Gente que cuida de Gente

Um dos argumentos que tem sido utilizado pelo governo para não atender às pretensões dos enfermeiros é que as mesmas representam um elevado encargo orçamental e que o mesmo não consegue ser todo acomodado. É uma falácia, como ficará demonstrado.

Ora, é sobejamente sabido que os sindicatos até aceitam que não seja tudo para agora, pelo que a recusa peremptória do governo só revela que mais do que uma questão de impacto orçamental o que estamos a assistir é a uma recusa com base em pressupostos (preconceitos) políticos. É também inultrapassável que mudanças num grupo profissional num determinado sector geram ondas de impacto no restante sector além de ser necessário atender aos impactos sistémicos na restante Administração Pública e na sociedade em geral (nomeadamente no sector privado e social).

Mas, até agora, desconhecem-se quaisquer estudos nesta matéria, o que só reforça a tese de que estamos perante uma recusa política com base em opções que não são tornadas claras e em preconceitos. E é aqui que chegamos ao cerne da questão: às opções políticas e a quem tem a sua responsabilidade. Já se percebeu que desde o primeiro-ministro ao ministro das finanças todos se vieram pronunciar sobre o problema, o que quer dizer que o mesmo assumiu uma natureza sistémica e que implica uma abordagem integrada ao nível do Governo.

Mas era preciso tanto? Não, não era. E porquê? Porque quem devia ter desenhado uma solução que permitisse atender à resolução das injustiças mantendo o equilíbrio orçamental era o Ministro da Saúde.

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FALAR CLARO EM SAÚDE

Muito se tem falado da necessidade de um pacto institucional, entre os partidos, para a saúde. Aparentemente, todos estão de acordo que este deverá ser para um período alargado de anos, compreendendo várias legislaturas. Esta seria uma forma de manter uma linha orientadora coerente para a próxima década, permitindo a todos os envolvidos saber o que poderiam esperar e como se deviam comportar nesta área tão sensível para os nossos cidadãos.

Outro assunto que parece consensual e que ocupa os nossos dirigentes da área da saúde é a maledicência relativamente aos seus trabalhadores. Esta tem sido relativamente transversal aos sucessivos ministérios, particularmente quando se fala dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – lançam-se dúvidas e insinuações sobre o seu profissionalismo e a sua ética, dizem-se meias verdades e fomenta-se, na população em geral, a descredibilização desses profissionais. Os objectivos desta forma de actuação não são, de todo, claros. Qualquer empresário sabe que para ter os seus profissionais a produzir mais e melhor deve pagar bem e, mais importante, sobretudo se a primeira premissa não for possível, conceder-lhes formas de realização profissional e pessoal e prestar-lhes o devido reconhecimento, para que trabalhem muito mais do que se lhes é exigido (falamos de quantidade) e, especialmente, que tenham gosto na hora de produzir (falamos de qualidade). No SNS assistimos exactamente ao oposto destas boas práticas, esperando que os profissionais de saúde não reajam de forma avessa às variadíssimas formas de desincentivo ao trabalho.

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