Como se cria, mantém e perpetua um status e situação política

Ponto de ordem inicial: não sou, de todo, do actual sistema que nos governa. Pelo contrário. Acredito noutros valores. Admito, todavia, o virtuosismo da solução apresentada: trazer para a «governação» dois partidos que sempre se apresentaram à margem do poder e como de protesto, é uma jogada política genial. Visão política assinalável.

Neste conspecto em particular, o mérito é, por inteiro, de António Costa. Pelo espectro político com o qual mais me identifico, sempre podemos elevar o nosso estado de exaltação, a nossa discordância, a nossa antipatia. Mas, as ruas apresentam-se silentes; a paz – podre ou não! – vai-se mantendo; o actual governo vai continuando o seu caminho. Bem ou mal, o caminho – este! – também se vai fazendo ancorado nesses, outrora, partidos de protesto. Nem diabo, nem Reis magos. Convenhamos, em abono da verdade, António Costa vem-se revelando como um político de verbo cheio.

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A última oportunidade de Passos Coelho

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Um político assume-se. Foi assim que Mário Soares se definiu no seu ensaio autobiográfico político. Soares que depois de ter sido Presidente da República ainda liderou uma lista do PS ao Parlamento Europeu e recandidatou-se a um novo mandato presidencial. Sempre de cara levantada, lutando pelas suas convicções com coragem e sem medo.

Foi isso que Assunção Cristas fez ao decidir candidatar-se a Lisboa. Assumiu as suas responsabilidades e mostrou coragem.

Agora, e perante o actual momento político, não resta outra alternativa a Pedro Passos Coelho senão avançar também com a sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa enfrentando Fernando Medina. Numa eleição que Passos Coelho até beneficiaria ainda do facto de parecer estar afastada uma coligação de esquerda na capital.

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União Europeia, Lisboa e a história de mais uma “Fraude”

Bandeira Pt UE

Era uma vez Lisboa…

Os fundos estruturais europeus foram constituídos em 1975 com o objetivo de «corrigir os principais desequilíbrios regionais da Comunidade e especialmente os que são consequência de uma estrutura preponderantemente agrária, das mudanças industriais e do subemprego estrutural».

Em 1987, a Comissão Europeia estabelece uma tipologia regional para a Europa, como base na utilização de diversas variáveis dando como resultado uma classificação de seis tipos de regiões problemáticas:

  • Regiões com níveis baixos de rendimento, produtividade e emprego.
  • Regiões industriais em processo de decadência.
  • Regiões cuja percentagem de emprego no sector primário é superior em 50% à da média dos países comunitários.
  • Regiões urbanas deterioradas com problemas de congestão, níveis de desemprego elevados e de rendimento inferior à média europeia.
  • Regiões de difícil acessibilidade, como fator que condiciona o desenvolvimento, e de relativo isolamento em relação aos mercados e fornecedores.
  • Regiões periféricas dentro dos seus países e em zonas de transição, e em geral pouco desenvolvidas.

Depois do Tratado de Maastricht, a política regional da União Europeia estabelece novos objetivos para a aplicação dos fundos estruturais de coesão:

  • Objetivo 1. Fomentar o desenvolvimento e ajuste estrutural das regiões menos desenvolvidas.
  • Objetivo 2. Reconverter as regiões afetadas pela crise industrial.
  • Objetivo 3. Lutar contra o desemprego de longa duração e facilitar a inserção de pessoas excluídas do mercado laboral.
  • Objetivo 4. Adaptar os recursos humanos às diversas mutações e evoluções do sistema produtivo.
  • Objetivo 5. Reformas da Política Agrícola Comum (PAC).

Foi neste contexto que Portugal tem beneficiado dos Fundos Comunitários e tem ao longo dos anos conseguido chegar a alguns dos objetivos propostos. Prova disto é o facto da Região de Lisboa já se ter aproximado dos indicadores da média da União Europeia e desta forma, ter sido discriminada no atual Quadro Comunitário, Portugal 2020. Ou seja, em breves palavras, pode-se afirmar que a Região de Lisboa já não pode beneficiar tanto como outras Regiões do País, como os Açores, Alentejo ou a Região Norte. Esta discriminação de Lisboa foi imposta pela própria União Europeia!

Ora, não contentes com isto, o que fazem os políticos? À boa maneira portuguesa, tentam contornar este obstáculo e arranjam uma forma de injetar 250 Milhões de Euros na Economia da Cidade de Lisboa!

Percebeu bem! 250 Milhões de Euros “oferecidos” pela União Europeia (BCE) a uma taxa de juro de praticamente 0%.

Dirão os mais esclarecidos: “Mas este empréstimo não está enquadrado no Portugal 2020”. Certo! Não são Fundos Comunitários, mas é dinheiro gerido pela mesma entidade que lidera os Fundos Comunitários e que para definir os seus critérios discriminou Lisboa, compensando agora a Cidade que se tem desenvolvido muito mais que as restantes Regiões Portuguesas ao longo dos últimos 30 anos.

A União Europeia retirou com uma mão para agora oferecer com a outra!

Não tenho nada contra Lisboa, nem contra nenhuma outra Região do País, mas este centralismo continuado é algo de um Parolismo que já chateia!

E agora o que dizem as outras Regiões do País? Nada?

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