência de outros grandes projectos deste nível como são os projectos sociais do Rugby da Galiza e do Cercar-te. Quanto a este último posso dizê-lo que já o conheci de perto visto que a minha equipa de Rugby (Viseu 2001\BE You Beiras) já participou em diversos torneios com as suas equipas de sub-12 e sub-14. O projecto é simplesmente maravilhoso visto que congrega em várias equipas vários miúdos da problemática zona do Bairro do Cerco do Porto, inserindo-os na prática desportiva e acima de tudo, tirando-os das ruas e dos maus caminhos, com um rendimento desportivo bastante interessante de se verificar. Vejo actualmente na equipa de sub-14 do Cercarte vários miúdos com capacidade para já no próximo ano alinhar pelo CDUP, a maior potência do rugby do Norte.

Projectos como a Escola de Rugby de São João da Talha são efectivamente benéficos para a chamada “democratização do jogo” que se precisa em Portugal, na medida em que estende uma modalidade considerada elitista às classes média-baixa e baixa. Num desporto em que é tão difícil obter apoios (ao nível de campos junto das câmaras municipais, material de treino básico, patrocínios que possam custear equipamentos de jogo e deslocações das crianças para torneios) e matéria-prima para trabalhar nas camadas jovens (falando um bocado da realidade da cidade onde actualmente resido, sinto que é cada vez mais difícil cativar crianças para a prática da modalidade) este projecto é uma lufada de ar fresco e é o exemplo a seguir para todos aqueles que pretendam criar mais projectos do género. Mais projectos deveriam neste sentido ser criados na “província” (para nossa infelicidade, é assim que nos tratam na Federação, federação que há muito que deixou de olhar pelos clubes da província) e nas cidades periféricas para bem do Rugby nacional, cada vez mais concentrado na cintura da área metropolitana de Lisboa e cada vez mais amarrado (ao nível das selecções nacionais) ao que os clubes de Lisboa conseguem formar. Contudo, para isso é fundamental que a Federação e as Associações Regionais conseguiram desenvolver um trabalho de parceria com todos aqueles que tem o desiderato de semear o rugby aos 4 ventos porque, efectivamente, meia dúzia de pessoas muito dificilmente conseguem colocar a sua obra de pé.

11 – As melhores imagens da Paris-Roubaix

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Ver a Clássica das Clássicas noutra perspectiva, através de camaras inseridas nas bicicletas dos seus principais intervenientes. Imagens onde se pode ver a dureza do paralelo, a robustez e o suor que os ciclistas incutem para atingir os seus objectivos na prova, as quedas, as fugas pelos campos das ardenas francesas que alguns ciclistas protagonizaram aquando de quedas. Simplesmente delicioso!

