Rikers Island: o mundo dos horrores

 

Debaixo dos holofotes da Big Apple, da meca do capitalismo selvagem e do baboso discurso demagógico que os Norte-Americanos possuem sempre que o assunto em causa sejam os mais elementos Direitos Humanos, jaz Rikers Island, um dos maiores complexos prisionais do mundo. Adjacente ao aeroporto internacional de La Guardia, a meio caminho entre Queens e a parte continental do Bronx, este complexo prisional de alta segurança construído em 1932 que tem como função receber presos de alta segurança com graves distúrbios psíquicos está a chocar toda a América, devido aos inúmeros de casos de violência registados nos últimos anos. O caso mais grave e que de resto está a chocar a América nos últimos dias foi o caso da morte de um preso de 39 anos chamado Braddley Ballard. A história de Ballard é uma das dezenas de história que mostra os atropelos aos direitos humanos que são cometidos diariamente nas cadeias norte-americanas, relembrando ao mundo que os Estados Unidos são efectivamente o país que mais atropela os direitos mais básicos do ser humano.

Não tenho qualquer problema em afirmar com toda a segurança que qualquer prisão cubana ou Venezuela terá melhores condições do que uma prisão como Rikers Island. É um facto. Bastará ver estas imagens gravadas pelo histórico programa Norte-Americano 60 segundos.

O falhanço do modelo instituído naquele complexo prisional, provocado por um clima de violência sem precedentes, quer por parte dos presos (deixaram pura e simplesmente de respeitar a classe dos guardas profissionais) quer pelos próprios profissionais que ali exercem funções, desde o staff da guarda prisional até aos médicos que são responsáveis pela manutenção do clima de paz, segurança e bem-estar dos prisioneiros que estão detidos naquele inferno de criminosos com os mais variados distúrbios psiquiátricos. O excessivo uso da força que foi realizado nos últimos anos pelos funcionários da cadeia levou um procurador do Estado de Nova Iorque Preet Bharara a elaborar um relatório no qual aponta as falhas da Instituição e denuncia os graves abusos (por pura omissão) ao nível de direitos humanos que desde há alguns para cá tendo vindo a ser cometidos dentro do estabelecimento prisional em causa. A violência não poderá gerar nada menos que mais violência. A exclusão gera violência. O caos gera violência. A revolta gera violência. A frustração gera violência. O desrespeito pela autoridade quando a autoridade ao invés de cumprir as suas funções de zelo pela ordem, é “ela” própria a origem dos focos de violência generalizada, coagindo sistematicamente os detidos, em especial adolescentes com recurso a armas de fogo, colocação de detidos em regime de solitária sem os mais elementares cuidados de assistência condignos, levaram Bharara afirmar que o actual sistema prisional Norte-Americano colapsou totalmente e é pura e simplesmente ineficaz na sua função de reabilitação social e prevenção social e a concluir que o sistema prisional de Rikers Island precisa de ser reformulado. A justiça Norte-Americana não poderá portanto continuar a punir com o intuito de prevenir toda a sociedade quando no fundo um dos vértices em que sustenta este efeito de prevenção não está a funcionar correctamente.

Detido por causa da violação das regras de liberdade condicional depois de ter saído em precária a meio de uma pena por tentativa de violação, um gesto mal interpretado pelos supervisores das câmaras de vigilância quando raBraddley torcia uma camisola numa sala do instituto, atirou-o para uma solitária sem fim numa cela durante 7 dias, ou melhor, para ser mais preciso, até ao momento em que coração lhe falhou devido aos actos negligenciais cometidos pelo staff prisional ao longo desse período temporal. Sem poder tomar a medicação que lhe era necessária pela patologia da qual padecia e sem que qualquer guarda-prisional ou médico interviesse no seu estado, foram várias as vezes em que as cameras do circuito de videovigilância da Instituição captaram vários profissionais, desde guardas prisionais a médicos, a espreitar para dentro da cela onde este jazia no chão, deitado sobre o seu próprio vómito para aferir o estado de desenvolvimento daquilo que apenas se pode catalogar com uma morte lenta por tortura. Noutra das frames captadas pelas cameras, um dos guardas que começou agora a ser julgado por homicídio qualificado é apanhado a lançar perfume à porta da cela para disfarçar os odores provocados pela presença no seu interior de um corpo em decomposição. Vários médicos foram também captados a olhar para dentro da sela, sem contudo, nunca terem interferido num autêntico processo de morte assistida por negligência.

Até ao momento em que o coração de Braddley Ballard falhou. Poucos segundos antes do ataque cardíaco, o responsável médico pela ala ainda perguntou a Braddley se este ainda conseguia levantar-se do chão, demonstrando um requinte de sadismo impar que envergonha a civilização humana.

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