No passado dia 30 de Outubro, através de email, solicitei ao presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, toda a documentação relativa ao processo de atribuição da medalha de mérito profissional – grau ouro a Marco António Costa. No email de resposta Eduardo Vítor Rodrigues, entre outras coisas, transmitiu-me que tinha, e passo a citar, “intentado um processo-crime… sobre este assunto” contra a minha pessoa.
Caro Eduardo Vítor Rodrigues, respondo-lhe publicamente ao seu artigo de opinião no JN, não só como cidadão, mas também como munícipe do Concelho de Gaia.
Começo por o informar que sou apartidário, sem qualquer tipo de enquadramento político ou filiação. De facto, acho a política um mal necessário, e tenho uma repulsa completa por ideologia de pacote. Tento, sempre que me é possível, participar no processo democrático, que vejo como um dever, não como um direito. Não voto em partidos, voto em pessoas.
Nos últimos 30 meses o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, passou o tempo apregoar ” aos quatro ventos ” a dívida que recebeu do anterior executivo camarário.
Logo no início do seu mandato, corria o mês de Dezembro de 2013, Eduardo Vítor Rodrigues afirmou ao jornal “ Público “ que apenas a dívida da autarquia à sociedade luxemburguesa Drilux, no montante de 30 milhões de euros, poderia levar “ o município à falência “.
No início do ano de 2014 Eduardo Vítor Rodrigues afirmava mesmo que iria reunir-se com o Ministério das Finanças para discutir o “peso” das dívidas da autarquia mostrando-se preocupado com a “solvência” do município.
Neste seguimento, em Fevereiro de 2014, António Galamba, membro do secretariado do Partido Socialista liderado, na altura por António José Seguro e próximo de Eduardo Vítor Rodrigues, afirmava “ verificámos hoje que a Câmara Municipal de Gaia está à beira da falência e tem uma dívida de 300 milhões de euros. Perante o que temos assistido nos últimos dias, sobretudo do Dr. Marco António, percebemos bem porque é que ele tem falado sobre bancarrota porque de facto ele é um dos rostos responsáveis por esta situação e era bom que desse explicações ao país” salientando que o antigo vice-presidente da Câmara, com as responsabilidades do pelouro Financeiro, era “um dos pais desta criança de 300 milhões de dívida na Câmara Municipal de Gaia”.
Não, não é dia 1 de Abril, nem é uma notícia do Inimigo Público.
Na passada sexta-feira fui assistir a uma palestra do Dr. Rui Rio, sobre Regionalização, no Auditório Municipal de Gaia, quando no final fui, surpreendido, com a entrega de várias medalhas municipais, sendo que o último condecorado foi Marco António Costa.
Tenho que confessar que fiquei estupefacto ao ver o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, entregar a medalha de mérito profissional ao antigo vice-presidente da Câmara de Gaia que teve a responsabilidade do pelouro Financeiro, entre 2005 e 2011.
Tenho assistido lamentavelmente a este espectáculo triste que tem envolvido ambas as partes , mas reconheço que Eduardo Vítor Rodrigues não teve capacidade, nem sensibilidade política para gerir este delicado processo. Já dizia o nosso sábio povo que “ não é com vinagre que se caçam moscas “. Não é afrontando as instituições ambientalistas, neste tipo de processos, que se consegue levar as negociações a ” bom porto “.