Doente: cliente ou utente em saúde – uma questão atual

Da utopia à razão de ser  

Em poucas situações duas simples palavras podem significar tamanhas diferenças na forma de ver o doente

O doente/cliente é resultado de uma opção livre, surge porque tem mais confiança, porque exerce um direito de escolha, confia enquanto a sua informação , a sua consciência ou a sua percepção lho indicar. O cliente em saúde, informa-se e decide. Faz da variedade de oferta, do conhecimento e rigor da informação, uma oportunidade. É a resultante de uma sociedade livre onde a sua opinião conta. Também, não sendo necessariamente um instrumento de lucro mas sim a primeira e última razão da viabilidade e sobrevivência das organizações . O doente entra por uma porta que lhe é aberta pela qualidade e pela liberdade, mas ele próprio pode fechar quando essa qualidade deixa de existir.

Por outro lado, o doente/utente utiliza o que lhe mandam, a sua opção não existe – é ditada por fatores geográficos, políticos, por redes de cuidados, por entidades que em gabinetes decidem por ele. É uma realidade passiva, sem alternativa e dificilmente lhe é permitido mudar. Representa um número que é esgrimido pela estatística, pelos rácios,pelos relatórios, pela casuística. São tão importantes os dados que, por vezes, interessa mais o computador do que a pessoa doente.Até as reclamações, são expressas em modelos formatados e as respostas padronizadas. Alimentam o coletivismo de uma organização em que, ao invés das pessoas, os processos estão em primeiro lugar. O utente entra nas Unidades prestadoras por comportas, em turbilhão – vai na corrente que alimenta listas de espera . Muitas são artificiais e nem deviam existir,mas  são a resultante de uma gestão que não contempla nem a eficiência nem o mérito. (Ler Mais…)

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Eutanásia. O medo da morte ficou para trás.

Sendo a morte algo de tão particular, íntimo, confinada à família e à pequena comunidade local porque houve necessidade de a trazer para a praça pública? Será porque o velar e chorar os mortos deixou de estar confinado somente aos que lhe são mais próximos, será que a morte deixou de ser “aquele ato normal a que todos lhe estamos reservados”? A evolução técnica e científica veio trazer novas ferramentas que nos fazem encarar a morte não como um ato meramente divino, mas também como o desgaste, a falência própria da parte física que é o homem.

Ou simplesmente começamos a aceitar a morte como sendo o atingir pleno do ser humano. Será que o medo da morte ficou para trás?

O elogio do morto não desapareceu, raramente ouvimos dizer mal de quem morre, se tal acontece porque não elogiar o ato de morrer?

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