Trovoadas…

Eu gosto das fortes chuvas, do granizo, dos vendavais e tufões, da agonia, da intensidade, do desespero, do pedido feito em restaurante trocado, das promessas esquecidas e jamais cumpridas, do esquecimento das coisas importantes, do “não sei do que esta falando”, do descaso, da ironia, do cutucão desnecessário, da agressividade gratuita e fortuita. Gosto das flores murchas ou despetaladas , das paixões, das fortes emoções que desnorteiam que nos fazem dizer bobagens em horas impróprias, da falta do pedido de desculpas…do esquecimento “não lembro de ter dito ou feito isto…gosto da cara feia, do descaso, das mas interpretações dos inimigos e das pessoas maledicentes, do não dito, dos preconceitos e das mazelas, da apatia e falta do respeito…”

Eu gosto do cinzento do concreto, das grades de janela e dos muros sem vida gosto do , amor que acreditei existir desfeito, das desventuras, das ilusões idolatradas criadas para pessoas próximas Adoro canções sem melodia, espelhos partidos, bebidas sem graça, sorrisos sem alegria gosto das , mentiras que diariamente contamos para nós mesmos, do que imaginamos no sentir do outro e suas emoções, dos castelos mágicos que criamos em pensamento que invariavelmente nos frustra., Aprecio os tombos de escada e as promessas que fazemos para nós mesmos em momentos de sofrimento que jamais cumprimos

Gosto das noites de escuridão e de silencio das , ilusões de amor ou dos afetos quando persistimos em imaginar o outro de um jeito que ele jamais foi ou será Gosto de ter consciência de ter perdido tempo em relacionamentos em que se sabia não vai dar certo mas persistimos em vão…gosto dos óculos estilhaçados, de vidros partidos, do copo que despedaça ou quando uma tal pessoa se mostra como ela é…todos seus defeitos e persistimos em relevar, negar, ou mentir pra nós mesmos negando os fatos claros e objetivos.

Eu gosto dos abismos, tempestades, do degrau quando se esta distraído, do mal estar, buracos, tropeços, do momento em que fechamos o dedo na porta do carro com unha levantando, dos esbarroes, das quedas…no inusitado do existir… gosto quando tudo dá errado e de quando as ilusões desaparecem esfregando em nossa cara a realidade nua e crua. Do espelho que me fita nos olhos mostrando quem de verdade eu sou. Adoro as curvas, as estradas esburacadas, o caminho longo que não chega…ou simplesmente se perder por ai na pressa de chegar…

Gosto de todas estas coisas por que elas me lembram que sou humano, falho, trabalham minha vaidade e orgulho me mostrando que sou apenas mais um no meio de muitos outros…Gosto do fracasso por que ele me fortalece o equilíbrio, a persistência, a dedicação e o acreditar, a fé sem perder a esperança. Aprecio tudo isto por que são tais fatos do cotidiano as desventuras e frustrações diárias, as “chineladas” do universo que me deixam claro que tenho um sentido na vida, um caminho e jornada pra seguir.. e que atalhos, ou espaços mágicos de ilusão não cabem no caminho da individuação… com os erros tenho aprendido a acertar e a ter disciplina… e na vida sem erros não existe história. Os problemas tem sua graça de existir… e é nas tempestades que se reconhece o verdadeiro capitão.

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