Quem mais dá…

A procura do conflito

Estive fora uns dias. Quando cheguei, apercebi-me de que houvera grande turbulência. Remodelação ministerial, o comentariato nacional a querer encontrar pontos de divergência e de discórdia entre o Presidente, hoje, já era mesmo a Presidência, da República e o Primeiro-ministro. Tudo era objeto de análise para encontrar um conflito institucional. O cúmulo terá acontecido ontem na TVI24, em mais de 1 hora, com direito a intervalo, após a entrevista do Primeiro-ministro.

Ocorreu-me qualificar certas intervenções com o adágio popular “quem mais dá mais amigo é do santo”. Não seria para menos, não fosse tudo isto sério demais. O conflito é que está a dar. Ontem, após uma entrevista que, francamente, me pareceu bem conduzida, em que António Costa respondeu às questões fundamentais de forma serena, correta e a pensar no futuro, dava a impressão que estaríamos no pior momento do protetorado da troika, no Governo de Passos Coelho. Só que aí os analistas batiam menos no governo. Há quem exija discurso de esperança e perspetiva positiva nuns momentos, mas pouco depois esquece essa exigência e mais parece só querer sangue!

A velha fábula do Lobo e do Cordeiro

Assim aconteceu ontem. Havia, mesmo, um jovem – digo, jovem, porque me pareceu mais novo, mas com uma visão do mundo muito velha -, que não escondia o acinte. Estava ali para atacar, para achincalhar, para menosprezar tudo o que tivesse a ver com governo e Primeiro-ministro. Tudo estava mal! Se não era aquilo, era aqueloutro que estava. Como na fábula do Lobo e do Cordeiro, alguém tinha que ser responsabilizado por uma água turva que não agradava ao lobo. Se não foi nisto, foi naquilo. As mortes, o não ter previsto que o Ophelia teria efeitos tão nefastos, o não ter alterado o calendário do Dispositivo de Combate a Incêndios Florestais. Como na fábula, se não foste tu que turvaste a água, foi o teu irmão…

Afinal, avaliar o que de positivo se decidiu e o governo pretende fazer, pouco interessava. “o ordenamento da floresta, a reconstrução das áreas afetadas e a revitalização do interior do país” pouco interessava. Ora teria sido bom escalpelizar estas propostas e até apontar caminhos.  Mais do que procurar ou provocar o conflito. Porque isso interessa verdadeiramente ao país, às pessoas. Sobretudo às pessoas das zonas afetadas por tão graves problemas como foi o dos incêndios florestais deste ano.

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