Uma visita de trabalho.

Por causa do aumento da incidência de algumas doenças oncológicas em Moçambique, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Hospital Central de Maputo (HCM) desenvolveram uma parceria, que se iniciou em Abril de 2014, e a que chamaram Atenção Integrada ao Doente Oncológico no HCM. Algumas instituições públicas de saúde portuguesas foram envolvidas neste projecto. O Centro Hospitalar de São João, Porto, esteve fortemente envolvido, através dos seus Serviços de Cirurgia Geral e de Oncologia, entre outros. Vários médicos e enfermeiros do HCM estagiaram no Serviço de Cirurgia Geral, em 2015, participando das actividades diárias da sua Unidade de Colo-Proctologia e do Centro de Mama.

Chegou agora a altura de corresponder com uma visita ao Hospital Central de Maputo. Durante uma semana, no início de Dezembro de 2016, tive oportunidade de participar no dia-a-dia do Serviço de Cirurgia II do HCM, na enfermaria, no bloco operatório e na consulta externa e de apresentar duas reuniões de serviço, muito participadas pelos profissionais de saúde.

Foi possível perceber o entusiasmo pela formação e pelo acesso a novidades, em particular vindo dos mais novos; aliás, é notória por todo o Hospital a presença de inúmeros jovens médicos, enfermeiros e estudantes de medicina e enfermagem.

Esta atitude entusiasta contrasta profundamente com os meios técnicos de que dispõem e com as instalações do hospital, a necessitarem de investimento e remodelação.

Nos meus 5 dias em Maputo pude conhecer um pouco da cidade e da sua população. Contactei com pessoas sempre muito simpáticas e prestáveis. A participação da lusitanidade é uma constante, na arquitectura, na comida e na presença de muitos portugueses. O transito é caótico e a desarrumação urbana absurda.

Mas o balanço é totalmente positivo, quer no que diz respeito aos objectivos da visita quer da minha experiência pessoal. Ficam os parabéns à Fundação Calouste Gulbenkian pelo projecto que, tanto quanto pude saber, irá ser prolongado por mais 5 anos. Estou seguro de que o Centro Hospitalar de São João continuará a colaborar.

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