“Dos patrias tengo yo: Cuba y la noche.” (de um poema de José Martí)

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Aterrei no José Martí ainda Don Fidel Alexandro Castro Ruz reinava sem delfins em Cuba. Na memória, à laia de guias, levava comigo Padura Fuentes, Cabrera Infante, Reinaldo Arenas e – sobretudo – Pedro-Juan Gutiérrez.

Lá cheguei com uma imensa curiosidade sobre aquele país, tornado uma espécie do último dos moicanos do marxismo-leninismo (com ressonância de acentuados laivos de estalinismo), num tempo em que a Perestroika tinha já estilhaçado a União Soviética.

Percorri, durante alguns dias aquela Havana, velha de quase cinco séculos, dividida em bairros, onde o barroco, o neo-clássico, o art-nouveau/deco e o modernismo, e urbanistas e arquitectos tão importantes como Antonelli, Forestier, Mira, Gropius, Neutra e Niemeyer, deixaram espantosos testemunhos, que a passagem do tempo e a falta de meios transformaram em verdadeiras odes à decadência, que só a pena de um Verlaine poderia descrever com a beleza poética que as mesmas merecem.

Naqueles bairros, naquelas ruas, naqueles edifícios arruinados e superlotados encontrei muita e muita gente. Gente que a pobreza em que vivia contrastava com a enorme dignidade, nobreza e cultura que revelavam em cada olhar, gesto ou palavra.

Gente que se sabia em ditadura, com uma resignação estranha que só aqueles que intuem que a liberdade oferecida em contraponto (e mais a norte) é tão carcereira como as prisões de pedra e grades, o podem fazer. (Ler Mais…)

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Educação – Escolhas e Critérios

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Por estes dias decorre a Futurália na FIL, a Feira do Ensino Superior onde os jovens candidatos podem recolher informações sobre os cursos, apoios e tudo o que concerne a entrada no Ensino Superior. Segundo a reportagem que vi, a procura aumentou bastante na edição que agora decorre.

Ao ver todos aqueles jovens, uma dúvida imediatamente atravessou a minha mente: mas onde é que nós vamos colocar toda aquela gente, todas aquelas crianças, que agora graças a uma “brincadeira de mau-gosto” a que chamaram Bolonha, em cinco anos sai Mestre em qualquer coisa?

Chamo-lhes crianças por uma razão muito simples. Também eu frequentei o Ensino Superior, não se pense que tenho algum estigma com isso mas no meu tempo, os cursos tinham uma duração maior e as especializações – Mestrado ou Doutoramento – eram tiradas ou no caso de a carreira profissional exigir uma especialização ou no caso de um docente precisar de aumentar o seu portfolio de conhecimento para poder continuar a ensinar, por exemplo. (Ler Mais…)

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