Saraiva, o Livro e o Julgamento

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Confesso que tenho estado atento a este frenesim mediático em torno da Casa dos Segredos, desculpem, Livro dos Segredos, protagonizado por José António Saraiva.

Não costumo, e confesso que não gosto, de fazer julgamentos sumários de pessoas que apenas as conheço através do seu trajeto mediático. Não faço, portanto, qualquer juízo de valor do caráter do Arq Saraiva, ex diretor do Expresso, pois, pessoalmente, não o conheço. Ponto.

No entanto, nas redes sociais, nas páginas de jornais e nas revistas de referência, abundam juízos sumários de quem o conhece, seguramente muito melhor do que eu. Chamam-no egocêntrico, narcisista, arrogante, prepotente, antipático, injusto ou outro qualquer adjetivo que advém de um rico dicionário de escárnio e de maldizer.

Mas o que eu gostava de salientar e relevar é o facto de quem está a bater com força no senhor, além de outros agentes, são sobretudo os jornalistas e políticos no ativo.

É, para mim, extraordinário! Explico rapidamente este meu espanto.

Em primeiro lugar, quando vejo um político incomodado com alguém, porque esse alguém difama outro, desperta em mim um sorriso sarcástico… Os políticos vivem permanentemente da intriga, da maledicência, do insulto, da invenção de histórias, da felicidade pela desgraça alheia… e agora vêm lá do alto da sua auto intitulada moralidade, tal como virgens ofendidas dum inferno tenebroso que mais não é mais do que um altar de consagrações frustradas de quem anda na vida pública para se auto promover, e à boleia deste mediatismo, tentam ficar bem na fotografia. Normalmente são estes os políticos que constantemente se esquecem que a essência da política terá que ser sempre alicerçada na defesa em absoluto do bem comum. A estes, antes dos juízos sumários populistas, aconselho que leiam o Sermão de Santo António aos peixes. E não se esqueçam que “os peixes” é apenas uma metáfora.

Em segundo lugar, os jornalistas. Não vou fazer nenhuma citação literária, porque sendo jornalistas, são automaticamente cultos. Lêem muitos livros, vêm filmes de autor, vão regularmente ao teatro e têm mundo! Pessoas cultas, viajadas e justas. Sobretudo justas! Justas porque violam constantemente o segredo de justiça, justas porque, muitas vezes, não dão hipótese ao contraditório, justas porque quando se enganam raramente pedem desculpas e justas porque nunca dão o mesmo destaque do desmentido comparativamente à notícia inicial.

Dito isto, quando vejo um jornalista a criticar José António Saraiva dá-me vontade de chorar. E não é de chorar por rir muito! É mesmo chorar de tristeza! Chorar porque tenho como certo que a democracia para sobreviver precisa de uma classe de jornalistas forte, competente, com classe, descomprometida e sem telhados de vidro.

E como eu gostava de viver numa sociedade democraticamente evoluída, não posso deixar de estranhar tanta crítica e tanto julgamento sumário oriundo de classes supostamente informadas e que, na minha opinião, deveriam ser mais auto-críticos em vez de perder tanto tempo a julgar os outros, mesmo quando o outro se chama José António Saraiva.

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Competência… ou a falta dela

Competência, ou falta dela

Competência, ou falta dela

A discussão política é apaixonante e todos nós temos opinião sobre a nossa classe política e aferimos de uma forma mais ou menos consistente, mais ou menos independente a qualidade das políticas e dos políticos que têm norteado o nosso país. E no fim, tomamos as nossas opções, ou seja, votamos. Mas na avaliação que todos nós fazemos raramente incluímos nesse processo o fator competência.

É precisamente este fator – competência – que, na minha opinião, carece praticamente em todos os setores da nossa sociedade, começando, obviamente, pelos sucessivos governos que foram, são e continuarão a ser preponderantes para o desenvolvimento do país.

A competência deverá ser a pedra de toque para qualquer regime democrático evoluído. A competência terá que ser o início e o fim das políticas públicas. E ser competente não pode ser visto apenas no cumprimento esquizofrénico das metas orçamentais pré-estabelecidas – este desígnio, só pode ser um ponto de partida e nunca, como tem sido nos últimos anos, um ponto de chegada.

Ter um governo competente, significa em primeiro lugar chamar os melhores. Os melhores a fazer política, os melhores a gerirem setores chave, os melhores a comunicar, os melhores a reformar, mas sobretudo os melhores a gerir pessoas.

Urge no nosso Portugal colocar no léxico político a palavra “competência”. Só desta forma poderemos almejar mudanças significativas no atual sistema político. Tudo o resto serão eufemismos ou apenas estados de alma.

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Os políticos suecos… e os portugueses

miguel santos

Hoje a imprensa internacional noticia que a ministra sueca da Educação, Aida Hadzialic, demitiu-se após ter sido apanhada a conduzir sobre o efeito do álcool. Foram apenas 0,2 miligramas de álcool no sangue mas a quantidade suficiente para ser considerado delito na Suécia.

Os princípios e o rigor dos políticos nórdicos ficam bem patentes nesta situação.

Por sua vez em Portugal, no dia 2 de Novembro de 2015, o jornal  Correio da Manhã, no seu website, noticiava que o deputado do PSD, Miguel Santos, tinha-se recusado submeter ao teste de alcoolemia depois de ter sido parado pela PSP quando seguia de moto, às 5 horas e 5 minutos da madrugada, na Avenida do Brasil, no Porto.

O argumento do deputado Miguel Santos para se recusar a fazer o teste do álcool foi segundo o agente da PSP a “ imunidade parlamentar “. Um deputado, que é jurista e está sentado na Assembleia da República onde é aprovada a legislação portuguesa, dizer isto só pode ser uma anedota.

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O ” fantabulástico ” deputado do PSD Miguel Santos

miguel_santos

No dia 2/11/2015 o jornal  Correio da Manhã, noticiou que o deputado do PSD, Miguel Santos, recusou submeter-se ao teste de alcoolemia depois de ter sido parado pela PSP quando seguia de moto, às 5 horas e 5 minutos da madrugada, na Avenida do Brasil, no Porto. O argumento do deputado Miguel Santos para se recusar a fazer o teste do álcool foi segundo o agente da PSP a “ imunidade parlamentar “.

Mas qual é o cidadão português que se pode recusar a fazer um teste de alcoolemia refugiando-se na “ imunidade parlamentar “? Então os deputados, governantes, conselheiros de estado, presidentes da república porque possuem imunidade parlamentar podem andar nas estradas portuguesas alcoolizados, livres de fazer testes de alcoolemia, correndo o elevado risco de matarem cidadãos portugueses que vão tranquilos e sossegados na estrada ou na via pública? E já agora estes indivíduos que ocupam estes diversos cargos públicos podem desobedecer às autoridades tendo por base a “ imunidade parlamentar “?

Mas o mais curioso é que o deputado Miguel Santos na mesma notícia disse “ Eu não tinha bebido álcool, aliás, nem bebo”. Então qual era o problema para fazer o teste da alcoolemia? Este senhor só pode estar a tentar fazer de todos os portugueses parvos.

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