A CORRUPÇÃO QUE OS POLÍTICOS NÃO COMBATEM

paulo vieira da silvaHoje numa entrevista André Corrêa d’Almeida, professor na Columbia University, diz que o valor da corrupção em Portugal corresponde a 10% do PIB, ou seja, mais de 21 mil milhões de euros por ano.

Leu bem, são mesmo 21 mil milhões de euros por ano em corrupção que é paga por todos nós.

A corrupção é mesmo um dos maiores “impostos” que os portugueses pagam todos os dias.

É um ”imposto” que tem uma larga cadeia de intervenientes, em que cada um vai ficando com uma ” percentagem do negócio ” ou melhor  dizendo da ” negociata ” que acaba por se repercutir de forma muito onerosa no preço final da casa que compramos, no custo da autoestrada que percorremos, dos medicamentos que usamos, do hospital a que recorremos, na escola ou universidade que frequentam os nossos filhos.

O investigador acredita que quando a corrupção começar a ser um assunto, quando os cidadãos pressionarem para que seja assunto, acredita que o problema se possa começar a resolver.

Eu já me convenci disso há vários anos.  Por isso, apesar de cansado desta luta, continuo a batalhar contra a corrupção todos os dias.

Escrevendo sobre o tema mas também denunciando vários casos de corrupção que já produziram acusações e dezenas de arguidos mas que ainda não produziram nenhum condenado.

Tenho noção que a nível pessoal estou já a pagar um preço elevado por este combate. Talvez um destes dias vos possa contar mais alguma coisa sobre esta factura pessoal mas garanto-vos que não me vão calar.

Quando somos tolerantes e até cúmplices com a corrupção no lugar de a denunciar e a repudiar o que poderemos esperar do nosso país?

Insisto e persisto em dizer que o combate contra a corrupção começa em cada um de nós, em cada cidadão, em cada portuguesa e em cada português.

Entretanto Portugal apenas adoptou uma das 15 medidas contra a corrupção propostas pela Comissão Europeia o que diz muito da vontade que os nossos governantes e políticos têm em combater efectivamente a corrupção

O investigador português que vive nos EUA diz que é inaceitável que muitas formas de corrupção, incompatibilidades, conflitos de interesse e abuso de poder não estejam ilegalizadas nosso país.

Também não tenho quaisquer dúvidas que existem situações que não são ilegais apenas porque não estão regulamentadas ou legisladas pelos políticos sendo que têm implicações directas com custos muito elevados para o erário público.

A corrupção mina a Democracia, distorce o funcionamento dos mercados e a capacidade de gerar e distribuir a riqueza.

Como um dia disse John Kennedy: não perguntem o que o nosso País pode fazer por cada um de nós, mas perguntem o que cada um de nós pode fazer pelo nosso País.

Se todos ajudarem neste combate contra a corrupção acreditem que estão a fazer muito pelo futuro do nosso país, pelo futuros dos nossos filhos e netos, pelo futuro das novas gerações.

Nunca desistam do vosso País, que é também orgulhosamente o meu, nunca desistam de Portugal.

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

 

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