RESPEITEM OS PROFESSORES

Muito se tem dito e escrito sobre a contagem do tempo de serviço dos professores mas o que tem transparecido da propaganda governamental é que os professores teriam aumentos de 900 euros/mês, o que implicava um acréscimo de despesa de 600 milhões só em 2018, ao passo que para outros funcionários públicos o aumento da despesa seria de cerca de mil euros/ano/funcionário.

Que ao governo interesse este tipo de propaganda até se entende, mas que os sindicatos não peguem no Excel e desmontem esta propaganda do governo é que não se percebe.

Vamos então pegar no Excel e fazer a simulação para o quase topo da carreira, que é onde se encontra a maioria do nosso envelhecido quadro docente. Consideramos, então um professor que está atualmente no sexto escalão e que com a contagem do tempo de serviço, passaria já em janeiro para o oitavo. Temos então, considerando para efeitos de IRS 2 titulares, zero dependentes:

Não podemos esquecer, que ao contrario das empresas privadas, neste caso, TODOS os descontos regressam ao sitio de onde saiu o ordenado, isto é aos cofres do Estado, pelo que não é serio fazer as contas pela diferença antes dos descontos. O verdadeiro impacto orçamental é dado pela diferença no liquido pago ao funcionário publico.

Assim sendo, se por absurdo TODOS os 140 mil professores fossem abrangidos por estas contas (o que não é de todo o caso pois há todos os outros escalões e nos mais baixos a diferença entre escalões, antes dos descontos, é de pouco mais de 100 euros) o impacto orçamental seria de cerca de 480 milhões, muito longe, portanto, dos propagandeados 600 milhões! Reitero que esta é uma conclusão absurda por excesso, que não tem nada a ver com a realidade. O verdadeiro impacto no OE de 2018, caso fosse contado o tempo de serviço e pagos na totalidade as correspondentes atualizações salariais, (o que os professores não exigem) seria menos de metade do que o governo apregoa.

Como referi, ate se entende que depois de orçamentar mais de mil milhões para aumento de pensões, ao governo não reste grande folga para acomodar mais despesa, por pequena que seja, mas isso não o iliba de mais uma vez estar a desconsiderar os professores tratando-os como funcionários públicos de segunda categoria. Ou os professores só são funcionários públicos especiais para o que é mau?

O que se pede é, não só um pouco de respeito pelos professores, (o PS já lhes chamou de professorzecos, agora quer fazê-los passar por burros que não sabem fazer contas) mas também um pouco de honestidade política! Em política não devia valer tudo.

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