Partidarites e comichões

A propósito de um artigo de opinião dado à estampa no JN e da autoria de um velho amigo meu e deputado à AR pelo PSD, Paulo Rios de Oliveira, tentarei alinhar algumas ideias relativamente àquilo que se me afigura como o grande erro em que têm vindo a laborar os partidos políticos e as suas respetivas estruturas concelhias no que respeita às eleições autárquicas. Assim, movidos por uma “premente” necessidade de extrapolação dos resultados ao nível nacional, há a tentação de insistir em considerá-las exclusivamente como se de uma extensão dos interesses do partido e das suas políticas nacionais se tratassem. E isto não é um raciocínio de um homem só, mas sim uma “regra” que parece ter vindo a ser absorvida por tudo o que são estruturas de coordenação partidária.

Este mesmo raciocínio ouvi-o, não vai para um mês, diretamente da boca de um coordenador autárquico, que me asseverava que seria impossível aceitar que um candidato autárquico do PS pudesse confrontar ou sequer demarcar-se das linhas programáticas que o partido preconizava para o país.
Pergunta Paulo Rios de Oliveira “se “nas “arruadas” do Porto, se dirá bem do Governo ou se criticará a geringonça?” A resposta é simples. Criticar-se-á naquilo que não servir os interesses do concelho e aplaudir-se-á naquilo que o beneficiar. Sim, porque qualquer líder autárquico deverá abster-se de intervir, enquanto tal, em assuntos que à sua autarquia não digam respeito. O seu mandato é direta e univocamente relacionado com os seus eleitores e os seus interesses devem ser os que, a seu ver, melhor defendem os interesses daqueles e da região que representa. Ponto!
Exemplificando, vejamos: Rui Moreira criticou o governo frontalmente na questão do IMI e, poucos dias depois, aplaudiu o mesmo governo quando da inauguração da exposição de Joan Miró na casa de Serralves. O governo é o mesmo, as pessoas são as mesmas mas a atuação do autarca apenas refletiu o que, em sua interpretação, era o superior interesse da cidade e dos seus munícipes.
Da mesma forma que, ao nível europeu, exijo ao meu governo que apoie e aplauda as medidas que defendam os interesses nacionais e repudie com a máxima veemência e até ao limite das suas forças, todas aquelas que nos possam prejudicar. Para isso os elegemos e esta é a independência que se exige a quem é eleito. Se os partidos políticos degeneraram e estes princípios se desvaneceram no tempo, é altura de lhes recentrar os objetivos. E não há dúvida que esta polémica à volta dos apoios partidários a uma candidatura independente tem sido “esclarecedora” enquanto geradora de inúmeros “pruridos” e outras “incomodidades”.
E não há também dúvidas que até nisto o Porto lidera. O Porto conseguiu quebrar o taticismo partidário, rompendo com a lógica de que são os “bureaux” e as “nomenklaturas” que decidem o candidato e o acesso às “famigeradas listas”. Pelo contrário, neste momento, são os partidos que andam literalmente “à nora”, rondando e rondando um veio central e tentando perceber como é que hão de sair mais ou menos incólumes deste novo ordenamento político.
De uma vez por todas, perceba-se que a legitimidade do voto é para a defesa intransigente dos interesses dos votantes. Que o autarca é o representante dos seus munícipes. Que tudo se joga em função do bem-estar de quem os elege e pugnando pelo desenvolvimento da região que lideram. Esse é o único dever do eleito e o único que o deve nortear; contra tudo e contra “tolos”…

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