Gente que cuida de Gente

Um dos argumentos que tem sido utilizado pelo governo para não atender às pretensões dos enfermeiros é que as mesmas representam um elevado encargo orçamental e que o mesmo não consegue ser todo acomodado. É uma falácia, como ficará demonstrado.

Ora, é sobejamente sabido que os sindicatos até aceitam que não seja tudo para agora, pelo que a recusa peremptória do governo só revela que mais do que uma questão de impacto orçamental o que estamos a assistir é a uma recusa com base em pressupostos (preconceitos) políticos. É também inultrapassável que mudanças num grupo profissional num determinado sector geram ondas de impacto no restante sector além de ser necessário atender aos impactos sistémicos na restante Administração Pública e na sociedade em geral (nomeadamente no sector privado e social).

Mas, até agora, desconhecem-se quaisquer estudos nesta matéria, o que só reforça a tese de que estamos perante uma recusa política com base em opções que não são tornadas claras e em preconceitos. E é aqui que chegamos ao cerne da questão: às opções políticas e a quem tem a sua responsabilidade. Já se percebeu que desde o primeiro-ministro ao ministro das finanças todos se vieram pronunciar sobre o problema, o que quer dizer que o mesmo assumiu uma natureza sistémica e que implica uma abordagem integrada ao nível do Governo.

Mas era preciso tanto? Não, não era. E porquê? Porque quem devia ter desenhado uma solução que permitisse atender à resolução das injustiças mantendo o equilíbrio orçamental era o Ministro da Saúde.

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Enfermeiros Especialistas a custo Zero num SNS de Excelência? 

Centro Hospitalar Médio Tejo EPE, e Hospital de Guimarães lançaram um concurso para Enfermeiros Especialistas com a remuneração equivalente aos Enfermeiros de Cuidados Gerais! 
Os motivos por detrás destes concursos sugeriam o pior. Desta vez Ordem dos Enfermeiros e Sindicato dos Enfermeiros foram céleres a tomar uma posição. Bem haja. Espero que a atitude se repercuta em todas as outras dimensões, pois os tempos assim o exigem. 

Contudo enquanto tudo isto acontece, na maioria dos hospitais é-lhes reconhecida excelência clínica, o que me leva a questionar de que forma é que são avaliados tendo em conta a falta de respeito que tem sido exercido sobre os profissionais de saúde, nomeadamente os de Enfermagem. 

Pude verificar que é tudo baseado em indicadores de processo o que me leva a perguntar: 

PARA QUANDO AVALIAÇÃO PELOS GANHOS EM SAÚDE OU INDICADORAS DE RESULTADO?

Cada vez mais é preciso medir e traduzir o conhecimento em ganhos em saúde que os cuidados de ENFERMAGEM produzem. Infelizmente muita informação de nada vale se não for transformada em conhecimento. 

O ICHOM incita os prestadores de cuidados de saúde de todo o mundo a compararem os resultados em saúde, com os conjuntos padronizados por condição médica, para que os prestadores de cuidados de saúde possam aprender e melhorar globalmente.

Estes conjuntos padronizados de resultados medem os cuidados de saúde com base no valor que estes produzem efetivamente para o doente. Por valor, entende-se quão melhor ficou realmente o doente por consequência de uma intervenção médica e quanto custou chegar a este resultado. 

Medir com base no valor que os cuidados de saúde produzem para o doente pode realmente ser útil para todos os agentes do sistema de saúde – para os profissionais de saúde, para o Estado/para os financiadores dos sistemas de saúde, para os gestores das organizações de saúde, e, claro, para os doentes.

Por isso colegas, o caminho é este. É demonstrar por A+B a quem não quer ver, que os Enfermeiros sejam generalistas ou especialistas têm muito valor a acrescentar e a dar em termos de Saúde. 

#AfirmarEnfermagem 

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Carta aberta: ENFERMAGEM

Exmos.(as),

Nos últimos tempos temos verificado ausência de uma estratégia para a Enfermagem, ausência de um rumo para o merecido reconhecimento. Podemos dizer que temos uma massa crítica importante mas pouco visível. As diferenças de contextos, atuação e competências, que são a riqueza da profissão, criam a oportunidade para encontrarmos um denominador comum. Por isso deve existir um espaço onde estas se reúnam e onde possamos responsabilizar os intervenientes e apelar à convergência.

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Doente: cliente ou utente em saúde – uma questão atual

Da utopia à razão de ser  

Em poucas situações duas simples palavras podem significar tamanhas diferenças na forma de ver o doente

O doente/cliente é resultado de uma opção livre, surge porque tem mais confiança, porque exerce um direito de escolha, confia enquanto a sua informação , a sua consciência ou a sua percepção lho indicar. O cliente em saúde, informa-se e decide. Faz da variedade de oferta, do conhecimento e rigor da informação, uma oportunidade. É a resultante de uma sociedade livre onde a sua opinião conta. Também, não sendo necessariamente um instrumento de lucro mas sim a primeira e última razão da viabilidade e sobrevivência das organizações . O doente entra por uma porta que lhe é aberta pela qualidade e pela liberdade, mas ele próprio pode fechar quando essa qualidade deixa de existir.

