A social-democracia tem que ser muito mais que um slogan

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Tenho muito orgulho em ser social-democrata. Uma social-democracia que teve a sua génese em Eduard Bernstein, Willy Brandt e Anthony Giddens e seguidores como Helmut SchmidtOlof Palme e Francisco Sá Carneiro, que veio a fundar o PPD a 6 de Maio de 1974.

Identifico-me com um PPD / PSD que como, um dia, descreveu Francisco Sá Carneiro não assenta ” apenas numa simples democracia formal, burguesa, mas sim, numa autêntica democracia política, económica, social e cultural. Uma democracia política que implica o reconhecimento da soberania popular na definição dos órgãos do poder político, na escolha dos seus titulares e na sua fiscalização e responsabilização, que exige a garantia intransigente das liberdades individuais, o pluralismo efectivo a todos os níveis e o respeito das minorias, não existe democracia se não houver alternância democrática dos partidos no poder, mediante eleições livres, com sufrágio universal, directo e secreto.”

Entendo, como sempre defendeu Sá Carneiro, que ” a democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social, e exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva.”

E sublinho ainda, que como defendeu o fundador do nosso partido, e que não podemos esquecer ” a democracia cultural que deverá consistir em garantir a todos a igualdade de oportunidades no acesso à educação, à cultura e no favorecimento da expressividade cultural de cada um. A democracia é a única maneira de um grupo, tão numeroso, chegar ao consenso entre variadas opiniões, sem submissão a despotismos e a iluminados.”

Esta é a social-democracia em que acredito, que defendo e que continuarei a defender para o meu País.

Nos últimos anos lamentavelmente o PPD / PSD afastou-se destes princípios ideológicos que estiveram na génese da fundação do partido mais português de Portugal.

Tenho a consciência que a conjuntura económica, em que o governo pegou no País, em nada ajudou a que fosse possível colocar em prática estes princípios e valores, mas também reconheço que o caminho a seguir poderia ter sido muito mais próximo daquele que Sá Carneiro defendia para Portugal.

Porém não podemos esquecer o facto da qualidade intelectual de vários actuais dirigentes máximos do PPD /PSD ser sofrível.

Infelizmente muitos não sabem sequer definir o que é a social-democracia , nem conhecem os princípios programáticos que estiveram na génese da fundação do PPD / PSD.

A tudo isto ainda acresce o facto grave que a qualidade moral e o carácter de alguns dos dirigentes do PPD / PSD  ser mesmo várias vezes questionada publicamente.

A social-democracia tem que ser muito mais que um mero slogan. Tem que ser uma práxis política protagonizada por dirigentes políticos honestos, credíveis e coerentes.

Aguardemos para ver o projecto político que Passos Coelho vai apresentar ao País, em Espinho, e os novos dirigentes do Partido que sairão do 36° Congresso do Partido Social Democrata.

E digo isto porque um Partido dirigido por políticos fracos, nunca poderá ser um partido forte.

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