Tempos novos, vícios velhos

Tive ocasião de, nestas últimas autárquicas, fazer parte de uma lista candidata a um dos órgão municipal. Já não o fazia há uma série de anos porque não me identificava com as posturas do PSD local, lá é mesmo PSD, o PPD só agora é que vem ressurgindo aos poucos.

Nestas eleições, para além das candidaturas naturais dos Partidos haviam três candidaturas independentes das quais só uma vingou tendo sido vencedora em quase todo o Concelho. Essa candidatura, habilmente dissidente do PS local consegui congregar votos à Esquerda e à Direita e tal aconteceu apenas porque os militantes do PSD resolveram fazer uma leitura diferente do cenário local. Viram nessa candidatura uma forma de se “vingarem” do Poder que lá havia vigorado durante as últimas décadas deixando cair o seu candidato, o seu projecto e as suas equipas. Olhando mais para a sua agenda pessoal do que para a de todos os habitantes do Concelho. (Ler Mais…)

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Até breve

Há cada vez mais a ideia errada de que a política e os partidos são elementos dispensáveis à vida das pessoas. Essa ideia errada provocou o afastamento de muita gente da política, a cartelização dos partidos por gente de duvidosa capacidade e seriedade, o nascimento de movimentos independentes onde maioritariamente constam ex-dirigentes partidários nas suas cúpulas e a consequente descredibilização das estruturas representativas do Estado.

 

Por outro lado, a permanente incapacidade de governantes e governados para a necessária mudança de paradigma, leva a que o conformismo e a mediocridade sejam os principais reflexos dos atos públicos a que assistimos impávidos e serenos. Nos últimos tempos os exemplos são demasiados e graves.

 

Ao longo da minha vida, votei sempre na esperança de contribuir para a mudança de que precisamos para sermos um país desenvolvido, justo e próspero. Dou por falhado o meu voto na maioria das situações.

 

Chegado até aqui, seria bem mais fácil afastar-me da política e com isso ganhar o conforto do sofá que tantos e tantas apreciam. Seria até preferível (na opinião de alguns) deixar de intervir e abandonar o partido em que milito há 27 anos, algo que tantos acabaram por fazer para minha surpresa e tristeza.

 

Em face de tudo isto, optei por outro caminho. Serei candidato a presidente da assembleia municipal de Ponte de Lima, encabeçando a lista do PSD. Como não pretendo utilizar este espaço para qualquer referência à campanha eleitoral, suspendo a partir de hoje e até ao dia 1 de outubro a minha participação neste espaço de liberdade, agradecendo a todos os que me foram incentivando a escrever.

 

Deixo um abraço amigo e um rápido até breve.

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Abaixo os agelastas.

Ao contrário do que insinua com o subtítulo do seu último livro, Ricardo Araújo Pereira (RAP) não redigiu um manual de escrita humorística. Escreveu, sim, um ensaio sobre o humor e a filosofia que lhe é subjacente.

Já o título do livro remete para alguns factos da vida com os quais não gostamos de brincar: a doença, o sofrimento e a morte. Gostei muito de o ler e a sua leitura despertou-me várias considerações; discorrerei sobre duas delas. (Ler Mais…)

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Ser Cidadão, Ser Profissional?

Sem dúvida “Ser Cidadão” para ser “Bom Profissional”

 

A cidadania é algo que a sociedade nos confere para a ajudarmos a evoluir.

Não podemos nem devemos desmarcarmo-nos do importante papel de ser cidadão em prol de sermos indivíduos com uma profissão. Antes de sermos profissionais de algo, somos cidadãos de tudo.

Se pensarmos e agirmos só em proveito da profissão corremos o risco de nos reduzirmos ao ponto de esquecer o quanto é importante exercer o nosso direito e dever de cidadania. A profissão existe e contribui para a construção da sociedade; muito cedo a nossa estrutura como “pessoa humana” foi influenciada pela organização social, dando-nos instrumentos importantes para sermos profissionais de algo; bons ou maus. A profissão aprende-se na escola, é-nos conferida porque cumprimos um plano curricular académico-científico. A cidadania aprende-se com a vida nas várias sociedades com que nos deparamos desde a nascença à pessoa adulta. Não nascemos profissionais, mas nascemos cidadãos.

De pouco nos vale sermos profissionais, não importa em que área, se não formos pessoas ativas, intervenientes, de forma a utilizar o legado dessa profissão na sociedade em que vivemos. É assim que eu entendo o “Ser Cidadão”. (Ler Mais…)

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O PCP E O EURO

Sair do Euro?

O Secretário-Geral do PCP anunciou uma campanha para debater a saída do euro. Invoca a “libertação da submissão ao euro, pela produção, o emprego e a soberania nacional”, a “insustentabilidade dos constrangimentos e imposições da UE”, as “inaceitáveis pressões”, etc. (v. Público, 18-12-2016, p. 9).

Tenho o maior respeito por Jerónimo de Sousa, com quem mantive, aliás, uma relação muito cordial durante os quatro anos em que nos cruzámos no parlamento. Temo, no entanto, a forma panfletária como anuncia esta iniciativa. Ninguém gosta de pressões inaceitáveis (e elas existem) nem de constrangimentos insustentáveis (que também podemos constatar). Mas será a saída do euro que nos libertará dessas circunstâncias?

