Coimbra também está SUSPENSA?

O Jornal de Negócios publicou esta semana um excelente trabalho sobre a contribuição de cada município para as Exportações Nacionais, ou, dito de outra forma, onde estão localizadas as unidades que exportam, apresentando o valor das exportações por município.

 

Coimbra apresenta valores muito reduzidos (cerca de 118 milhões de euros em 2013 e 98 milhões de euros em 2015), perdendo terreno desde 2013 (-17,8%), que a todos nos devem deixar envergonhados e muito preocupados, nomeadamente quando se compara o desempenho de Coimbra com concelhos vizinhos como Figueira da Foz (439 milhões de euros em 2015), Cantanhede (317 milhões de euros em 2015), Leiria (554 milhões de euros em 2015), Pombal (164 milhões de euros em 2015), Águeda (307 milhões de euros em 2015), Ovar (745 milhões de euros em 2015), Vagos (202 milhões de euros em 2015), Ílhavo (206 milhões de euros em 2015), Aveiro (595 milhões de euros em 2015), Oliveira-do-bairro (128 milhões de euros em 2015), Albergaria-a-velha (345 milhões de euros em 2015), etc., etc. O atraso de Coimbra é já muito significativo e, como referi, é muito preocupante; explica bem a degradação visível na cidade e é sinal de falência. É esta, infelizmente, a imagem de uma cidade que não tem indústria, nem quer ter (aparentemente), não coloca muito do seu esforço na sua capacidade de se reinventar, de criar valor e de, consequentemente, gerar atividade económica e emprego. Não acha que é urgente uma RUTURA com o passado, tentando colocar a cidade numa rota de desenvolvimento e progresso? Como pensa que pode uma cidade como COIMBRA sobreviver, atrair pessoas, fixar atividade económica, e com isso crescer e gerar emprego, se as instituições da cidade não têm uma estratégia económica e industrial minimamente coerente, não falam entre si, não alinham uma estratégia comum que tire partido das suas potencialidades e tenha em linha de conta o mundo e a forma como funciona?

Coimbra parece uma cidade que decretou suspensão de atividade e aguarda que algo aconteça. Veja-se o Coimbra Inovação Parque (iParque), detido em mais de 90% pela Câmara Municipal de Coimbra. Este espaço, que tive a honra de iniciar em Agosto de 2007 e deixei em Janeiro de 2012, não faz a sua Assembleia Geral (AG) de aprovação de contas desde 2014. Ou seja, não fez a AG de 2014 (que suspendeu por decisão do acionista Câmara Municipal de Coimbra), nem a de 2015, nem a de 2016.

No entanto, CONSOLIDA contas com a Câmara Municipal de Coimbra. O Tribunal de Contas anda a dormir? É isso? A situação do iParque é uma boa imagem para Coimbra. Está SUSPENSA.

 

Sabia que em 2012 o iParque abandonou projetos financiados pelo QREN (por exemplo, o TESLA – uma aceleradora de empresas)? No entanto, por incrível que parecer a muitos, o Edifício Administrativo – Leonardo da Vinci – está totalmente cheio de empresas, o que demonstra que a aposta no TESLA teria sido totalmente ganha. Esse edifico, e respetiva funcionalidade, foi desenhado para ser o coração do parque. Foi devidamente financiado, com candidatura aprovada no QREN. Candidatura que não foi executada, em 2012, porque se preferiu uma obra de fachada qualquer.

 

Percebe por que razão em Coimbra não há estratégia industrial, económica, etc.,? E o emprego escasseia? E não se fixam empresas?

 

No outro dia um empresário de Coimbra dizia-me o seguinte: “… infelizmente Coimbra está reduzida a uma avenida, com uma torre de Universidade no meio, constituída por meia dúzia de lojas chinesas e algumas pastelarias. Os desígnios e oportunidades desta cidade continuam entregues a meia dúzia de “senhores feudais”, que fazem jogos de influência nos bastidores para se beneficiarem a si próprios e manterem o status-quo. Visão estratégica, apoio efetivo ao empreendedorismo e a novos projetos, criação de oportunidades para todos é algo que não existe…”.

Eu subscrevo na totalidade e pergunto: por que razão insistem os conimbricenses em manter suspensa a cidade de que tanto gostam?

 

(Publicado no Diário As Beiras de 13 de Janeiro de 2017)

Nota: a versão publicada no Jornal em papel tinha gralhas que resultaram do envio, por lapso, de um ficheiro inacabado – a tecnologia prega-nos, de vez em quando, algumas partidas. As minhas desculpas.

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