Por outro lado, o doente/utente utiliza o que lhe mandam, a sua opção não existe – é ditada por fatores geográficos, políticos, por redes de cuidados, por entidades que em gabinetes decidem por ele. É uma realidade passiva, sem alternativa e dificilmente lhe é permitido mudar. Representa um número que é esgrimido pela estatística, pelos rácios,pelos relatórios, pela casuística. São tão importantes os dados que, por vezes, interessa mais o computador do que a pessoa doente.Até as reclamações, são expressas em modelos formatados e as respostas padronizadas. Alimentam o coletivismo de uma organização em que, ao invés das pessoas, os processos estão em primeiro lugar. O utente entra nas Unidades prestadoras por comportas, em turbilhão – vai na corrente que alimenta listas de espera . Muitas são artificiais e nem deviam existir,mas  são a resultante de uma gestão que não contempla nem a eficiência nem o mérito. (Ler Mais…)

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O tempo, esse facilitador de mudança.

Acreditem, receei que durante a vigência do anterior governo o retrocesso do Sistema Nacional de Saúde (SNS) ao tempo da beneficência/caridade pudesse voltar.

Declaração de interesse: sou contra as instituições de solidariedade e voluntariado pelo facto de a grande maioria ser geradora de corrupção, não cumprirem com o conceito inicialmente vertido na palavra “beneficência” o de filantropia e sobretudo porque não proporcionam emprego real, também por servirem de bandeira a certo poder político para se desresponsabilizarem e desvirtuar da função do Estado Social uma das conquistas de abril.

Voltando ao tema a que me propus refletir:

Sou do tempo em que a Saúde era pobre, o que para a época era normal, enquanto criança também o SNS passou por este estádio de pobreza. Houve tempos, na sua fase de jovem, onde enriqueceu. Contrariando a normal evolução, na idade adulta, nomeadamente durante a vigência do último governo e devido às políticas liberais instituídas, não adquiriu a sua maior pujança. Atrevo-me a dizer que, caso se tivesse mantido o programado pelo mais liberal dos governos que o SNS conheceu, este nem chegaria à idade de velhice.

Quem mais utilizou o SNS foram os pobres que erradamente julgavam não pagar. O poder instituído fê-los acreditar que o Estado Social funcionava. Errado! Caso fosse verdade, há época, o franchising das instituições, intituladas de solidariedade, não crescia que nem cogumelos. Sendo estes os principais consumidores dos hospitais do serviço público e devido a estarem abrangidos por isenções, o financiamento fugia para o lado privado por via de…

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Porque falha Portugal?

Ontem, o jornal “Público” publicou uma notícia sobre o relatório da CE a propósito da sustentabilidade dos sistemas de saúde. A temática da sustentabilidade das sociedades como as conhecemos, nomeadamente as europeias e em especial a nossa, são um tema tabu para a generalidade dos políticos, comentadores e jornalistas. Saúdo por isso e desde já a autora da peça.

No nosso caso (e certamente nos demais casos ocidentais), tal acontece pela ausência de competências instaladas no sistema político para fazer face a um projeto de futuro assente em questões estruturais e que considere as profundas alterações demográficas ocorridas nas últimas décadas.

Vivemos pois órfãos de estadistas e verdadeiros construtores de uma sociedade de futuro. O que hoje temos são bandos de empregados dos partidos do arco do poder que mais não conseguem ver do que a distância da sua testa ao seu umbigo.

A sociedade portuguesa vai perceber tarde demais o enorme flop institucional que é hoje o sistema e regime político em que vivemos. As novas gerações vivem acomodadas nos seus pequenos mundos e pouco se interessam pelo futuro coletivo da nação. Aproveitando-se dessa circunstância de total alheamento e afastamento da sociedade à política, os protagonistas das principais funções do Estado vão vivendo tranquilamente no seu status quo de imponente mediocridade política e sem qualquer resultado visível no que concerne a desenvolvimento sustentado do país.

Falha por isso Portugal. Porque não tem portugueses à altura. À altura de exigir de si mesmos muito mais e bem melhor.

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Uma alteração estúpida.

insonias-9-12-2016

A recente alteração do Acordo Colectivo da Carreira Especial Médica (Aviso nº 8746/2016, publicado no Diário da República, 2.a série, em 5 de agosto de 2016), determina o descanso obrigatório dos médicos que trabalham no Serviço de Urgência, depois de períodos de trabalho nocturno; este descanso deve ser gozado, obrigatoriamente, no dia seguinte ao do trabalho nocturno.

Durante mais de duas décadas sofri na pele (e a minha família também) as consequências físicas e emocionais de estar a trabalhar 30 horas seguidas, por vezes mais… Habituei-me a ver os meus Chefes e os meus Colegas a passar visita na enfermaria, a fazer consultas ou a operar no dia seguinte ao dia da urgência semanal, procurando entusiasmo e boa disposição no meio de muito cansaço, para que a assistência ao doente fosse feita com segurança e qualidade.

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