Ser Cidadão, Ser Profissional?

Sem dúvida “Ser Cidadão” para ser “Bom Profissional”

 

A cidadania é algo que a sociedade nos confere para a ajudarmos a evoluir.

Não podemos nem devemos desmarcarmo-nos do importante papel de ser cidadão em prol de sermos indivíduos com uma profissão. Antes de sermos profissionais de algo, somos cidadãos de tudo.

Se pensarmos e agirmos só em proveito da profissão corremos o risco de nos reduzirmos ao ponto de esquecer o quanto é importante exercer o nosso direito e dever de cidadania. A profissão existe e contribui para a construção da sociedade; muito cedo a nossa estrutura como “pessoa humana” foi influenciada pela organização social, dando-nos instrumentos importantes para sermos profissionais de algo; bons ou maus. A profissão aprende-se na escola, é-nos conferida porque cumprimos um plano curricular académico-científico. A cidadania aprende-se com a vida nas várias sociedades com que nos deparamos desde a nascença à pessoa adulta. Não nascemos profissionais, mas nascemos cidadãos.

De pouco nos vale sermos profissionais, não importa em que área, se não formos pessoas ativas, intervenientes, de forma a utilizar o legado dessa profissão na sociedade em que vivemos. É assim que eu entendo o “Ser Cidadão”. (Ler Mais…)

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Kini [Ou um micro ensaio sobre a Liberdade]

To coerce a man is to deprive him of freedom – freedom from what? Almost every moralist in human history has praised freedom. […] nothing is gained by a confusion of terms. […] a sacrifice is not an increase in what is being sacrificed, namely freedom, however great the moral need or the compensation for it. Everything is what it is: liberty is liberty, not equality or fairness or justice or culture, or human happiness or a quiet conscience. […]

This monstrous impersonation, which consists in equating what X would choose if he were something he is not, or at least not yet, with what X actually seeks and chooses, is at the heart of all political theories of self-realisation. It is one thing to say that I may be coerced for my own good, which I am too blind to see: this may, on occasion, be for my benefit; indeed it may enlarge the scope of my liberty. It is another to say that if it is my good, then I am not being coerced, for I have willed it, whether I know this or not, and am free (or ‘truly’ free) even while my poor earthly body and foolish mind bitterly reject it, and struggle with the greatest desperation against those who seek, however benevolently, to impose it.” (Isaiah Berlin, Two Concepts of Liberty)

Citações de Sir Isaiah Berlin ficam sempre bem. Mas são especialmente úteis por estes dias de polémica em torno da proibição do burkini nas praias de vários municípios franceses. (Ler Mais…)

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BIKINIS, BURKINIS, ENFIM, TUDO A MESMA SEITA

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A França elegeu o burkini como a maior ameaça atual, à segurança nacional. Existirão provas, que as mulheres que optam por tal traje balnear, estejam de algum modo ligadas ao terrorismo? Em que algibeira vai a França guardar a sua laicidade?

Sim, podemos aceitar o nervosismo francês, perante os últimos e terríveis acontecimentos. Custa-me porém aceitar que a França ceda a esta tentação medíocre e claramente discutível. Como poderemos, sociedade ocidental, depois reclamar os valores básicos e intrínsecos da nossa cultura e desbragar fervorosamente os princípios da democracia, se nos enovelarmos no paradoxo?  (Ler Mais…)

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Cumprir Maio

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Quando ouvimos falar em “cumprir Abril” logo associamos à esquerda radical ou folclórica e temos tendência para não levar a sério.

A verdade é que 40 anos depois falta cumprir Abril, eu diria antes falta cumprir Maio para ser mais preciso. Isto porque na verdade a revolução dos capitães mais não foi que uma rebelião de classe na defesa dos seus interesses mais ou menos imediatos. Esta realidade é difícil de desmentir quando olhamos para os números e verificamos que temos mais generais que a Alemanha. Os militares mais que preocuparem-se com os portugueses ou com o país, cuidaram foi de tratar da vidinha e deram-se muito bem.

O verdadeiro “espírito de Abril “ consubstanciou-se naquele 1º maio de 1974 com a adesão quase unânime do povo à liberdade e à construção de uma sociedade mais justa.

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Senha – O que fizemos nós, liberdade?

O que fizemos de ti, liberdade? Como é que nos adulteraste a este ponto tão ridículo? Todos temos culpa, individual e colectivamente. Fomos e somos demasiado serenos. Não conseguimos sequer ser cívicos quando, no momento em que somos chamados às urnas, metade da população não vota. Somos um povo de brandos costumes. Somos um povo incapaz de sair à rua. Somos um povo com uma ortodoxia demodé ao nível de pensamento. Somos um povo que é agredido diariamente, comendo e comendo de boca calada. Somos diariamente sujeitos à pressão, à manipulação da verdade, ao tráfico de interesses, à luta incessante pelo poder. Somos um povo muitas vezes virado do avesso pelo próprio poder político, o poder a quem demos posse, livremente, quando nos entraste pela casa a 25 de Abril de 1974. Como é que voltamos a cair no erro de nos subjugarmos diariamente a grupos dominantes, sejam eles políticos, sejam eles financeiros? Porque é que nunca conseguimos aproveitar o teu comboio da esperança? Porque é que não conseguimos ser um povo capaz de usar a força da democracia para fazer evoluir este país para mais do que a miséria cultural que nos diariamente nos entra em casa? Errámos todos. Colectivamente. Errámos todos, individualmente.

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Noite Solene

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“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado.
Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos.
Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!
De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto.
Quem for voluntário sai e forma.
Quem não quiser sair fica.”

Estas palavras do capitão Salgueiro Maia ecoaram nos ouvidos dos 240 homens, formados, na parada da EPC de Santarém.
Era madrugada.
Madrugada de Abril.
Madrugada de 24 de Abril.

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O medo de perder o lugar

Luaty BeirãoEste é apenas um dos argumentos, a par da megalomania, do Ego desmesurado, do Complexo de Deus e de outros que se poderiam usar, que justificam que alguém se perpetue no Poder. Isso e o Amor ao dinheiro, à influência, a cleptocracia e tudo o que lhe está associado levam a que pessoas que pensam de maneira diferente ou que querem construir uma Nação diferente sejam considerados subversivas e sejam punidas. (Ler Mais…)

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Brevíssima consideração de aleluia sobre Liberdade

Sobre a Liberdade existem muitas afirmações. Uma, das mais comumente repetida, é “a minha liberdade termina quando começa a do outro”, como se a liberdade fosse assim uma espécie de gozo à vez, em fila indiana, delimitada pela pessoa que nos antecede e pela que nos sucede nesse exercício gozoso. Recuso essa afirmação, ou como dizia o outro, essa afirmação “é cena que não me assiste”.

A minha liberdade não termina quando começa a do outro. A minha liberdade tem que coexistir com a do outro. É essa coexistência que dignifica a liberdade, porque só o é alicerçada no respeito do outro e só na coexistência colectiva é que se realiza na sua plenitude.

Há, também, uma tendência errada de associar Liberdade a Democracia. Embora a primeira seja condição sine qua non para a existência da segunda, não são sinónimos. A Liberdade resulta de uma conquista, de um impulso primordial, a Democracia resulta de uma longa aprendizagem. O 25 de Abril trouxe-nos a Liberdade mas não nos ensinou a Democracia. E isso nota-se muito. Boa Páscoa.

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