Senha – O que fizemos nós, liberdade?

O que fizemos de ti, liberdade? Como é que nos adulteraste a este ponto tão ridículo? Todos temos culpa, individual e colectivamente. Fomos e somos demasiado serenos. Não conseguimos sequer ser cívicos quando, no momento em que somos chamados às urnas, metade da população não vota. Somos um povo de brandos costumes. Somos um povo incapaz de sair à rua. Somos um povo com uma ortodoxia demodé ao nível de pensamento. Somos um povo que é agredido diariamente, comendo e comendo de boca calada. Somos diariamente sujeitos à pressão, à manipulação da verdade, ao tráfico de interesses, à luta incessante pelo poder. Somos um povo muitas vezes virado do avesso pelo próprio poder político, o poder a quem demos posse, livremente, quando nos entraste pela casa a 25 de Abril de 1974. Como é que voltamos a cair no erro de nos subjugarmos diariamente a grupos dominantes, sejam eles políticos, sejam eles financeiros? Porque é que nunca conseguimos aproveitar o teu comboio da esperança? Porque é que não conseguimos ser um povo capaz de usar a força da democracia para fazer evoluir este país para mais do que a miséria cultural que nos diariamente nos entra em casa? Errámos todos. Colectivamente. Errámos todos, individualmente.

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