12 – O novo filão da Liga Italiana

São neste momento 53 os jogadores originários das novas repúblicas da antiga Federação Jugoslava a alinhar em clubes da Série A. Na Série B italiana o cenário é idêntico e já começa a relançar uma velha discussão entre os entendidos da matéria no país transalpino. Os eslovenos, sérvios, croatas, macedónios, albaneses, bósnios, montenegrinos e kosovares começam a tornar-se o maior filão da prospecção que é feita pelos falidos (excepção feita à Juventus) clubes italianos. Os mesmos mostram-se cada vez mais interessados em importar (até para a formação; já existindo diversos portugueses desde há vários anos para cá nas maiores formações dos clubes italianos) do que em criar do zero dentro do seu povo. Essa estratégia, estratégia que visa sobretudo contratar jogadores com algum talento (maior parte dos eslavos que estão no futebol italiano são jogadores de enorme talento e potencial futuro) para os rotinar a uma liga de proa em primeiro lugar, com o objectivo final de os valorizar e vender a clubes espanhóis, alemães e ingleses, ameaça seriamente a selecção italiana. Há um ano atrás foi o excêntrico Arrigo Sacchi quem se insurgiu com um insulto racista, referindo que a formação futebolística italiana tem demasiados estrangeiros. Um ano, antes, o recém-eleito presidente da FIGC, Carlo Travecchio, dirigente que defende a limitação de estrangeiros nos clubes da Série A prometeu reformas que não foram avante dada a impossibilidade (europeia) do seu cumprimento pela violação aos mais elementares direitos de circulação de pessoas, bens, capitais e mercadorias plasmado nos tratados europeus. Os estrangeiros estão para ficar. Perde a Squadra Azurra, ganham as selecções e o futebol dos países exportadores, conseguindo com a colocação de mais jogadores na alta roda do futebol mundial gerar selecções mais fortes (veja-se por exemplo o pulo qualitativo que a Albânia por exemplo deu nos últimos anos, passando de uma selecção frágil que era constantemente o bombo da festa nas qualificações para as grandes provas internacionais por selecções para a selecção que agora consegue não só qualificar-separa o Europeu como ainda, para o efeito, conseguiu vencer em Portugal e colocar o seu campeão na Liga Europa; o Skenderbreu esteve perto de se qualificar para a Liga dos Campeões), estratégias de formação mais desenvolvidas e mais modernas que visam gerar mais e mais talentos capazes de dar o salto para os principais clubes das principais ligas europeias, que visa também colocar os seus clubes a participar mais nas fases finais das provas europeias de clubes e que de resto, terá como objectivo máximo colocar as suas selecções em altos patamares nas grandes provas internacionais de selecções.

Se os albaneses, eslovenos e bósnios já conseguiram alguns sucessos de maior nomeada ao nível da sua selecção A (a presença em campeonatos europeus e mundiais), os croatas\sérvios já conseguiram por exemplo vencer grandes provas internacionais de selecções nos escalões de formação (o case-study sérvio é por demais esquisito na medida em que as equipas que tem sido campeãs em provas internacionais estão a baquear no escalão sénior, não atingindo os objectivos traçados pela Federação) e arriscam-se a ser nos Europeus de 2016 (no caso da Croácia) e no Mundial de 2018, se a nova geração sérvia de jogadores constituída por jogadores de grande talento como Nikola Maksimovic, Spajic, Aleksandar Pantic, Filip Djuricic, Ljajic, Filip Kostic, Nemanja Maksimovic, Grujic, Jovic, Saponjic, Zivkovic, Mitrovic, Savic-Milinkovic, Djordjevic, Matija Nastasic, Nemanja Gudelj, Lazar Markovic conseguirem criar um bom colectivo (o que falta à selecção sérvia é um bom colectivo que seja capaz de conseguir disputar uma fase de qualificação sem polémicas ou actos de rebeldia) juntamente com os consagrados (ainda em tempo útil para disputar o Mundial de 2018) do actual futebol sérvio como são Tomovic, Matic, Kolarov, Ivanovic, Rajkovic, os irmãos Tosic e Ljubomir Fejsa, os sérvios estarão presentes na Rússia e poderão até arriscar a vitória na competição.

13 – Para finalizar, o Futsal

A selecção nacional conseguiu ontem apurar-se para o Mundial da Colômbia ao ter vencido novamente a Sérvia por 2-1, repetindo portanto o resultado obtido na fervorosa arena de Belgrado no passado mês de Março. Jorge Braz passou com distinção o teste resultante do voto de confiança que obteve dos responsáveis federativos após a precoce eliminação sem chama frente à Espanha no Europeu da Sérvia. Braz reconheceu o erro e admitiu que nesse europeu não estivemos ao melhor nível, perdendo precisamente contra esta Sérvia na fase-de-grupos da prova. Voltaremos ao Mundial, no ano em que Ricardinho está completamente on-fire. Contamos obviamente com a melhor forma possível por parte do melhor do mundo no torneio que se irá realizar naquele país sem tradição na modalidade. No entanto, pede-se ao colectivo nacional que de uma vez por todas não dependa do seu homem forte. Pede-se um colectivo a Jorge Braz. O relógio está a contar para o Mundial. O seleccionador nacional tem precisamente 4 meses e 27 dias para construir esse colectivo.

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