PARA QUE SERVE AFINAL UM GOVERNO?

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Um país desgovernado, na agonia de um rumo. Assim se apresenta a vizinha Espanha, às eleições legislativas do próximo domingo, 26.

No tabuleiro político apresentam-se a jogo o afeiçoado ao poder, Mariano Rajoy, que arrisca a continuidade da sua vida política, motivado numa solitária resiliência, que nem aos colegas de partido agrada, Pedro Sanchéz, convicto ainda de que é possível conquistar a Moncloa, mesmo que afinal tenha que negociar com a direita, Pablo Iglesias, aprontado para se constituir o número 2 do futuro Governo, apesar da dura realidade partidária interna lhe oferecer como trilho apenas cacos, e Albert Rivera, hábil na manipulação à esquerda e à direita, como instrumento útil para atingir o seu objetivo.

De fora, (cada vez mais distantes, de facto) assistem à partida os cidadãos, que decidirão o compasso da próxima dança. No mais, para além da escalada da apatia generalizada relativamente ao conceito político, arriscam a desagregação territorial e o comprometimento económico.

Naquela arca de Noé, terão que caber “santos” e “pecadores”. Esta mescla forçada não garante futuro. Mas adia o enterro. Durante a navegação, agrava-se o défice (já excessivo), à custa dos 150 milhões que se prevê venham a custar estas eleições. E como o mau aluno merece castigo, no caso a Espanha pode arriscar as punições da União Europeia, que a concretizarem-se arranharão mais ainda um país com 4,5 milhões de desempregados.

E para apimentar a decadente história, surge a 4 dias das eleições uma espécie de “caso do colar” da corte de Maria Antonieta, em versão século XXI, protagonizada pelo ministro do interior Jorge Fernández Díaz, “acusado” de conspirar contra rivais políticos.

Aguardemos que a responsabilidade e o bom senso coroem o resultado eleitoral.

“Está o hoje aberto para amanhã/amanhã para o infinito/Homens da Espanha: Nem o passado é morto/Nem o amanhã nem o ontem escritos» Antonio Machado, poeta espanhol, 1875-1939

Rute Serra

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