Qualquer debate sobre esta matéria deve responder a questões que os defensores do regresso a uma moeda nacional têm evitado. No dia em que saíssemos do euro sofreríamos uma desvalorização cambial que afetaria, num sentido, os nossos rendimentos e as nossas poupanças e, no sentido inverso, as nossas dívidas. (Ler Mais…)

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Saraiva, o Livro e o Julgamento

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Confesso que tenho estado atento a este frenesim mediático em torno da Casa dos Segredos, desculpem, Livro dos Segredos, protagonizado por José António Saraiva.

Não costumo, e confesso que não gosto, de fazer julgamentos sumários de pessoas que apenas as conheço através do seu trajeto mediático. Não faço, portanto, qualquer juízo de valor do caráter do Arq Saraiva, ex diretor do Expresso, pois, pessoalmente, não o conheço. Ponto.

No entanto, nas redes sociais, nas páginas de jornais e nas revistas de referência, abundam juízos sumários de quem o conhece, seguramente muito melhor do que eu. Chamam-no egocêntrico, narcisista, arrogante, prepotente, antipático, injusto ou outro qualquer adjetivo que advém de um rico dicionário de escárnio e de maldizer.

Mas o que eu gostava de salientar e relevar é o facto de quem está a bater com força no senhor, além de outros agentes, são sobretudo os jornalistas e políticos no ativo.

É, para mim, extraordinário! Explico rapidamente este meu espanto.

Em primeiro lugar, quando vejo um político incomodado com alguém, porque esse alguém difama outro, desperta em mim um sorriso sarcástico… Os políticos vivem permanentemente da intriga, da maledicência, do insulto, da invenção de histórias, da felicidade pela desgraça alheia… e agora vêm lá do alto da sua auto intitulada moralidade, tal como virgens ofendidas dum inferno tenebroso que mais não é mais do que um altar de consagrações frustradas de quem anda na vida pública para se auto promover, e à boleia deste mediatismo, tentam ficar bem na fotografia. Normalmente são estes os políticos que constantemente se esquecem que a essência da política terá que ser sempre alicerçada na defesa em absoluto do bem comum. A estes, antes dos juízos sumários populistas, aconselho que leiam o Sermão de Santo António aos peixes. E não se esqueçam que “os peixes” é apenas uma metáfora.

Em segundo lugar, os jornalistas. Não vou fazer nenhuma citação literária, porque sendo jornalistas, são automaticamente cultos. Lêem muitos livros, vêm filmes de autor, vão regularmente ao teatro e têm mundo! Pessoas cultas, viajadas e justas. Sobretudo justas! Justas porque violam constantemente o segredo de justiça, justas porque, muitas vezes, não dão hipótese ao contraditório, justas porque quando se enganam raramente pedem desculpas e justas porque nunca dão o mesmo destaque do desmentido comparativamente à notícia inicial.

Dito isto, quando vejo um jornalista a criticar José António Saraiva dá-me vontade de chorar. E não é de chorar por rir muito! É mesmo chorar de tristeza! Chorar porque tenho como certo que a democracia para sobreviver precisa de uma classe de jornalistas forte, competente, com classe, descomprometida e sem telhados de vidro.

E como eu gostava de viver numa sociedade democraticamente evoluída, não posso deixar de estranhar tanta crítica e tanto julgamento sumário oriundo de classes supostamente informadas e que, na minha opinião, deveriam ser mais auto-críticos em vez de perder tanto tempo a julgar os outros, mesmo quando o outro se chama José António Saraiva.

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A Inovação e os Governos: Pensar Fora do Vulgar

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Quando se desafia um grupo de pessoas a identificar, durante um período de dois minutos, possíveis aplicações para um clip, a maioria dos presentes consegue imaginar quatro cenários. Curiosamente, perante uma situação semelhante, quando de antemão se transmite aos entrevistados a necessidade de conceberem aplicações não tradicionais para um clip, (por exemplo, fundir uma centena de clips e produzir uma esfera de metal) o número de respostas mais frequente aumenta de quatro para doze. Este processo mental denominado “Pensar Fora do Vulgar” (PFV) é, actualmente, um factor extremamente importante no desempenho e funcionamento das instituições económicas.

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Colégios e outras “Associações”

A coisa parece-me tão simples que não resisto a alinhar umas frases sobre a recente polémica do despacho governamental acerca dos contratos de associação no ensino. Acho que muito se tem dito e nem sempre se centra a arenga naquilo que é importante, ou factual. Assim:

1. O ensino não é gratuito. O público é suportado pelo estado e o privado, pelos alunos.
2. As pessoas têm o direito de optar entre o público e o privado. O preço a pagar é que é diferente.
3. O estado, constitucionalmente, é responsável por garantir o acesso ao ensino público.
4. Os contratos de associação não se destinam a dar a opção de escolha entre o público e o privado. Destinam-se a suprir a falta de opção de escolha pelo público.

Posto isto, que me parece linear, apenas mais duas considerações:

Como em toda a boa gestão, estes contratos de associação não devem renovar-se “por que sim”. Antes devem ser avaliados ciclicamente em função da necessidade de os manter em vigor face às razões, e apenas a estas, que levaram à sua celebração. Caso a caso.

Finalmente, não está aqui em causa qual dos dois tipos de ensino é melhor, ou por qual se deverá optar, mas apenas avaliar se o estado – e consequentemente, nós – deve pagar duas vezes o mesmo serviço.

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