Submarinos versus Beriev BE-200

MChS_Beriev_Be-200_waterbomber

 

Durāo Barroso e Paulo Portas adquiriram em 2004 dois submarinos TRIDENTE de fabrico alemão. O processo de aquisição, a respetiva justificação, tendo em conta as necessidades do Estado Português, as características do seu território e a realidade da nossa economia, são alvo de polémica desde então. Os submarinos custaram 1000 milhões de euros e a sua manutenção custa anualmente entre 7 e 10 milhões de euros, sendo o fabricante dos submarinos a única entidade capaz de realizar essa manutenção.

Portugal é fustigado anualmente por incêndios. Desde há cerca de 20 anos que deixou de contar com a Força Aérea, ou alguma unidade pública de combate a fogos florestais, para entregar esse negócio a privados. Os custos, e as suspeitas de todo o tipo, são, desde então, foco de justificadas preocupações.

Estes dois factos permitem que questionemos as decisões tomadas pelos vários responsáveis nacionais, nomeadamente, a sua seriedade e o cumprimento de regras de interesse público.

Acresce que, respondendo a um apelo do Governo Português, a Rússia enviou para Portugal dois aviões anfíbios de combate a incêndios de elevada capacidade de transporte de água, e que podem operar em cenário florestal e urbano. Os Beriev BE-200 são bem conhecidos e utilizados em vários países, incluindo os EUA.

Numa pequena consulta verifico que um avião deste tipo custa cerca de 36 milhões de euros, e pode ser mantido por várias entidades, incluindo as infraestruturas de manutenção de aviões que temos em Portugal. A Rússia enviou-nos dois a título de ajuda de emergência. Imaginem que a cobertura do território nacional, para essa e outras missões de proteção civil, exigiria dois aviões por região (norte, centro e sul) e um por cada região autónoma. Estaríamos a falar em oito aviões, ou seja, num custo total de 288 milhões de euros, menos de 1/3 do que custaram os dois TRIDENTE e cerca de metade do custo de um só submarino.

Um país como Portugal, de baixos recursos e grandes dificuldades de gestão de território, com elevada diversidade de situações, incluindo a elevada dimensão da sua costa marítima, tem de ponderar muito bem os meios de que precisa e de como vai aplicar os seus recursos financeiros para os obter.

A realidade insiste em mostrar-nos que as decisões tomadas não tiveram em conta as necessidade dos país, o cuidado com as populações e respetivos bens, nem uma ponderação e avaliação cuidada dos recursos financeiros disponíveis e prudência no seu comprometimento futuro. Em suma, a realidade, tudo o que observamos, a confrangedora falta de meios, mostra que as decisões tomadas sobre equipamento não tiveram em conta o interesse nacional.

 

 

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