A hipocrisia não tem limites!

Para todos aqueles que estão muito ofendidos com as reações das redes sociais a esta catástrofe há muito anunciada pela mediocridade das políticas públicas sobre o ordenamento do território, gestão da floresta e regulação de recursos, pergunto-lhes se o silêncio é de facto a melhor forma de respeitar os mortos? Pergunto-lhes ainda se esse silêncio se relaciona em parte com a colossal ignorância que impera por aí a propósito deste velho problema?

A hipocrisia não tem lugar no meu léxico e por isso escrevo (como já há muito tempo faço) sobre este tumor civilizacional. Com a desertificação do interior, o abandono das terras, a loucura da monocultura do eucalipto e a ausência de limpeza de matas, anunciou-se um futuro muito complicado.

Está agora a abrir-se uma espécie de caixa de Pandora. Tentam atirar-nos areia para os olhos com a justificação dos extraordinários e invulgares fenómenos da natureza porque não têm mais nada para ir buscar. Sabem mesmo do que estão a falar?

A natureza está apenas a reagir em cadeia a um processo muito simples: combustível, comburente, combustão. Qual destes elementos foi assim tão extraordinariamente imprevisível neste cenário de altas temperaturas numa região de enorme exploração de eucaliptal?

Quais foram as políticas públicas para a floresta nos últimos anos? Vá lá… Não é preciso ir muito longe..

 

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Uma rotina infernal

Acordo. Vejo as notícias. 43 mortos. Assim. Reflito um pouco e recordo. Porque é que isto é uma rotina anual, infernal e que ceifa tantas vidas?

Os decisores políticos e os órgãos de comunicação social têm prestado (no geral) um péssimo serviço aos cidadãos. Sejam os do interior abandonado ou do litoral desordenado. Falham na competência e na honestidade em abordar a coisa. Os políticos em geral não sabem o que fazer com esta bomba relógio. Os jornalistas na sua maioria aparecem quando há muitos mortos e desgraças para contar.

Isto é apenas um sinal dos tempos que vivemos em que nada é pensado de forma estruturada. O negócio da madeira queimada, o negócio da construção em áreas convertidas em urbanizáveis (após incêndios) e o negócio do eucalipto cuja regulação nunca há-de ser suficiente, entre outros, são evidências que há muito deveriam ter sido tratadas com honestidade intelectual por parte de governantes e outros agentes implicados no problema. Mas não são. São abordadas com mediocridade e falta de competência técnica, científica e profissional!

O território fora das cidades é ignorado há demasiado tempo e deixou de ser uma preocupação de todos os que dele beneficiam. As pessoas não têm culpa dessa atitude porque não lhes explicam a importância do equilíbrio dos ecossistemas, do ordenamento da floresta e da gestão do sistema solo. É preferível vender-lhes programas de degradação civilizacional pela televisão. Vende muito mais um programa do faz de conta do que falar dessa coisa das florestas…

Ainda nem ao verão chegamos e temos já o pior incêndio de que há memória no país. Esta é uma das maiores catástrofes a que assistimos nas últimas décadas. Nem nos armazéns do Chiado morreram tantas pessoas… O que vão os políticos fazer agora?

Vou desligar das notícias. Não trazem nada de novo. Espero apenas que o presidente da república dos afetos caia na real.

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Vida por vida

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Nos últimos dias temos sido atingidos por uma vaga de incêndios cujas dimensões são ainda de difícil avaliação. Temos um território cujo parque florestal é enorme e cada vez mais mal cuidado. Podemos até afirmar que o nosso país se desleixou e abandonou este património natural. É por isso cada vez mais difícil, ano após ano, garantir os meios necessários para contrariar esta enorme tragédia que são os incêndios florestais.

Mas tudo seria bem diferente se existisse uma visão de longo prazo sobre o que realmente queremos para o nosso país nas vertentes do ordenamento territorial e da gestão de recursos. Há uma colossal falta de visão de sucessivos governantes na gestão do património natural do nosso país. Há ainda a velha suspeita de que estes incêndios são um enorme negócio para vários agentes. Suspeita essa que nunca resulta em qualquer apuramento de factos e tudo segue igual. Tenho pois sérias dúvidas de que onde haja fumo não haja fogo!

A minha ideia ao escrever esta crónica não é dissecar sobre este enorme problema. Prefiro aproveitar este espaço para destacar o papel da instituição Bombeiros que é das poucas instituições em Portugal com um enorme capital de confiança. Vale a pena confiar e apoiar os heróis que todos os anos de forma abnegada salvam o nosso património e nos salvam a nós.

Estou muito à vontade para o escrever porque ainda por estes dias assisti ao esforço implacável das corporações do Alto Minho no combate aos incêndios que destruíram já centenas de hectares de floresta na nossa região. Mais à vontade estou porque há 2 dias atrás pela madrugada fomos surpreendidos na nossa aldeia por um fogo perto das nossas casas. Naquela altura não havia bombeiros por perto por estarem a combater duas frentes fortes no concelho. Foi então que vizinhos nossos (com os meios de que dispunham) assumiram o combate às chamas defendendo as casas do nosso lugar.

Sinto-me muito grato por existirem exemplos destes em que o lema “Vida por Vida” é praticado de forma superior. A humanidade precisa destes Homens e Mulheres. E precisa sobretudo de valorizar os bons exemplos, pois de coisas más estamos nós fartos!

Obrigado Bombeiros e obrigado vizinhos.

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Planeamento: a solução também para os incêndios

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Um dos principais problemas do nosso Pais, senão mesmo o principal, é a inexistência de planeamento. As coisas acontecem e depois logo se vê. Vivemos num permanente experimentalismo.

A falta de planeamento, em regra, paga-se muito cara. Na vida, nas empresas, mas sobretudo ao nível da governação porque neste caso pagamos todos pela mesma medida.

E o problema dos incêndios em Portugal não foge a esta regra. É claramente também um problema de inexistência de um planeamento sério.

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