Apoiantes de Rui Moreira lançam “OPA” ao PSD do Porto

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Na próxima sexta-feira vão decorrer as eleições para a antiga Secção Ocidental do Porto do PSD (SOP), actualmente designada de Núcleo Ocidental do Porto (NOP). Vão a votos duas listas. Uma é liderada por Luís Osório, quadro superior da AENOR, que se candidata a um segundo mandato, após ter levantado das cinzas esta mítica secção onde militam Amândio de Azevedo, Rui Rio, José Pedro Aguiar-Branco, Pedro Duarte. Estes quatro destacados militantes do PSD subscreveram e apoiam a recandidatura de Luís Osório. A outra lista é liderada por Miguel Corte-Real que terá apresentado ontem a sua candidatura.

Na semana passada o Público noticiava que a candidatura de Miguel Corte-Real reunia o apoio de vários militantes do PSD que apoiaram a candidatura de Rui Moreira em 2013, entre os quais um administrador de uma empresa municipal, um adjunto de um vereador e um membro de uma junta de freguesia.

Há muito que defendo a separação entre os negócios e a política.  E não me parece que a candidatura de Miguel Corte-Real ao NOP do PSD cumpra estes requisitos.

Nas redes sociais Miguel Corte-Real apresenta-se como Managing Partner na empresa FYI. Mas a noticia do Público vai mais longe e refere que Corte-Real será mesmo sócio da empresa FYI que presta serviços à Câmara do Porto, sendo responsável pelos sites da autarquia e das empresas municipais. Na mesma notícia o agora candidato ao NOP do PSD confirma que trabalha para a Câmara do Porto.

A empresa FYI, com quem Miguel Corte-Real tem ligações, apresenta como gerente Pedro Torres Eckenroth Bragança de Assunção, um apoiante de Rui Moreira. Em apenas dois anos esta empresa somou, em ajustes directos, com a Câmara do Porto e com várias empresas do universo municipal, mais de 120.000 euros. O gerente da FYI, Pedro Torres Bragança de Assunção, é também familiar próximo de Luís Bragança de Assunção, a exercer funções de adjunto de um vereador da Câmara do Porto. Facto curioso é este mesmo adjunto da autarquia continuar a ser militante do PSD no Porto.

E tudo isto entronca nas eleições para o NOP do PSD. Para além de Miguel Corte-Real “trabalhar” para a Câmara do Porto, a mesma lista integra Ana Camões, mulher de Luís Bragança de Assunção. Esta mesma lista apresenta como candidato a vice-presidente, Miguel Braga, que no último plenário da concelhia do Porto terá defendido o apoio do PSD a Rui Moreira. Esta mesma lista será subscrita e proposta por militantes do PSD que mantêm avenças com a Câmara do Porto e defendem o apoio dos sociais-democratas à candidatura de Moreira.

E perante tudo isto várias perguntas legitimamente se colocam: em caso de vitória que condições tem Miguel Corte-Real para fazer uma oposição séria a Rui Moreira? No caso de ser eleito estará Corte-Real disponível para deixar de “trabalhar” para a Câmara do Porto e para as respectivas empresas municipais? O objectivo desta candidatura é unir ou dividir os sociais-democratas portuenses em torno de uma candidatura própria do PSD? Ou Miguel Corte-Real apresenta a sua candidatura para defender internamente o apoio do PSD do Porto a Rui Moreira?

Estas são questões que Corte-Real deveria esclarecer antes das eleições porque esta candidatura mais aparece uma “OPA” de alguns apoiantes de Rui Moreira ao PSD do Porto. Em nome da transparência e da moralização da vida política Miguel Corte-Real deveria esclarecer cabalmente estas questões.

Penso que Rui Moreira não ganha nada em ver o seu nome envolvido, mesmo que muito provavelmente involuntariamente, nestas eleições internas para o PSD do Porto. Por isso considero que Rui Moreira dever-se-ia ter desmarcado imediatamente deste tipo de notícias.

Eu deixei de ser militante do PSD, mas continuo social-democrata. Confesso que gostaria de ver o PSD apresentar uma candidatura forte e credível à Câmara Municipal do Porto. Estou convicto que isso apenas poderá tornar-se uma realidade com a vitória de Luís Osório.

Esperemos pelos desenvolvimentos desta eleição que será relevante para o futuro do PSD do Porto.

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96 Comments

  1. Paulo, por essa ordem de ideias, nenhum político poderia exercer cargos públicos se tiver ligações a empresas que, de alguma forma, beneficiem ou tivessem beneficiado de negócios com entidades públicas. Como, por exemplo, não terias o próprio PPC a candidatar-se ao que quer que seja. Assumir à partida que as pessoas estão a agir de má-fé porque estão a exercer o seu direito (dever até) de cidadania, é algo mesquinho. Se tens indícios concretos que apontem claramente para incompatibilidade de interesses, sugiro que os apresentes às entidades competentes - que é para isso que elas existem.

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