Polícia de Costumes

Anda por aí uma “policia de costumes”.

A fazer lembrar os “Guardas da Revolução” do Aiatolá Khomeini e todos os excessos por eles cometidos na defesa ultra dogmática do que entendiam ser a Fé.

Por cá, felizmente, a violência da “polícia de costumes” exerce-se apenas pelos escritos ou pelas declarações à comunicação social e não atinge os requisitos de violência física que caracterizaram tristemente os seus antecessores iranianos.

Por cá essa “polícia de costumes” anda particularmente atenta a quem ouse ser politicamente incorrecto e tenha o atrevimento de se pronunciar de forma critica sobre essencialmente três assuntos:

Determinadas orientações sexuais, minorias étnicas e algumas religiões minoritárias no nosso país.

Aí os “polícias” e as “polícias” arrepelam os cabelos, rasgam as vestes e arremetem sobre os impíos com uma violência e um sectarismo que deixam transparecer uma quase vontade de restaurarem uma “Santa “Inquisição” para não dizer pior.

Esta semana não lhes faltou “trabalho”.

Primeiro com a entrevista de Gentil Martins ao Expresso e depois com as declarações de André Ventura sobre a raça cigana.

Na imprensa, nas redes sociais, onde quer que fosse os “polícias de costumes” até espumavam de pura raiva contra as declarações de um e de outro ignorando (os fundamentalistas e os defensores de totalitarismos esquecem sempre esse “detalhe”) que vivemos numa democracia e que as pessoas tem direito à sua opinião.

Posso não estar de acordo com tudo que Gentil Martins disse, e nalguns casos na forma como o disse, mas estou de acordo com muitas outras e acho ,acima de tudo, que ele tem o direito de ter aquelas opiniões e de as exprimir em liberdade.

O “caso” de André Ventura é ligeiramente diferente.

Porque o que ele disse, concordando-se ou discordando-se, não é nenhuma heresia e todos sabemos e conhecemos imensos casos demonstrativos disso.

Mas André Ventura é candidato do PSD a Loures.

E por isso o “spin” do governo e do PS, ajudado pela idiotice útil (ao PS) de alguns membros da oposição, quer fazer do caso um enorme escândalo que desvie as atenções de Pedrogão, de Tancos, do Siresp, dos empregos para a família no governo socialista, da fuga para férias do primeiro-ministro a meio de uma tragédia nacional, dos secretários de estado a contas com a Justiça que se demitiram um ano depois, das criticas da segunda figura do Estado (triste Estado que o tem como segunda figura mas isso é outra conversa) à Justiça entre muitas outras coisas.

E a “polícia de costumes, no seu fervor sectário, desmiolado e próprio de ditaduras onde a liberdade de opinião é palavra vã mais não faz, neste caso, do que prestar um enorme frete ao governo.

É o preço da sua intolerância…

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2 Comments

  1. A, ou as, "policias" (como lhes chama) é uma gente um tanto estranha.
    Não só por estas bandas, passou a usar-se uma bitola, uma forma (até chegar a sinistra cama de Procrustes!) onde as democracias têm querido encaixar toda a gente.
    Comecei a ter conhecimento do "politicamente correcto" quando, na época em que certas colónias passaram a ser "províncias portuguesas", o preto foi promovido, sucessivamente, a indígena, a nativo e a autóctone sem deixar de ser preto e sem que a sua condição de vida tivesse sido significativamente alterada.
    Actualmente, em sítios ou em "sites", contínua a constar para efeito da vetusta cruzinha o "sexo" (ou género) com "S" ou "M" sem o reclamado estatuto do homossexual. Porquê? Se é politicamente correcto, que se assuma. E o mesmo se passa, a vários níveis, com a "raça". Se está lá, será porque faz diferença! Ou não faz? Não fazendo, retire-se essa porra.
    Resumindo: as preocupações com tudo o que constitui o "politicamente correcto" têm como base, como primeira semente, a má consciência. Individual ou mais ou menos colectiva.
    PS: Que se saiba, a Inquisição nunca foi "santa" embora o fossem os seus tribunais ("Santo Ofício")

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  2. Em tempo:
    O "politicamente correcto" está a assumir-se mesmo, e cada vez mais, como um moderno sucedâneo da "cama de Procrustes".

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