Do 25 de Abril (por realizar(?))… da “música” que nos adormece

Ainda sobrelevado pelas comemorações do – para sempre nosso! – 25 de Abril de 1974, recupero e parto de parte do discurso proferido pelo Capitão de Abril, Salgueiro Maia, naquela madrugada, na parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém: «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!»
Neste conspecto, “do estado a que chegamos“, proponho, por exemplo, tentar encontrar algumas particularidades, contempladas em lei, porém, derrogadas por excepcionalidades, que, naquela constância musical, como as ondas do mar, que vão e vêm, ora são notícia, caixas, parangonas, no dia em que são publicadas; ora passam, irremediavelmente, ao esquecimento no momento seguinte; nos embalam. (Ler Mais…)

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Amanhecer num dia de abril

Mais um dia de abril e este bem especial. O 25 da liberdade, da democracia e do povo. Tudo coisas esquecidas ou engenhosamente ignoradas por um sistema que não traduz as ambições da revolução portuguesa.

O tal 25 de há 43 anos atrás aconteceu para termos cidadania participativa, justiça e liberdade. Não será muito injusto afirmar que estamos a meio do caminho desse grande projeto de afirmação nacional que é o 25 de abril de 1974.

Na verdade faltam-nos os cidadãos, falta-nos a justiça e temos uma liberdade de pequenos excessos que traduzem bem o atraso que ainda levamos nesta coisa do desenvolvimento. O estatuto chique do doutor ou do engenheiro parece continuar a ser mais importante que a educação, o conhecimento e os valores base sociais.

Os processos de justiça sejam mega ou nano são maioritariamente um exercício falhado de regulação do funcionamento da sociedade, além de se traduzirem num colossal gasto de dinheiros públicos.

As televisões e outros órgãos de comunicação social estão na base de um sistema de informação e entretenimento que vive refém de publicidade, avenças e grupos de referência altamente duvidosos.

Foi este o 25 que os nossos pais fizeram? Tenho a certeza que não. Talvez não fosse pior fazermos a parte do caminho que falta percorrer para que um dia os nossos filhos não tenham que viver sem liberdade, sem cidadãos participativos e sem justiça – as tais bases que citei da nossa democracia de 43 anos.

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