Seria difícil exigir mais a António Costa

Os resultados da execução orçamental do penúltimo trimestre voltaram a estar em linha com as previsões do governo, o que significa que muito provavelmente as metas orçamentais para o défice público serão cumpridas. O desempenho do lado da receita beneficiou da forte aposta do consumo das populações de baixos recursos e da mais do que positiva descida da taxa de desemprego. Ao contrário, do que Passos Coelho prometeu a aquando da sua eleição, António Costa iniciou finalmente uma verdadeira reforma da máquina pública, ao cortar na despesa associada aos consumos intermédios, vulgarmente designadas por “gorduras” do Estado.

Por outro lado, a economia continua em recuperação, com as exportações a apresentarem uma invulgar resiliência às quebras dos mercados angolano e brasileiro, com especial destaque para as indústrias tradicionais como o têxtil, mas também para o turismo, agro-alimentar e para os equipamentos\máquinas. Do ponto de vista politico, a gerigonça mostra-se mais coesa e sólida do que a anterior coligação PSD-CDS, da qual regulamente surgiam polémicas e demissões irrevogáveis. A parceria com o Presidente da República assegura credibilidade e força ao governo socialista, ao passo de que Bruxelas surgem sinais de agrado relativamente ao cumprimento das metas do défice e à proposta de orçamento de estado para 2017. O número de greves e manifestações regista um valor historicamente baixo contribuindo para um clima de paz social positivo para a economia. Com notável engenho e arte, António Costa negociou a subida do salário mínimo nacional com o acordo entre sindicatos e patrões, assegurou a recapitalização da CGD com o apoio do BCE/EU e para o bem e para o mal encontrou uma solução para os lesados do BES. As ameaças externas, como o Brexit, os efeitos “trump” ou as eleições em França poderão afectar de sobremaneira a economia nacional (juros acima dos 4%), embora a estes aspectos encontrem-se fora da esfera de influência do governo.

Para os que advogavam uma vida curta, o actual primeiro-ministro parece continuar a aumentar a sua popularidade e competência, reforçando a sua posição. Para o bem de Portugal e do País esperemos que continue o seu legado até ao final da legislatura.

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